REPERCUSSÃO DO ENCONTRO " OS SEIS DO BURACO " NA SEMANA DA PÁTRIA EM PORTO ALEGRE - RS. - EDIÇÃO DO JORNAL ZERO HORA DE DE PORTO ALEGRE DE 14/09/2003
Caros amigos:
Essas reportagens
abaixo, publicadas
em 14/09/2003 no Jornal Zero Hora de Porto Alegre, em sua edição dominical de
uma página inteira, comprova a grandiosidade do que foi a homenagem prestada aos Seis do Buraco, na semana passada , lá em Porto Alegre, na qual eu(Theodoro), o Zouain e demais Faraós, tivemos a feliz oportunidade de participar.
Foi uma noitada de Gala aquela justa homenagem, naquele encontro, eu tive um enorme privilégio em estar sentado ao lado do Coronel Wagner, um dos Seis do Buraco( que era Tenente na Missão), e em frente ao General Maurer que, se não me engano, também era Tenente na Missão, também do 20º Contingente.
A conversa entre os dois, as vezes com a participação de outros do Seis do Buraco, foi uma verdadeira aula de
historias e/ou depoimentos da Guerra dos Seis Dias.
Eu ouvi vários relatos emocionantes e surpreendentes que jamais imaginaria um dia ouvir. Os Gaúchos e Brasileiros do 20º Contingente, sofreram horrores de uma Guerra que não era deles, e podem se orgulhar das ações e iniciativas que tiveram que exercer para contornar todos os problemas surgidos.
Nesses relatos, muitos assuntos foram contados com absoluta exclusividade, pena é que não podemos reproduzi-los, mesmo porque nos faltaria elementos e aquelas riquezas de detalhes, então eu fico na maior expectativa de que alguém, desses Brasileiros, que estiveram presente naquela Guerra entre Árabes e Judeus, venham a tornar público esses
e muitos outros fatos que ainda são desconhecidos de muitos, e que até agora ninguém contou.
É uma história muito rica, os quais orgulham a todos os que tivemos a felicidade de um dia pertencer ao Batalhão
Suez..
Continuamos esperando e torcendo para
que apareçam muitos outros relatos daquela Guerra.
Do lado do Mosqueteiro Vargas já foi dado um avanço enorme, pois esse fato dos
"Seis do Buraco", o seu "Diário de Guerra" e algum outro, já é de conhecimento geral e está rodando o Brasil todo.
Theodoro - 10º Contingente

VEJA OS RECORTES ABAIXO COM MAIOR CLAREZA:
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Jornal Zero Hora - Gente
O diário de um gaúcho na Guerra dos Seis Dias
Lembranças da Trincheira
RODRIGO LOPES
Uma cortina de fumaça encobriu o sol de Rafah, na Faixa de Gaza, na manhã de 5 de junho de 1967. O cheiro acre dos explosivos e o calor eram fortes. A fumaça provocada pelo bombardeio passava por cima da trincheira de um metro e meio de profundidade, onde seis militares gaúchos, sentados joelho a joelho, observavam, surpresos e aterrorizados, o fim de 10 anos de uma paz garantida à força no Oriente Médio. Durante três horas e meia, a trincheira com capacidade para abrigar no máximo três soldados uniu os destinos de seis gaúchos, integrantes do 20º contingente do Batalhão Suez.
Os momentos de terror daquela manhã, que entraria para a História como os primeiros movimentos da Guerra dos Seis Dias, ficariam registrados apenas na memória do grupo não fosse um pequeno bloco em papel manteiga que o cabo Fernando Vargas Neto, 19 anos, de Porto Alegre, carregava no bolso direito da farda modelo indiano. Cara a cara com a morte, Vargas documentou no diário o fulminante ataque israelense à Faixa de Gaza (então sob domínio egípcio).
- Achava que ia morrer e queria que o encontrassem no meu bolso, quando achassem meu corpo - lembra Vargas, hoje aos 55 anos.
A guerra selou o fim da missão de paz das Nações Unidas e decretou a retirada do contingente brasileiro da região. Vargas voltou ao Brasil junto com os outros 600 brasileiros a bordo do navio Soares Dutra. Por 36 anos, o diário ficou esquecido em uma caixa de um armário no apartamento do bairro Leblon, no Rio, para onde o gaúcho se mudou. Há cerca de um ano, entusiasmado com o desfile de 7 de Setembro, o ex-combatente decidiu reabrir a caixa do passado. E achou o antigo bloco.
Na manhã do bombardeio, Vargas deixava o serviço no depósito de material cirúrgico do Forte Worthington (um dos quartéis do Campo Rafah, complexo da ONU), quando escutou o som dos caças Mirage israelenses. Como integravam uma força de paz, os militares não tinham ordens para reagir.
- Saí voando em direção ao primeiro buraco que vi. Estava quase lotado. Os caras tentaram me empurrar para fora, mas disse: "Aqui eu fico". E fiquei, espremido no buraco de dois metros de largura com os outros cinco militares - lembra.
Os momentos de tensão selaram uma amizade. Depois de feito prisioneiro pelos israelenses, o grupo foi levado para o Campo Brasil, base do Batalhão Suez. Já em segurança, Vargas começou a escrever o diário.
- Para ser lido quando Deus o permitir - era a primeira frase.
Vargas registrou com caneta azul e letra legível os nomes dos cinco companheiros de trincheira: o primeiro tenente Manoel Wagner de Araújo Freire, 26 anos, o terceiro sargento José Jaime Tiburi, 23 anos, o cabo Sérgio Luiz de Mesquita Cardoso, 20 anos, e os soldados Reneu José Kerber, 19 anos, e João Augusto de Souza, 20 anos. Das seis páginas do bloco, o momento mais longo - e emocionante - é o trecho dedicado à tensão no buraco.
O diário também foi testemunha de um pacto: ainda na trincheira, eles prometeram que se saíssem vivos dali, se encontrariam um ano depois em Porto Alegre. Como o encontro nunca acontecera, ao reaver o diário, Vargas dispôs-se a pagar a promessa. Com a ajuda da Internet e do telefone, ele localizou os cinco colegas, hoje espalhados pelo Brasil. No último dia 6, as frases do diário ganharam vida nas palavras dos gaúchos, que se reuniram em uma churrascaria de Porto Alegre para lembrar aquela manhã de 1967. Os "seis do buraco" - apelido carinhoso do grupo - acertavam de vez as contas com o passado.
Veja na integra o "Diário de Guerra" na janela do 20º contingente do site.
" Não necessito dizer da importância desta matéria para a divulgação do Batalhão SUEZ e sua epopéia durante os dez anos nas areias da Faixa de Gaza."
FVargas