Câmara Homenageia Batalhão Suez

PRONUNCIAMENTO 26/08 – GRANDE EXPEDIENTE
Plenário da Câmara Municipal - 19/08/2002
HOMENAGEM AOS 35 ANOS DO RETORNO DO 20º CONTINGENTE DO BATALHÃO DE SUEZ
O SR. FERNANDO ZÁCHIA: Sr. Presidente e Srs. Vereadores. (Saúda os
componentes da Mesa e demais presentes.) É com muita honra que esta Câmara homenageia o Batalhão de Suez. Saúdo os integrantes do Batalhão de Suez que
são os nossos homenageados neste dia, destacando que, no dia 02 de agosto, o
20º Contingente do Batalhão Suez completaram 35 anos do retorno do Batalhão ao Brasil e a Porto Alegre.
Relembro um pouco os fatos que motivaram essa memorável campanha dos nossos soldados em missão de paz no Oriente Médio que se iniciou em 1957. Em 1954,
com a chegada ao poder do então Presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, o Egito desejava construir uma usina hidroelétrica no rio Nilo. A grande
barragem de Assuã. Entretanto, Nasser não obteve o apoio necessário para o financiamento dessa grande obra. Em 19 de julho de 1956, os Estados Unidos
recusaram-se a participar desse megaprojeto. No dia seguinte, a Inglaterra
igualmente retirou a sua ajuda econômica. Então, em 29 de outubro de 1956, Nasser anunciou a nacionalização da
Companhia do Canal de Suez, francesa, que controlava o Canal desde a sua inauguração, em 1869, mediante uma concessão até 1968. O Canal de Suez, com
160 Km de comprimento, reduziu em 9.700 Km a rota entre a Inglaterra e a Índia, ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho. Nasser assegurou que a
receita advinda das taxas de utilização do Canal seria empregada para financiar a construção da represa e proibiu a passagem de navios israelenses
pelo Canal. A atitude do Presidente Nasser desagradou aos ingleses e franceses que
mantinham o monopólio sobre essa estratégica via de navegação. Os ingleses e
franceses invadiram a zona do Canal, mas os Estados Unidos e a União Soviética se opuseram aos atos de guerra.
Por isso, em 5 de novembro de 1956, através de uma Resolução, a ONU cria a Força de Emergência das Nações Unidas, denominada UNEF, composta de
militares do Brasil, Canadá, Índia, Dinamarca, Noruega, Suécia e Iugoslávia.
Atendendo a solicitação da ONU, o Exército Brasileiro enviou para o Oriente Médio o 1º Contingente no ano de 1957. Até 1967 foram 10 os anos em que o
Batalhão Suez participou da "mais longa missão do Exército brasileiro no
exterior", enviando um total de 20 Batalhões. De Porto Alegre partiram três Contingentes: o 5º Contingente, em 1959, o 13º
Contingente, em 1963, e o último, o 20º Contingente, em 1967, totalizando 1.130 soldados
representando o Rio Grande do Sul. A missão atribuída ao Batalhão Suez foi tão importante para nossa Pátria que
o governo brasileiro decretou que os serviços prestados pelos nossos soldados seriam considerados como "serviço nacional relevante".
Os Boinas Azuis, como eram chamados carinhosamente os integrantes do Batalhão Suez, cumpriram rigorosamente a sua missão, que era evitar o
confronto entre as duas nações inimigas, observando e patrulhando a área. Cumpre lembrar que na região onde o Batalhão Suez atuou se encontra o
Deserto do Sinai, onde o calor várias vezes ultrapassava a marca dos 50 graus centígrados, durante o dia, e, à noite, essa temperatura caía
bruscamente para até 2 graus negativos. Além das difíceis condições climáticas, os Boinas Azuis enfrentaram todo
tipo de dificuldades, como campos minados sem o devido mapeamento, troca de
tiros com as insistentes aproximações de facções árabes e incursões da Força
Aérea Israelense. Em 16 de maio de 1967, Nasser se julgou capaz de defender a soberania de seu território e pediu a retirada das forças de paz da ONU.
Mas, antes da retirada, os Boinas Azuis da Faixa de Gaza, os ânimos entre árabes e judeus se acirraram novamente e a guerra ficou iminente. Não houve
tempo para a montagem de um plano de retirada em caráter de emergência e por isso não foi possível retirar o 20º Contingente do Batalhão Suez, que ainda
se encontrava na área. Em 5 de julho de 1967, um caça israelense, respondendo a um ataque da
aviação egípcia, dá início à chamada "Guerra dos Seis Dias". Foram os dias
mais difíceis, mas, finalmente, em 10 de julho o Batalhão Suez deslocou-se
para Gaza, onde foi acantonado no Quartel General da ONU. No dia 12 de julho de 1967, os Boinas Azuis viajaram de Gaza para a cidade de
Ashdod, a 14 quilômetros de Tel Aviv, onde embarcaram no navio Soares Dutra, da Marinha
do Brasil. Em 2 de agosto de 1967, o 20º contingente do Batalhão Suez chegou
a Porto Alegre. Apesar de todas as dificuldades, não houve um só caso de indisciplina por
parte daqueles jovens. O reconhecimento internacional veio através da Fundação Nobel, em 10 de dezembro de 1988, que outorgou o Prêmio Nobel da
Paz a todos os integrantes do Batalhão Suez, que cumpriram aquela missão de paz.
Recebam todos os integrantes do Batalhão Suez o nosso reconhecimento, o reconhecimento de Porto Alegre. E
cumprimento a Associação Brasileira de Integrantes do Batalhão Suez - Rio Grande do Sul, criada em 11 de maio de
1984, por manter vivo e aceso esse espírito de união e amizade fraterna entre os Boinas Azuis. Cumprimento também a todos, e a cada um dos nossos
Boinas Azuis, pelos 35 anos do retorno do 20º Contingente, assim como os pracinhas do 5º Contingente e do 13º Contingente do Batalhão Suez, na pessoa
do General-de-Divisão Flávio Oscar Maurer, que foi o Comandante do 2º Pelotão da 7ª Companhia do 20º Contingente; o Presidente da Federação
Nacional de Forças de Paz da ONU no Rio Grande do Sul, Wilton Melo Garcia, e o atual Presidente da Associação, Haroldo Freitas da Silva. A todos vocês,
que ajudaram a fazer uma das páginas mais lindas do Exército Brasileiro. Muito obrigado. (Palmas.)