Câmara Homenageia Batalhão Suez


        Prezados companheiros:

        A Câmara Municipal de Porto Alegre homenageou ontem, dia 26, o 20º Contingente do Batalhão Suez  pelo aniversário de 35 anos do retorno ao Brasil. Abaixo estou mandando o texto da homenagem e as fotos da cerimônia.

GRANDE EXPEDIENTE

Câmara homenageia Batalhão de Suez - O Sr. Wilton de Melo 
está no centro da foto  junto com o companheiro Aroldo Tadeu Freitas 
da Silva, presidente da Associação e também aparece o General 
Flavio Oscar  Maurer  que também discursou na cerimônia 


"A Câmara Municipal realizou hoje (26/8) cerimônia em comemoração ao aniversário de 35 anos do retorno do 20º Batalhão Suez ao Brasil. A homenagem, proposta pelo vereador Fernando Záchia (PMDB), teve a presença do general de divisão Flávio Oscar Maurer, comandante do 2º pelotão da 7ª companhia do 20º contingente, dos presidentes da Federação Nacional das Forças de Paz da ONU/RS, Wilton Melo Garcia, e da Associação Brasileira de Integrantes do Batalhão Suez/RS, Aroldo Tadeu Freitas da Silva, e de ex-soldados que integraram as tropas. Záchia apresentou um histórico da atuação do batalhão, cuja missão de proteger o Canal de Suez, no Egito, começou em 1957 e encerrou-se dez anos depois. "Foi a mais longa missão do Brasil no exterior, na qual o Rio Grande do Sul participou enviando 1.130 soldados, que enfrentavam 50 graus centígrados de dia e dois graus negativos à noite.
        Maurer lembrou que das tantas missões de paz do Brasil no exterior, a de Suez foi a primeira. Depois dela, os brasileiros foram a Angola, Moçambique, Equador e, agora, estão em Timor Leste. "Na ONU, quando se fala em tropa brasileira, sente-se orgulho, pois é um Exército de paz cujos soldados jamais deixaram a desejar.
        Garcia afirmou que o Batalhão Suez é a "história de um punhado de jovens que se entregaram a uma causa que o mundo inteiro admira até hoje". Ressaltou que desde a chegada, os brasileiros enfrentaram todo o tipo de dificuldades: muitas doenças, idioma estranho, um deserto implacável e as incursões armadas de árabes e israelenses. Ele também rechaçou as críticas daqueles que insinuam que as tropas brasileiras fizeram apenas turismo no Egito ou que foram afugentadas de lá pelos árabes. 
        João Bosco Vaz (PDT) disse que a iniciativa de Záchia resgata um feito de cidadania daqueles que foram em busca da paz. "O trabalho deles salvou famílias inteiras. Deixaram esposas, filhos, pais e amigos para defender a paz em uma causa que engrandeceu o nome do nosso país.
        Pedro Américo Leal (PPB) lembrou com orgulho que preparou vários contingentes para a missão em Suez, na Companhia de Guardas e na Polícia do Exército. A exemplo de Garcia, destacou as dificuldades enfrentadas pelos brasileiros. "Só de 15 em 15 dias os soldados tinham um contato via rádio com a família. Era uma vida dura, monótona, desesperadora, tendo como companhia só vento e areia.
        José Fortunati (PDT) disse estar muito alegre por receber os pracinhas de Suez. Filho de expedicionário da Força Expedicionária Brasileira (FEB), o presidente da Casa afirmou que sabe muito bem da importância do batalhão de Suez e da luta incessante dos soldados brasileiros pela paz." 

Marco Marocco (reg. prof.6062)/ Assessoria de Imprensa da CMPA
Fernando Vargas Neto.Cabo do 3º pelotão da 7ª Companhia de Fuzileiros do 20º Contingente. "Fernando Vargas" <fvargas@infolink.com.br>  (Breve mandarei outras noticias importantes para os companheiros veteranos.)


PRONUNCIAMENTO 26/08 – GRANDE EXPEDIENTE 
Plenário da Câmara Municipal - 19/08/2002 
HOMENAGEM AOS 35 ANOS DO RETORNO DO 20º CONTINGENTE DO BATALHÃO DE SUEZ

O SR. FERNANDO ZÁCHIA: Sr. Presidente e Srs. Vereadores. (Saúda os componentes da Mesa e demais presentes.) É com muita honra que esta Câmara homenageia o Batalhão de Suez. Saúdo os integrantes do Batalhão de Suez que são os nossos homenageados neste dia, destacando que, no dia 02 de agosto, o 
20º Contingente do Batalhão Suez completaram 35 anos do retorno do Batalhão ao Brasil e a Porto Alegre. 
Relembro um pouco os fatos que motivaram essa memorável campanha dos nossos soldados em missão de paz no Oriente Médio que se iniciou em 1957. Em 1954, com a chegada ao poder do então Presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, o Egito desejava construir uma usina hidroelétrica no rio Nilo. A grande barragem de Assuã. Entretanto, Nasser não obteve o apoio necessário para o financiamento dessa grande obra. Em 19 de julho de 1956, os Estados Unidos recusaram-se a participar desse megaprojeto. No dia seguinte, a Inglaterra 
igualmente retirou a sua ajuda econômica. Então, em 29 de outubro de 1956, Nasser anunciou a nacionalização da Companhia do Canal de Suez, francesa, que controlava o Canal desde a sua inauguração, em 1869, mediante uma concessão até 1968. O Canal de Suez, com 160 Km de comprimento, reduziu em 9.700 Km a rota entre a Inglaterra e a Índia, ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho. Nasser assegurou que a receita advinda das taxas de utilização do Canal seria empregada para financiar a construção da represa e proibiu a passagem de navios israelenses pelo Canal. A atitude do Presidente Nasser desagradou aos ingleses e franceses que 
mantinham o monopólio sobre essa estratégica via de navegação. Os ingleses e franceses invadiram a zona do Canal, mas os Estados Unidos e a União Soviética se opuseram aos atos de guerra. Por isso, em 5 de novembro de 1956, através de uma Resolução, a ONU cria a Força de Emergência das Nações Unidas, denominada UNEF, composta de militares do Brasil, Canadá, Índia, Dinamarca, Noruega, Suécia e Iugoslávia. Atendendo a solicitação da ONU, o Exército Brasileiro enviou para o Oriente Médio o 1º Contingente no ano de 1957. Até 1967 foram 10 os anos em que o Batalhão Suez participou da "mais longa missão do Exército brasileiro no 
exterior", enviando um total de 20 Batalhões. De Porto Alegre partiram três Contingentes: o 5º Contingente, em 1959, o 13º Contingente, em 1963, e o último, o 20º Contingente, em 1967, totalizando 1.130 soldados representando o Rio Grande do Sul. A missão atribuída ao Batalhão Suez foi tão importante para nossa Pátria que o governo brasileiro decretou que os serviços prestados pelos nossos soldados seriam considerados como "serviço nacional relevante". Os Boinas Azuis, como eram chamados carinhosamente os integrantes do Batalhão Suez, cumpriram rigorosamente a sua missão, que era evitar o confronto entre as duas nações inimigas, observando e patrulhando a área. Cumpre lembrar que na região onde o Batalhão Suez atuou se encontra o 
Deserto do Sinai, onde o calor várias vezes ultrapassava a marca dos 50 graus centígrados, durante o dia, e, à noite, essa temperatura caía bruscamente para até 2 graus negativos. Além das difíceis condições climáticas, os Boinas Azuis enfrentaram todo tipo de dificuldades, como campos minados sem o devido mapeamento, troca de 
tiros com as insistentes aproximações de facções árabes e incursões da Força Aérea Israelense. Em 16 de maio de 1967, Nasser se julgou capaz de defender a soberania de seu território e pediu a retirada das forças de paz da ONU. Mas, antes da retirada, os Boinas Azuis da Faixa de Gaza, os ânimos entre árabes e judeus se acirraram novamente e a guerra ficou iminente. Não houve tempo para a montagem de um plano de retirada em caráter de emergência e por isso não foi possível retirar o 20º Contingente do Batalhão Suez, que ainda se encontrava na área. Em 5 de julho de 1967, um caça israelense, respondendo a um ataque da aviação egípcia, dá início à chamada "Guerra dos Seis Dias". Foram os dias mais difíceis, mas, finalmente, em 10 de julho o Batalhão Suez deslocou-se para Gaza, onde foi acantonado no Quartel General da ONU. No dia 12 de julho de 1967, os Boinas Azuis viajaram de Gaza para a cidade de Ashdod, a 14 quilômetros de Tel Aviv, onde embarcaram no navio Soares Dutra, da Marinha do Brasil. Em 2 de agosto de 1967, o 20º contingente do Batalhão Suez chegou 
a Porto Alegre. Apesar de todas as dificuldades, não houve um só caso de indisciplina por parte daqueles jovens. O reconhecimento internacional veio através da Fundação Nobel, em 10 de dezembro de 1988, que outorgou o Prêmio Nobel da Paz a todos os integrantes do Batalhão Suez, que cumpriram aquela missão de paz. Recebam todos os integrantes do Batalhão Suez o nosso reconhecimento, o reconhecimento de Porto Alegre. E cumprimento a Associação Brasileira de Integrantes do Batalhão Suez - Rio Grande do Sul, criada em 11 de maio de 1984, por manter vivo e aceso esse espírito de união e amizade fraterna entre os Boinas Azuis. Cumprimento também a todos, e a cada um dos nossos Boinas Azuis, pelos 35 anos do retorno do 20º Contingente, assim como os pracinhas do 5º Contingente e do 13º Contingente do Batalhão Suez, na pessoa 
do General-de-Divisão Flávio Oscar Maurer, que foi o Comandante do 2º Pelotão da 7ª Companhia do 20º Contingente; o Presidente da Federação Nacional de Forças de Paz da ONU no Rio Grande do Sul, Wilton Melo Garcia, e o atual Presidente da Associação, Haroldo Freitas da Silva. A todos vocês, que ajudaram a fazer uma das páginas mais lindas do Exército Brasileiro. Muito obrigado. (Palmas.)


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