Proposta
EXCELENTÍSSIMOS SENADORES DA REPUBLICA E DEPUTADOS FEDERAIS
Tramita no Congresso Nacional Proposta de Emenda à Constituição Federal número
294/95 do Deputado Federal SERGIO BARCELLOS e outros que da nova redação ao
Parágrafo 1º do Artigo 54 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias,
aprovado na Comissão de Constituição, Justiça e Redação por cinqüenta
votos contra um, do Deputado Jarbas Lima, tendo o Relator, Deputado Nilson
Gibson, votado favoravelmente, com o parecer: “Pela admissibilidade”.
(O teor da Proposta foi transcrito na íntegra
na CÂMARA DOS DEPUTADOS).
Os
brasileiros representados pelo nobre Deputado Federal SÉRGIO BARCELLOS deixaram
o conforto de seus lares e a segurança de sua pátria, para em terra estranha
de língua, clima e costumes diferentes dos seus, promover a paz, tão
discutida, tão reclamada más pouco reconhecida. Esses jovens não foram
destruir cidades, não foram dizimar famílias, não foram matar e nem mutilar
os seus semelhantes; muito pelo
contrário, expuseram suas vidas na sagrada missão de promover a paz e
regaram com sangue brasileiro, as areias do Sinai.
Receberam da ONU uma área com minas dos diversos tipos, deixadas por Israel e
corpos em decomposição sobre as areias do deserto, tornando aquela, uma área
de condições endêmicas e um teatro de guerra, onde se descortinavam, quase
que diariamente, intervenções suicidas de exércitos fanáticos do Egito,
culminando com a Guerra dos Seis Dias que levou bruscamente o Cabo Enfermeiro
Adalberto Ilha de Macedo. Se não bastassem, tropas de Israel invadiram o Campo
Brasil, saquearam os pertences dos brasileiros e os colocaram deitados no chão,
durante toda à noite com pouca roupa, exposto a um frio intolerável e com
metralhadoras apontadas para suas cabeças o que certamente provocou nesses
jovens brasileiros, seqüelas que os marginalizariam da vida normal. Pois ali
estava numa missão de paz, usando armamentos leves e sem instruções
especificas para situações como essas.
Nobres
Senadores e Deputados Federais, os integrantes do Batalhão Suez entendem e até
aplaudem a iniciativa que levou o reconhecimento do trabalho dos homens que, num
esforço de guerra submeteram-se à vida selvagem e as doenças próprias da
região dos seringais; por outro lado ficam tristes de não terem sido
reconhecidos até então, enquanto que, outros militares que no período da 2ª
Guerra Mundial, permaneceram nas praias desse “país tropical abençoado por
Deus” não deram e nem receberam se quer, um tiro de revolver e foram
reconhecidos.
Esse marco importante da história do
Brasil, construído por esses precursores das Forças de Paz do Brasil, não
consta dos livros escolares e nem figura em nossas enciclopédias; o Brasil não
sabe que em 28 de setembro de 1988, o Comitê Nobel do Parlamento Norueguês
outorgou às Forças de Paz das Nações Unidos, o prêmio Nobel da Paz e esses
brasileiros trouxeram para nossa pátria, pela primeira vez, essa premiação
que, embora coletiva, é sem dúvida uma honra para o Brasil.
Javier
Perez de Cuellar. 5º Secretário
Geral da ONU, disse em seu discurso:
“Para manter a calma diante da provocação, para manter a serenidade ante o
ataque, as tropas das Nações Unidas, desde o soldado raso até o seu
comandante, devem possuir uma coragem muito especial: uma coragem que não se
acha comumente na maioria das pessoas. As tropas da nossa Nações Unidas têm
sido postas à prova, emergindo triunfante”.
O
Comitê Nobel do Parlamento Norueguês reconheceu o trabalho desses heróis,
outorgando-lhes o Prêmio Nobel da Paz; a Organização das Nações Unidas
reconheceu, entregando a cada um dos Participantes a medalha do pacificador e
referindo-se de maneira elogiosa aos integrantes das Forças de Paz. Só resta
agora reconhecimento brasileiro que depende de Vossas Excelências que,
aprovando a proposta de Emenda a Constituição Nº 294 /95, estarão anexando a
história do Brasil, essa página importante desconhecida de muitos.
Esse é o desejo daqueles que souberam fazer,
a paz e hoje não conseguem viver em paz.
Em nome de meus representados, agradeço e
coloco a Associação Brasileira das Forcas de Paz a disposição de V. Excia.