A SAGA DO BTL.SUEZ
Theodoro
Solenidade Cinqüentenário da partida do 4º
Contingente, Na Missão UNEF.
As expectativas eram ótimas para o evento, onde desde bem cedinho os bons
fluídos denotavam que tudo estaria em pleno estado de graça. E assim foi. Dia
maravilhoso, o Quartel 20º BIB preparado para receber os vários companheiros das
Missões Missões de Paz, e Btl.Suez na Faixa de Gaza.
Ao evento também compareceram, para compartilhar das comemorações, das nostalgias das tantas histórias de Suez, familiares, autoridades e convidados especiais.
Pela manhã um pouquinho de frio, é verdade,
mas tivemos um dia com céu de brigadeiro e muito sol, de tal forma que à tarde,
no momento das despedidas e retorno para casa, já estava fazendo um calorzinho
bem acolhedor.
No dia 25 de julho - 2008, dia de São Cristóvão, Padroeiro dos Motoristas,
vários Boinas Azuis - Veteranos, marcaram suas presenças na Solenidade alusiva
ao 50º aniversário da partida para Suez do 4º Contingente do BTL.SUEZ.
Desta vez, na solenidade do 20º BIB, todos os Boinas Azuis tornaram-se
personagens de vibração, como nunca poderia imaginar, isto porque, desde nossas
chegadas ao local do evento, foram acontecendo seqüências de inúmeras surpresas
agradáveis que nosso Criador tinha reservado, das quais nem imaginávamos
pudessem acontecer.
A princípio, alguns companheiros desejavam apenas assistir a solenidade e logo
após o Desfile dos Veteranos, tencionavam despedir-se e retornar para casa.
Porém o destino dos acontecimentos reservaram as tais surpresas, as quais,
passamos a comentar, conforme segue...
Como sabemos o 4º Contingente, foi selecionado, agrupado e treinado lá mesmo no
20º BIB, e dali, em finais de julho de 1958, partiram em trem especial, até
PARANAGUÁ, e de lá - em Navio da Marinha de Guerra do Brasil, com destino ao
Egito.
O 4º Contingente do Btl.Suez, passou para história como o primeiro Contingente a ser formado no Sul do BRASIL. A história nos conta que após cumprida a Missão na Faixa de Gaza, os integrantes do 4º Contingente retornaram ao Brasil e ao mesmo Quartel 20º BIB em Curitiba, cerca de um ano e meio depois.
Segundo uma narrativa que ouvi, um fato
inusitado marcou o regresso dos nossos heróis do 4º Contingente. Logo após a
chegada, acabaram enfrentado uma nova e atípica missão de emergência que ficou
conhecida como a "Guerra do Pente em CURITIBA". Essa Guerra do Pente nada mais
foi do que uma terrível desavença entre um cidadão comum da nossa capital e um
comerciante que se negava a dar Nota Fiscal ao cliente que comprou um ou dois
pentes e exigia do dono da Loja a fornecer-lhe a tal Nota-Fiscal. O valor era
irrisório e o comerciante negava-se a fornecer Nota Fiscal às pequenas compras.
Este desejo em conseguir Nota Fiscal era porque o cliente-cidadão desejava
concorrer ao Prêmio da campanha - "SUA NOTA FISCAL VALE UM MILHÃO". O
Governo do Estado PR fazia campanha no sentido de forçar os consumidores a
exigir dos comerciantes em Geral Notas Fiscais de cada compra, obrigação normal
diante de toda transação comercial. E assim o Governo esperava conseguir evitar
sonegação fiscal ao mesmo tempo esperava aumentar uma maior arrecadação fiscal.
A Campanha promovida pelo Governo Estadual incentivava a cada brasileiro(a) a
juntar Notas Fiscais, de tal forma que a somatória dos valores atingisse o
patamar que lhe daria o direito de trocar as tais Notas Fiscais, por um Cupom. E
assim concorreria ao sorteio de um prêmio, em dinheiro, no valor de UM MILHÃO(
na época de Cruzeiros).
Na confusão e discussão gerada naquele estabelecimento da Praça Tiradentes em
Curitiba, na busca por maior número de valor em Nota Fiscal, gerou uma discussão
que se transformou em briga generalizada. A confusão aumentou de tal forma que
alguém solicitou a presença policial.
Um Sargento da Polícia tentou resolver e abafar a discussão mas foi enfrentado
pelo "turco" dono da loja, que empurrou o policial, o qual por sua vez caiu na
calçada ou no meio fio(guia) da rua. Com a queda o policial fraturou a perna.
Detalhe !!!...Fratura exposta. O resultado final da confusão foi que comerciante
acabou Brigando e se deu mal.
A confusão generalizou-se de tal forma que houve aglomeração de pessoas cujas
conseqüências se transformaram em tumulto. Várias pessoas começaram a quebrar a
loja do "turco", bem como quebrava e até em alguns casos saqueavam outras demais
lojas da Praça.
Nota: A maioria dos comerciantes, que tinham estabelecimento na Praça Tiradentes
em Curitiba, naquela época, eram descendentes de árabes e assim quase todos os
demais lojistas daquela Praça foram prejudicados pela balbúrdia e pequena ira
momentânea de alguns transeuntes.
Essa certa raiva momentânea teve início, é claro, devido ao fato do comerciante negar-se a fornecer nota fiscal com o agravante de agredir um policial. A população que se aglomerava começou a gritar e acusavam os comerciantes daquela Praça Pública de "ladrões" justamente por não fornecerem a bem-dita Nota-Fiscal para a campanha de arrecadação do Governo estadual. A baderna foi tamanha que houve a necessidade, por solicitação, da intervenção do Exército.
Então o 20º BIB foi chamado a intervir para
resolver o tumulto. Dizem as más línguas que, inclusive, tiveram a presença de
tanques de guerra rodeando a Praça. Acho que há exageros nessa parte. Nisso os
soldados do 4º Contingente, que acabavam de chegar da Missão na Faixa de Gaza, e
portanto, em tese, "especialistas em lidar com tumultos e também com árabes",
foram convocados para incorporar com a tropa do 20º BIB e enfim, enfrentar mais
essa "Guerra". Tumulto abafado, ânimos acalmados a vida retorna ao normal.
Nos dias seguintes já estava tudo consumado e resolvido. Prisões, inquéritos,
depoimentos e prejuízos financeiros para muitos. Vários soldados do 4º
contingente que, nem bem chegavam a Curitiba, tiveram mais esse "batismo" de
empunhar armas para dissipar tumulto e evitar maior quebradeira na Praça
Tiradentes. Com isso atrasaram em alguns dias, a baixa do Exército e o
verdadeiro retorno para suas casas, muitos moravam em outras cidades.
Então essa foi, mais ou menos, a história da "Guerra do Pente" na Praça
Tiradentes em Curitiba - 1959. Não sei dia, nem em que mês aconteceu, mas foi a
história que fiquei sabendo lá no 20º BIB dia 25 de julho último(2008).
Bom, esse assunto é folclórico e tem muito a ver com o pessoal do 4º
Contingente, que afinal, na solenidade no Quartel 20º BIB estavam, em estado de
Graça, comemorando o cinqüentenário¨ de existência. Muitas histórias e
conquistas foram reconhecidas e relembradas.
Meus parabéns aos organizadores do evento, bem como a todos os que pertenceram
ao 4ºContingente. Lá no 20º BIB, para comemorar o cinqüentenário do 4º
Contingente, compareceram vários dos seus ex-integrantes, inclusive alguns
companheiros de Santa Catarina, e até alguns Oficiais que comandaram Pelotões
naquela Missão do 4ºContingente. Mas no evento, também participaram outros
Boinas Azuis do Btl.Suez de outros Contingentes e de várias cidades. Foi uma
Solenidade festiva, fraterna e acolhedora, como sempre acontece.
O evento estava propício aos reencontros entre os vários amigos que pertenceram
ao Btl.Suez e que estavam presentes, e relembrando dos velhos amigos daquela
nossa maior experiência da vida.
Mas voltando a comentar sobre a solenidade do dia 25 de julho(2008) no 20º BIB
gostaria de enfatizar que foi um dia positivo sob todos os aspectos. Olha meu
caro amigo, pena que muitos deixaram de comparecer ao evento, porque foi um dia
muito aprazível e foi gostoso estar partilhando as alegrias e Magias de Suez.
A organização da solenidade conseguiu vestir três soldados com aquelas três fardas que usávamos lá na Missão. A farda de serviço, brim de verde oliva , a Farda Indiana, e a farda de Passeio - com o antigo "bibico". Essa apresentação foi um outro sucesso e que motivou muitas recordações e comentários.
Na minha visão e empolgação, o maior destaque
ficou com aquele soldado com a farda de brim, que carregava dois sacos de
viagem, modelo usado para a bagagem dos soldados do Btl.Suez. Quem não lembra
daqueles dois sacos pendurados nos ombros ao embarcar para a missão, ou no
retorno???? Aquele momento foi importante para as nossas nostalgias.
Então começamos a relembrar das muitas histórias sobre a Missão, sobre a viagem,
lugares que conhecemos, sobre cada uma das Fardas, sobre o Mosquetão, sobre a
utilização dos sacos de viagem, sobre como era a vida no navio (para quem
vomitou a viagem toda foi fácil recordar dos apertos no Navio balançando).
Os prezados da BPVMA( Brigada Paranaense de Viaturas Militares Antigas) mais uma
vez estiveram prestigiando o evento, e
com toda certeza estarão divulgando vídeo e fotos da solenidade. Algumas
fotografias tendo como um dos destaques a mascote da BPVMA. Trata-se de uma
bonita cachorra, muito simpática, da Raça Pastor Alemão.
Um outro momento importante e de muita desconcentração foi a fotografia dos veteranos a maioria dos Boinas Azuis presentes. O cenário foi ficar em frente ao Jipe, modelo usado em Suez e em frente a placa debaixo da Pirâmide no Quartel 20º BIB. A Pirâmide é uma espécie de monumento e ainda protege o jipe em exposição permanente.
Outros companheiros ficaram lá pelo Palanque Oficial e não tiveram a oportunidade da foto que considero a mais importante de todas. E ali, naquele espaço, ficou concentrado essa maioria de Boinas Azuis que estavam na solenidade, e o cenário foi prato cheio, mais uma vez, para os vários fotógrafos. Vários cliques e, é claro, um pouco das nossas algazarras e gozações.
Veja mais sobre a vibração do nosso pessoal
bem como, do que foi parte da solenidade,, acessando o Site da BPVMA, e também
no Site do 20º BIB.
Bem amigo, eram essas as considerações para o dia de hoje. Um grande abraço e
até de repente. - Theodoro.
de Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
data 28/07/2008 11:57
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