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O SR. PRESIDENTE (João Campos) - Neste momento,
assistiremos à apresentação de um vídeo.
(Exibição de vídeo.)l
O SR. PRESIDENTE (João Campos) - Quero registrar a presença de
alguns amigos que prestigiam esta sessão solene: Sr. Lourival Sobrinho
Silvestre; Sr. Waldemar Barbosa de Lima; Sr. José Pascoal Neto; Sr.
Jorge Barbosa de Oliveira; Sr. Luís Paulo; Sr. João Carlos Martins; Sra.
Mônica Angélica Carreira Fragoso; Sr. Alex Laquis Resende, professor
universitário do Departamento de Ciências Contábeis da UnB; Sra. Maria
Celeste da Silva; Sra. Alexandrina Jacinta Borges Villela; Sra. Eliane
Laquiz, assistente, servidora da Secretaria de Educação; Prof. Evaristo
Porto; Sr. Sebastião Silva, Conselheiro do Batalhão Suezno Rio de
Janeiro; Sr. Pantaleão Soares de Barros, Oficial do Exército, reformado;
e Sra. Margarida Gomes, do Ministério da Saúde.
Sejam bem-vindos! É um prazer poder contar com a presença de todos os
senhores e de outras pessoas cujos nomes não tivemos a oportunidade de
registrar.
Quero tecer algumas considerações acerca desta sessão solene. Faço isso
em meu nome pessoal, em nome do meu partido, o PSDB, e, particularmente,
em nome da Câmara dos Deputados.
O Deputado Arlindo Chinaglia, impossibilitado de estar presente nesta
oportunidade, como era o seu desejo, pediu-me que transmitisse a todos
os senhores votos de consideração, de apreço, de muito carinho e
respeito.
Inicialmente, portanto, em meu nome e no da Câmara dos Deputados, dou
boas-vindas aos ilustríssimos convidados que vieram a esta sessão solene
da Câmara dos Deputados em homenagem ao 50º Aniversário do Batalhão
Suez.
Esta é uma homenagem que prestamos aos Soldados da Paz, que, longe do
território nacional, integraram a primeira força de emergência das
Nações Unidas em missão de paz, cujo objetivo da missão foi manter um
corredor separando as forças egípcias das israelenses na Faixa de Gaza e
no deserto do Sinai, no Egito.
A primeira experiência histórica das Forças Armadas brasileiras em
missão de paz da ONU, senhoras e senhores, foi o envio de um Batalhão de
Infantaria, o Batalhão Suez, de aproximadamente 600 homens, ao Egito,
cujos membros se revezavam ao todo em 20 contingentes, renovados 2 vezes
por ano, de tal forma que cada contingente permaneceu, em média, pouco
mais de 12 meses integrando a Força de Emergência das Nações Unidas —
UNEF, organizada com a finalidade de separar forças egípcias e
israelenses.
O Batalhão de Infantaria de Deodoro, Rio de Janeiro, contribuiu, no
período de permanência do Batalhão Suez no Egito, com um efetivo
acumulado de aproximadamente 6.300 homens, durante mais de 10 anos de
missão de paz.
O Brasil exerceu o comando operacional dessa força de emergência de
janeiro a agosto de 1964, ocasião em que as tropas das Nações Unidas
foram comandadas pelo General Carlos Paiva Chaves e, de janeiro de 1965
a janeiro de 1966, sob o comando do General Sizeno Sarmento.
Há meio século, senhoras e senhores, estourou o conflito em torno do
Canal de Suez, no Oriente Médio. Construído pelos franceses e controlado
pela grande potência imperial da época, a Grã-Bretanha, o canal foi
nacionalizado pelo líder egípcio Gamal Abdel Nasser no início de 1956.
Para entendermos a importância do Batalhão Suez naquele momento crítico
da história da civilização, faz-se necessária uma singela incursão na
política internacional após a Segunda Guerra Mundial, ocasião em que a
população mundial acompanhava temerosa as incursões políticas e
militares das 2 potências nucleares de então, os Estados Unidos da
América e a União Soviética, que tinham dividido o mundo entre si em
áreas sob influência delas.
A nacionalização do Canal de Suez por Nasser desagradou os britânicos,
que não aceitaram perder o controle do estratégico canal e, depois de
uma combinada invasão com Israel, os 2 países enviaram tropas e ocuparam
o Deserto do Sinai em ambos os lados do Canal, em 29 de outubro de 1956.
O conflito ameaçava estender-se por todo o Oriente Médio e envolver as
potências militares da época, repito, os Estados Unidos da América e a
União Soviética. No dia 7 de novembro de 1956 as hostilidades cessaram
devido àforte pressão dos Estados Unidos da América e da Organização das
Nações Unidas, a ONU, obrigando as tropas invasoras a se retirarem. Foi
uma derrota política e militar para o governo britânico da época.
O Canal de Suez era e é, atualmente, uma rota comercial marítima de suma
importância para a Europa, os países asiáticos e a África Oriental.
Passavam por suas águas, naquela época, 50% do comércio mundial
marítimo, e o fracasso militar e suas dramáticas conseqüências são
observados até hoje.
As frágeis e conflituosas relações de Israel — desde sua criação, em
1948 — com os países árabes repercutem ainda hoje, como o ocorrido
recentemente, quando o premier britânico Tony Blair teve de
responder no Parlamento Britânico por uma investigação sobre a atuação
do governo da época, dirigido pelo primeiro-ministro trabalhista Sir
Anthony Eden, que renunciou 6 meses após o conflito.
A razão da nacionalização da Companhia do Canal de Suez, segundo
historiadores, foi alçar Gamal Abdel Nasser como um líder forte no
Oriente Médio, que tinha como propósito a união dos países árabes, o
pan-arabismo.
Nasser reivindicava para seu povo o controle total do canal, para
usufruir não só econômica, mas também politicamente, dos navios que ali
passavam. Dessa forma, o Presidente defendia sua decisão de nacionalizar
o canal e acusava a Inglaterra e a França de colonialismo.
Por ironia da história, senhoras e senhores, foi a intervenção americana
quem salvou o Egito, que saiu como vencedor do conflito. Os russos
tinham entrado na Hungria para combater uma rebelião anticomunista e os
Estados Unidos não tinham como condenar esta intervenção e, ao mesmo
tempo, defender a invasão franco-britânica. Naquela época, os Estados
Unidos eram contra o colonialismo europeu, porque queriam ocupar um
papel dominante no mundo. A presença britânica no Oriente Médio impedia
essa influência e causava irritação profunda.
O conflito em Suez foi um marco para a ONU, que passou definitivamente a
influir e a intervir nos conflitos internacionais, visto que na
Assembléia Geral das Nações Unidas, reunida em 7 de novembro de 1956,
tomou a resolução que exigiu a imediata retirada dos 3 exércitos
invasores da região. Em seu lugar, soldados das Nações Unidas ocuparam a
região por 10 anos, para manter a paz local. Nesse período, nosso País,
o Brasil, junto a outros, enviou os soldados conhecidos mundialmente
pelo apelido de Boinas Azuis.
Apesar de ser chamada Guerra de 1956 ou Crise de Suez, tecnicamente ela
termina apenas com a retirada das tropas israelenses da Península do
Sinai, em março de 1957, portanto, há 50 anos.
Como a guerra foi esquecida, também foi esquecido o ultimato soviético
de atacar capitais européias com armas nucleares se não cessassem os
combates.
Por tudo isso, os Boinas Azuis, mesmo após tantos anos, e apesar da
facilidade que temos de esquecer os feitos de nossos heróis, continuam a
merecer o profundo respeito do povo brasileiro e dos amantes da paz de
todo o mundo, pois a intervenção pacífica deles trouxe a distensão
militar na região dos conflitos e a paz prosperou.
Falar sobre o Batalhão Suez é tratar da história de muitos jovens que,
no auge da juventudes, entregaram-se material e espiritualmente; falar
dessa missão é contar as imensas dificuldades por que passaram nossos
soldados em 10 anos de missão no Oriente Médio. Esses bravos soldados
operaram numa das regiões mais hostis do mundo, sob clima absurdo de 50
graus positivos ao dia e 3 graus negativos à noite, tempestades de
areia, idioma e costumes totalmente estranhos, patrulhas noturnas,
campos minados, que submetiam a frangalhos os nervos dos nossos
soldados, e tudo isso sem contar a imensa saudade da família, dos amigos
e da Pátria. Pois foi nesse cenário que cada soldado passava 14 meses
agarrado ao seu fuzil, vivendo o tédio e a solidão do deserto. Tudo isso
os soldados suportavam com valentia e dedicação; a convivência pacífica
entre árabes e judeus é o que fortalecia os propósitos de manutenção da
paz.
Pois nem diante de tantas adversidades houve um só ato de insubordinação
ou de indisciplina que pudesse macular a honra do nosso exército ou do
nosso País. A guerra foi curta, mas cruel, sangrenta e absurda, como de
resto são todas as outras guerras. Essa guerra trouxe na sua essência um
ensinamento. Nós devemos aprender a valorizar uma das coisas mais
importantes da Nação brasileira, quem sabe, sua maior riqueza: quanto
vale essa paz que graças a Deus se eterniza em nossa terra. A paz é um
valor imensurável!
Foi desse valor descoberto que nasceu dentro de cada um de nós
brasileiros um enorme amor por essa mãe terra, um enorme amor por essa
mãe pátria, essa mãe que por vezes vêalguns de seus tratá-la tão
inconseqüentemente, esses filhos que, agarrados às suas mamas, profanam
essa mãe em nome do néctar da soberba e do enriquecimento ilícito.
Já na nova ordem constitucional posterior a outubro de 1988, houve pelo
menos 2 tentativas de proposta de emenda à Constituição no sentido de
conferir aos ex-integrantes da UNEF os mesmos direitos que assistem aos
Pracinhas da FEB e aos seringueiros daquela época.
Em 1995, o Deputado Federal Sérgio Barcellos apresentou PEC que dava
nova redação ao art. 54 do Ato das Disposições Constitucionais
Transitórias (ADCT), igualando os Boinas Azuis aos Soldados da Borracha.
Mais tarde, em 2001, foi a vez do Deputado Federal Simão Sessim propor
alteração do art. 53 do mesmo ADCT, que trata dos ex-combatentes da
guerra mundial. Ambos os projetos estão hoje nos arquivos da Casa,
rejeitados não entendo bem por quê.
Para encerrar, senhoras e senhores, é importante enfatizar que todos
foram voluntários, abraçando a causa da pacificação do mundo, antes de
tudo, por dedicação e por amor ao Brasil e a seu histórico compromisso
de promoção da harmonia entre os povos.
Era o que tinha a dizer. (Palmas.)
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CÂMARA DOS DEPUTADOS - DETAQ
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Com redação final |
| Sessão: 301.1.53.O |
Hora: 16:00 |
Fase: HO |
| Orador: ZEQUINHA MARINHO |
Data: 26/10/2007 |
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