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Matéria publicada - Domingo- 3 junho 2007 no Jornal  O ESTADO DE SÃO PAULO-

Seis dias de guerra, 40 anos de tensão - Israel paga hoje o alto preço pela vitória de 1967
e sua Força de Defesa teve de converter-se em Exército de ocupação.
 
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Christoph Schult, DER SPIEGEL

    Jerusalém - Nesta terça-feira, dia 05 de junho
de 2007, Israel comemora o 40º aniversário do
início da Guerra dos Seis Dias - o conflito que
durou menos de uma semana e mudou o mapa
geopolítico do Oriente Médio.

A vitória de Israel é considerada uma das mais
espetaculares da historiografia militar. Mesmo
lutando com menos soldados e contra quatro
países árabes (Egito, Síria, Jordânia, Iraque)
, Israel conseguiu abocanhar, em apenas 130
horas de combates, a Península do Sinai e a
Faixa de Gaza do Egito; a Cisjordânia e a parte
oriental (árabe) de Jerusalém (administradas
pela Jordânia); e as Colinas de Golan, da
Síria. Quatro décadas depois, porém, Israel
ainda enfrenta problemas nas suas fronteiras,
de tiroteios na Faixa de Gaza a combates no
Líbano. A instabilidade na região comprova que
o triunfo israelense de 1967 mostrou-se uma
falsa vitória .

A tensão daqueles primeiros dias de junho dava
a impressão de que Israel estava à beira da
destruição. O então presidente do Egito, Gamal
Abel Nasser, ameaçou abertamente Israel.
Obrigou as tropas da ONU a deixar o Sinai e
bloqueou os Estreitos de Tiran - acesso de
Israel ao Mar Vermelho. Mas erros internos
cruciais também ajudaram a desestabilizar o
povo israelense. Ao convocar milhares de
reservistas cedo demais, o país viu-se obrigado
a agir.

O fato de o conflito ter-se encerrado em apenas
seis dias trouxe alívio aos israelenses. Mas a
maioria da população não compreendeu as graves
conseqüências da guerra. Profundamente
humilhados, Egito e Síria tentaram vingança em
1973, na Guerra do Yom Kippur. Anos depois,
Egito e a Jordânia firmariam um tratado de paz
com Israel, mas a Síria ainda é um vizinho
imprevisível e, repetidamente, trava uma guerra
indireta contra os judeus por meio do Hezbollah
e do Hamas.

Israel ainda paga, no entanto, o mais alto
preço hoje nos territórios palestinos. O país
que tem nas suas raízes experiências amargas de
2 mil anos de perseguição acabou, de fato,
subjugando outro povo. Um Exército estabelecido
com a finalidade de defesa, de repente, viu-se
no papel de ocupante.

DRAMA DOS REFUGIADOS

Após a guerra, cerca de 1 milhão de árabes
caíram sob o controle israelense, e cerca de
300 mil abandonaram sua terra. Para muitos
palestinos foi o segundo êxodo. Na primeira
guerra entre árabes e israelenses, em 1948, ao
menos 700 mil palestinos deixaram a região. A
maioria fugiu para a Cisjordânia ou para a
Faixa de Gaza. Em 1967, a tragédia se repetiu.
 

  A situação dos refugiados palestinos é vista
como um dos principais obstáculos para paz no
Oriente Médio. Políticos palestinos de todas as
cores exigem o direito à volta de seus
refugiados, mas muitos deles não querem mais
viver em Israel.

Os assentamentos israelenses são outro
obstáculo para a paz. Em 1967, não havia planos
de ocupar a Cisjordânia. Hoje, 270 mil
israelenses vivem em 122 assentamentos na
Cisjordânia. Outros 190 mil se alojaram na
região que circunda Jerusalém e a parte árabe
da cidade.

A tomada maciça de terras não era a intenção
original dos líderes políticos de Israel. Pelo
menos no caso de David Ben-Gurion, o fundador
de Israel, quando ele aceitou a divisão do
território num Estado judaico e árabe, em 1947.
Na opinião dos revisionistas, o Estado judaico
que estava sendo estabelecido deveria ter
começado na Península do Sinai, incluído
grandes partes do Líbano e acabar na
extremidade ao leste do Rio Jordão. Os
assentamentos foram criados praticamente à
revelia das autoridades. O primeiro deles
surgiu em 1970, em Hebron. Quando o Likud,
partido de direita, chegou ao poder, em 1977,
construir assentamentos tornou-se uma diretriz
oficial. Em 1967, cerca de 2,4 milhões de
judeus e 1,2 milhão de árabes viviam na região
entre o Mediterrâneo e a Jordânia, que os
colonos chamam de Eretz Israel ('Grande
Israel'). Como têm uma taxa de natalidade mais
alta, hoje os palestinos quase compensaram a
diferença. Hoje, existem 5 milhões de árabes e
5,3 milhões de judeus vivendo no território sob
controle israelense.

Em Israel - excluídos os territórios ocupados -
há cinco judeus para cada árabe. Para manter
essa proporção levando-se em conta as regiões
ocupadas em 1967, 16 milhões de judeus teriam
de emigrar para Israel. 'Isso é mais do que a
população de judeus no mundo inteiro', diz
Shaul Arieli, de 48 anos, coronel da reserva do
Exército.

Arieli se transformou num especialista no muro
de separação, ou cerca de segurança, que Israel
constrói na Cisjordânia. Com moradores de
vilarejos palestinos que, de repente, se viram
do lado israelense do muro, ele já protocolou
várias ações na Suprema Corte de Israel - e tem
tido sucesso. O traçado do muro planejado
originalmente incluiria 20% da Cisjordânia, mas
graças à Suprema Corte, essa porcentagem caiu
para 8%. Arieli prevê que, no final, apenas uma
pequena porcentagem permanecerá. Então os
palestinos finalmente poderão estabelecer seu
próprio Estado. 'Somente quando isso acontecer
teremos verdadeiramente vencido a guerra de
1967', diz.

Mais informações no site do Estadão

De: "Henrique" <pipa@onda.com.br>
Data:
Tue, 05 Jun 2007 16:00:55 -0200
Assunto:  JORNAL "O ESTADO DE S.PAULO-Seis dias de guerr a, 40 anos de tensão

De: "Theodoro da Silva Junior" <theojr@terra.com.br>
Data: Tue, 05 Jun 2007 12:46:30 -0200
Assunto:  JORNAL "O ESTADO DE S.PAULO-Seis dias de guerr a, 40 anos de tensão


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