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ONU e FIERJ realizam
cerimônia
de lembrança do Holocausto
Com o salão do
Palácio do Itamaraty lotado, a ONU e a FIERJ realizaram um emocionante ato
solene de lembrança do "Dia Internacional de Recordação das Vítimas do
Holocausto". O evento reforçou a importância de transmitir permanentemente
as lições da tragédia, sobretudo através da educação, e expressou o
repúdio a todas as formas de preconceito. A cerimônia foi prestigiada por
sobreviventes do Holocausto e inúmeras autoridades, como secretários de
Estado, parlamentares e dirigentes de entidades das mais variadas
religiões, raças, credos e etnias.
"O Holocausto ultrapassou uma raça,
uma religião, um grupo ou uma
etnia.
Negar o Holocausto é aprovar o massacre, é concordar em sermos
livres
para destruir uns aos outros.
Queremos um mundo mais humano, repudiamos
todo o tipo de discriminação"
Carlos dos Santos, diretor da
Central
de Informações da ONU no Brasil
- "O
Holocausto é um fato histórico sem
paralelo.O expansionismo do regime
nazista
levou à morte mais de 50 milhões de
pessoas. Marcar este dia é a nossa obrigação.
Lembrar para sempre o horror do
Holocausto é nosso dever para com os que
tombaram.E que, a cada ano, possamos ficar
maisatentos para que o racismo, a
intolerância,o preconceito e a xenofobia possam
ser erradicados"
Sergio Niskier,
presidente da FIERJ |
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Autoridades são
enfáticas sobre o Holocausto: repetição, nunca mais !
"Os países precisam
deixar de inflar o
terror e devem passar a ensinar o
amor"
Osias Wurman,
vice-presidente da Conib
"A cicatriz do Holocausto tem que
ser sempre mostrada para nunca mais se repetir. Recebam a minha solidariedade por estes
atos inaceitáveis e absurdos"
Otávio
Leite, vice-prefeito do Rio de Janeiro
"O fato de a ONU ter instituído
este dia,reforça e dá um conteúdo
internacional
ao fato. Negar o Holocausto
significa
executar um segundo crime. Um crime
contra a memória, contra a
dignidade,contra a inteligência"
Carlos Minc,
secretário de Estado
de Meio Ambiente e
representante do
governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral Filho na
solenidade
"A paz se alcança quando podemos
olhar uns nos olhos dos outros e não
ter qualquer tipo de aversão"
Benedita
da Silva, secretária de Estado
de Direitos Humanos e Ação
Social
Relato de um
sobrevivente
Aleksander Laks,
presidente da Associação Brasileira dos Israelitas Sobreviventes da
Perseguição Nazista-RJ (Sherit Hapleitá)
Há
um provérbio que diz que o tempo é o melhor remédio, para curar e fazer
esquecer. Isto pode ser para tudo, menos para o Holocausto. Para nós, os
poucos sobreviventes, a dor é cada vez mais contundente. Em boa hora a ONU
instituiu um "Dia Internacional em Memória às Vitimas do Holocausto". A
data é 27 de janeiro, dia da libertação do campo de extermínio "Auschwitz
– Birkenau", em 1945.
Vale lembrar que, com a libertação deste campo, não parou a chacina. Entre
o dia 27 de janeiro a oito de maio do mesmo ano, foram exterminados
2.000.000, especificamente judeus, inclusive meu pai, que morreram em
outros campos espalhados pela Alemanha e na "Marcha de Morte", na qual eu
também tomei parte. Meu pai foi assassinado a pauladas no campo de
concentração "Flossenburg", no mês de abril. Três meses depois da
libertação de "Auschwitz". Ele tinha 45 anos.
Hoje não vou falar em milhões, mas vou trazer um testemunho sobre uma
criança. Em 1942 o primeiro campo de extermínio na história da humanidade,
"Chelmno", estava em plena atividade. No gueto de "Lodz", onde estive
preso aos 12 anos, foi decretado um toque de recolher para que as pessoas
fossem arrancadas de casa e deportadas. Nós não sabíamos da existência
desta fábrica de morte. Diziam que as pessoas estavam sendo levadas pra
trabalhar na lavoura.
"Nunca
esquecer, nunca perdoar, nunca mais!!!!"
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Mesmo assim, muitos entraram em esconderijos. No nosso, estava um casal
com uma criança de 5 a 6 meses. Quando os carrascos nazistas chegaram, a
criança começou a chorar.
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Sabíamos que era o
nosso fim. Se fôssemos descobertos seriamos fuzilados. No desespero, as
pessoas jogaram cobertores, edredons, travesseiros e tudo que estava à mão
em cima da criança, para abafar o choro. O choro cessou. Ficamos sem nos
mexer. Quem estava em pé não sentava, quem estava sentado não levantava.
Quanto tempo esta agonia durou, não sei. Cada segundo parecia 10 anos.
Quando os nazistas foram embora e os trapos foram tirados de cima da
criança... ela estava morta.
Isto foi visto por uma criança de 13 anos. Eu vi uma criancinha ser
asfixiada, porque chorava. Todos temos direito à vida. Esta criança não
teve este direito, porque era uma criança judia e chorava. Naquele dia,
não fomos descobertos, nem fuzilados. Mas perdemos três pessoas. Os pais,
perderam o gosto de viver e se entregaram aos alemães.
Por isto vou repetir, em boa hora estamos aqui, para lembrar todas as
vítimas do Holocausto, na data de 27 de janeiro, instituída pela ONU. Toda
vida é uma vida. Na qualidade de um dos poucos sobreviventes do Holocausto
e presidente da Sherit Hapleitá, com lágrimas nos olhos e coração
quebrado, presto homenagem a todas as vítimas. Que este grito soe como
trovão retumbante, em todos os cantos do mundo: Sempre lembrar. Nunca
esquecer, nunca perdoar, nunca mais!!!!
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