Disse o Cel. PM Isaias de Melo Mascarenhas Neto no
discurso proferido durante o 1º Encontro da Paz, abordando uma visão histórica
da violência:
“Sem hipocrisia, a violência sempre existiu e não acabará
jamais; o que nós temos são pessoas que buscam a paz por convicção e tentam
mecanismos de controle para que ela se mantenha em níveis toleráveis, se é
que se pode tolerar a violência”.
Vivenciando
o crescimento da violência nos dias atuais em todo o mundo e, particularmente,
em nosso país, lembramo-nos que a violência é o oposto da paz, e sentimonos
moralmente obrigados a retomar a luta em defesa da almejada meta que,
infelizmente, permanece no terreno das utopias. Não faz sentido nos empenharmos
com entusiasmo em defesa da paz no exterior, voltarmos para casa, e
envelhecermos impassíveis diante da violência inusitada nas nossas cidades,
envolvendo nossos vizinhos, nossos amigos, nossos irmãos, nossos filhos.
Assistimos
diariamente a derrocada dos freios morais e religiosos, da consciência cívica
de nossos jovens, provocadas pelo uso irresponsável dos meios de comunicação
de massa, com ênfase a televisão, devido a imenso poder de penetração junto
as camadas mais incultas da população, que são tratadas pela mídia como se
fossem capazes de entender as causas das mudanças do comportamento social,
analisa-las, critica-las e não assumir de pronto, atitudes impensadas que,
fatalmente trazem conseqüências demolidoras ao conjunto da sociedade, a médios
e longos prazos.
Filmes
que humoristicamente, ensinam aos nossos adolescentes que o mundo é um grande
bacanal, onde o uso indiscriminado de drogas pesadas é apenas uma brincadeira
inconseqüente que a todos diverte sem deixar qualquer seqüela, é exibido até
na “Sessão da Tarde!”.
Este
mesmo meio de comunicação de massa, construí-se talvez na mais poderosa arma
de transformação do comportamento de qualquer grupo social. Na televisão
brasileira encontramos profissionais de altíssima qualidade nas áreas de
comunicação social e publicidade, com profundo conhecimento de psicologia de
massa, sendo alguns verdadeiramente geniais; concluímos daí, que essa poderosa
arma de comunicação, se utilizada de forma adequada, conseguiria por certo,
resultados verdadeiramente milagrosos na solução das causas maiores de violência
urbana ou generalizada.
Como
vimos, incentivamos nossos jovens a um comportamento sexual libertino através
de exemplos diários em revistas pornográficas, musicas, letras que induzem a
promiscuidade sexual, de serviços telefônicos obscenos que excitam o libido
de tolerância do uso de álcool e de drogas. Quando esses jovens começam a
praticar esse aprendizado teórico, prendemo-los sob a acusação de atentado ao
pudor, sedução, assédio sexual, etc.
Uma
incoerência inaceitável!!!
Dirão
os democratas assustados: - Querem restaurar a censura? Sim, queremos restaurar
a censura! Somos também democratas convictos! Entendemos, contudo que
democracia não significa necessariamente permissividade, irresponsabilidade,
baderna, tolerância com atitudes deletérias que corrompem e matam nossos
filhos, seja por “overdose, assalto, bala perdida ou acidente de trânsito”.
Não
queremos a outorga de nenhum censor autocrático “dono da verdade”; já
vivemos essa experiência no passado e sabemos do cerceamento da liberdade de
expressão inaceitável que tivemos que suportar. Contudo, como agir? Como
utilizar sabiamente os meios de comunicação, expurgando deles o mau uso, feito
por pessoas de boa ou má fé, sem, contudo, impedir as livres manifestação e
criatividade artística.
Não
temos todas as soluções, porém pensamos ser de bom censo, que essa censura,
hoje comprovadamente necessária, poderia ser feita por um colegiado composto de
profissionais das áreas de Pedagogia, Sociologia, Psicologia, Comunicação,
Direito e etc, onde as sanções ou vetos, sugestões e solicitações, seriam
decididos sempre pelo voto, evitando-se, desta forma, que prevaleça a ótica de
uma só pessoa.
Achamos
de bom alvitre que, outros eventos como o 1º Encontro da Paz propiciem uma
ampla discussão da questão que ora colocamos, com o fim de conseguirmos
consenso em torno de propostas a serem encaminhadas às autoridades competentes,
visando reverter o quadro de violência em que hoje vivemos.
Que
nos perdoem nossos eventuais críticos, porem não se pode esperar que
verdadeiros “Soldados da Paz” ressonem preguiçosamente na ociosidade,
enquanto não vêem medidas eficazes que restaurem a tranqüilidade de nosso
povo sofrido, devolvendo-nos a “PAZ” interna, de a muito perdida.
Muito
se tem de caminhar nesse sentido; sabemos ser esse apenas um primeiro passo, porém
a mais longa das caminhadas inicia-se assim.
A
voz de um cidadão comum é muito frágil; por mais alto que grite, apenas é
ouvido pelas poucas pessoas em redor, pois não tem a amplificação da mídia.
Resta-lhe o único recurso de associar-se a outros para que toda a voz em uníssono
possa ser melhor ouvida. Dessa forma, o cidadão Cid Pinto Pacheco, sócio
Simpatizante (Rio de Janeiro), aflito em fazer algo com relação ao acima
exposto, nos procurou, relatou seus temores e nos sugeriu uma matéria a
respeito.
Em
atenção ao solicitado, estamos lançando o nosso grito que somado a outros,
certamente serão melhor ouvidos.
Dacílio
de Abreu Magalhães
O Boina Azul nº13 Ago/set/97 pág. 03