“SE QUEREMOS PROGREDIR, NÃO DEVEMOS REPETIR A HISTÓRIA,
 MAS FAZER UMA HISTÓRIA NOVA “
Mahatma Gandhi

         

            Disse o Cel. PM Isaias de Melo Mascarenhas Neto no discurso proferido durante o 1º Encontro da Paz, abordando uma visão histórica da violência:

         “Sem hipocrisia, a violência sempre existiu e não acabará jamais; o que nós temos são pessoas que buscam a paz por convicção e tentam mecanismos de controle para que ela se mantenha em níveis toleráveis, se é que se pode tolerar a violência”.

        Vivenciando o crescimento da violência nos dias atuais em todo o mundo e, particularmente, em nosso país, lembramo-nos que a violência é o oposto da paz, e sentimo­nos moralmente obrigados a retomar a luta em defesa da almejada meta que, infelizmente, permanece no terreno das utopias. Não faz sentido nos empenharmos com entusiasmo em defesa da paz no exterior, voltarmos para casa, e envelhecermos impassíveis diante da violência inusitada nas nossas cidades, envolvendo nossos vizinhos, nossos amigos, nossos irmãos, nossos filhos.

        Assistimos diariamente a derrocada dos freios morais e religiosos, da consciência cívica de nossos jovens, provocadas pelo uso irresponsável dos meios de comunicação de massa, com ênfase a televisão, devido a imenso poder de penetração junto as camadas mais incultas da população, que são tratadas pela mídia como se fossem capa­zes de entender as causas das mudanças do comportamento social, analisa-las, critica-las e não assumir de pronto, atitudes impensadas que, fatalmente trazem conseqüências demolidoras ao conjunto da sociedade, a médios e longos prazos.

        Filmes que humoristicamente, ensinam aos nossos adolescentes que o mundo é um grande bacanal, onde o uso indiscriminado de drogas pesadas é apenas uma brincadeira inconseqüente que a todos diverte sem deixar qualquer seqüela, é exibido até na “Sessão da Tarde!”.

        Este mesmo meio de comunicação de massa, construí-se talvez na mais poderosa arma de transformação do comportamento de qualquer grupo social. Na televisão brasileira encontramos profissionais de altíssima qualidade nas áreas de comunicação social e publicidade, com profundo conhecimento de psicologia de massa, sendo alguns verdadeiramente geniais; concluímos daí, que essa poderosa arma de comunicação, se utilizada de forma adequada, conseguiria por certo, resultados verdadeiramente milagrosos na solução das causas maiores de violência urbana ou generalizada.

        Como vimos, incentivamos nossos jovens a um comportamento sexual libertino através de exemplos diários em revistas pornográficas, musicas, letras que induzem a promiscuidade sexual, de serviços telefônicos obscenos que ex­citam o libido de tolerância do uso de álcool e de drogas. Quando esses jovens começam a praticar esse aprendizado teórico, prendemo-los sob a acusação de atentado ao pudor, sedução, assédio sexual, etc.

        Uma incoerência inaceitável!!!

        Dirão os democratas assustados: - Querem restaurar a censura? Sim, queremos restaurar a censura! Somos também democratas convictos! Entendemos, contudo que democracia não significa necessariamente permissividade, irresponsabilidade, baderna, tolerância com atitudes deletérias que corrompem e matam nossos filhos, seja por “overdose, assalto, bala perdida ou acidente de trânsito”.

        Não queremos a outorga de nenhum censor autocrático “dono da verdade”; já vivemos essa experiência no passado e sabemos do cerceamento da liberdade de expressão inaceitável que tivemos que suportar. Contudo, como agir? Como utilizar sabiamente os meios de comunicação, expurgando deles o mau uso, feito por pessoas de boa ou má fé, sem, contudo, impedir as livres manifestação e criatividade artística.

        Não temos todas as soluções, porém pensamos ser de bom censo, que essa censura, hoje comprovadamente necessária, poderia ser feita por um colegiado composto de profissionais das áreas de Pedagogia, Sociologia, Psicologia, Comunicação, Direito e etc, onde as sanções ou vetos, sugestões e solicitações, seriam decididos sempre pelo voto, evitando-se, desta forma, que prevaleça a ótica de uma só pessoa.

        Achamos de bom alvitre que, outros eventos como o 1º Encontro da Paz propiciem uma ampla discussão da questão que ora colocamos, com o fim de conseguirmos consenso em torno de propostas a serem encaminhadas às autoridades competentes, visando reverter o quadro de violência em que hoje vivemos.

        Que nos perdoem nossos eventuais críticos, porem não se pode esperar que verdadeiros “Soldados da Paz” ressonem preguiçosamente na ociosidade, enquanto não vêem medidas eficazes que restaurem a tranqüilidade de nosso povo sofrido, devolvendo-nos a “PAZ” interna, de a muito perdida.

        Muito se tem de caminhar nesse sentido; sabemos ser esse apenas um primeiro passo, porém a mais longa das caminha­das inicia-se assim.

         A voz de um cidadão comum é muito frágil; por mais alto que grite, apenas é ouvido pelas poucas pessoas em redor, pois não tem a amplificação da mídia. Resta-lhe o único recurso de associar-se a outros para que toda a voz em uníssono possa ser melhor ouvida. Dessa forma, o cidadão Cid Pinto Pacheco, sócio Simpatizante (Rio de Janeiro), aflito em fazer algo com relação ao acima exposto, nos procurou, relatou seus temores e nos sugeriu uma matéria a respeito.

        Em atenção ao solicitado, estamos lançando o nosso grito que somado a outros, certamente serão melhor ouvidos.

 

Dacílio de Abreu Magalhães

O Boina Azul nº13 Ago/set/97 pág. 03  


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