9 DE JULHO
REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932

Por Dacilio de Abreu Magalhães


        Esse foi o movimento iniciado pelos Paulistas e apoiado parcialmente pelo sul do país e ia de encontro ao regime totalitário de Getúlio Vargas e visava acima de tudo à preservação da Constituição Federal. Iniciado pacificamente teve como estopim a morte dos estudantes Martins, Miragaia, Drausio e Camargo (MMDC) quando se deflagrou a ação armada que durou três meses e se concentrou no Vale do Paraíba, mais precisamente na cidade de Cruzeiro, ponto estratégico para reprimir a represália federal que vinha do Rio de Janeiro pela antiga rodovia Rio São Paulo, hoje denominada Rodovia Presidente Dutra. 

        Por ter sido um movimento basicamente paulista, foi erguido no Parque do Ibirapuera um Obelisco, onde em seu interior estão depositados os restos mortais desses heróis e onde, nos dias 9 de julho são prestadas as homenagens cívico militares com desfiles de ex-combatentes da Revolução Constitucionalistas de 32, de tropas do Exército, da Polícia Militar do Estado de São Paulo, de entidades de ensino e de Organizações Não Governamentais envolvidas. 

        Desde a fundação da Associação Brasileira dos Integrantes do Batalhão Suez / SP em 1985 até o ano 2.000, os ex-integrantes dessa força de paz faziam parte dos desfiles de 9 de julho e eram enaltecidas e aplaudidas pelo Governador do Estado e pelas autoridades presentes. O locutor do evento, com matéria por nós elaborada, fazia ver aos presentes que os desfilantes, Boinas Azuis, era uma tropa de elite que durante 10 anos souberam manter a paz numa conturbada região compreendida entre Egito e Israel e com esse trabalho colocaram o Brasil numa posição privilegiada junto a Comunidade Internacional. 

        Que pena que o espírito cívico dos paulistas integrantes do Batalhão Suez, não exista mais e que aos poucos os seus corações tenham ficado petrificado, a ponto de não deixar entrar as emoções geradas pela recordação da participação na mais longa e a mais importante missão de paz de todos os tempos. 

        Que pena que não sigamos os exemplos dos heróis de 32 que com seus 70 anos de idade ou mais, vão para a avenida com seus capacetes diferenciados e suas medalhas, mostrar aos presentes a importância da sua luta pelo restabelecimento da democracia no país.

·        Que saudades que eu tenho do Rodney Agostinho, do Nelson Veiga, do Romeu Giovanoni, do Antonio Marques de Godoy e do José Antonio Hora Santos; 

·        Que saudades que tenho da reunião no Comando Militar do Sudeste quando em dezembro de 1988 reunimos colegas de todos os estados e com o apoio do Gen. Ex Jonas de Moraes Correia Neto podemos oferecer o diploma alusivo ao Premio Nobel da Paz, outorgado às Forças de Paz das Nações Unidas em 28 de setembro de 1988; 

·        Que saudades que tenho da festa dos 30 anos da partida do 14° Contingente, levada a efeito no antigo 4° RI em Osasco, quando pela primeira vez na história do Brasil soldados receberam uma salva de 10 tiros de canhão 90 mm; 

·        Que saudades que eu tenho da participação da ABIBS/SP no contato de todos os quartéis da 2ª. Região quando éramos convidados a participar do calendário cívico-militar daquelas unidades militares; 

·        Que saudades que tenho dos ônibus fretados que nos levava aos eventos do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, de Caçapava, de Curitiba e de Porto Alegre;

·        Que saudades do espírito associativo que reunia colegas e familiares num bate papo descontraído nas sedes da Associação, onde o assunto central era o Campo Brasil, Caniunes, Gaza, El Arish, Port Said, Cairo, Jerusalém, Beiruth e outras cidades do Oriente Médio, sempre regada com uma loirinha gelada para os barbados e refrigerantes para as mulheres e crianças; 

·        E finalmente que saudade do espírito fraternal de alguns companheiros que sabendo da importância de cada um de nós na missão Suez, não deixou que Evandro, nosso colega do 1° Contingente fosse sepultado como indigente; deram-lhe um enterro com honras militares, com toque de Silêncio executado por um Corneteiro do Batalhão de Guardas e conduzido por seis Soldados daquela Corporação Militar.

        Minha vontade era poder gritar em uníssono para todo o Brasil, conclamando os colegas de luta para virem a São Paulo desfilar perante o Governador do Estado o Exmo Sr. Geraldo Alckmin e mostrar que os integrantes do Batalhão Suez, independente do Contingente e do Estado em que residam estariam dispostos a prestigiar os heróis de 32, cujos feitos refletem hoje num país democrático e mostrar a todos os jovens, como é importante ser voluntário em prol de uma causa pela nossa querida pátria, pelo nosso querido Brasil.

        Desculpem...Eu ainda choro quando toca o Hino Nacional e coloco a mão no lado esquerdo do peito quando ouço a sua execução.

        Desculpem...Eu só quero que nossos filhos e netos se orgulhem de todos nós.

        Essa matéria eu gostaria que fosse publicada no site da Associação e divulgada para todos os colegas, sendo de minha inteira responsabilidade o seu conteúdo.

Dacilio de Abreu Magalhães

3° Contingente

 


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