Caros
colegas de luta
Esse documento eu peguei para publicá-lo no Boletim informativo da ABIBS/SP(1988) considerando a forma emocionante como foi escrito e a finalidade que era um adeus a um grande colega de luta, um dos pioneiros da mais longa, da mais importante e porque não dizer, da mais emocionante das Operações de paz da Organização das Nações Unidas.
Não me lembro quem escreveu e que falou no momento do sepultamento do Evandro,
Soldado do 1º Contingente; como também, pelo tempo decorrido e por não ter
convivido com ele no 1º Contingente, não me lembro dos seus sobrenomes e por
isso peço desculpas a quem vier a ler essa manifestação carinhosa para com um
colega tão querido e tão participante.
Eu guardei essas palavras com muito carinho por se tratar de você, meu querido
colega, mas também porque você nos deixou no dia do meu aniversário; 01 de
novembro de 1988, 33 dias após ser considerado pelo Comitê Nobel do Parlamento
Norueguês como um “Prêmio Nobel da Paz”
Cabe lembrar que, até então, o Evandro foi o único colega a ser sepultado com
honras militares; com toque de silêncio e com o seu caixão conduzido por
militares do Batalhão de Guardas de São Paulo e essas providências se devem
ao então Presidente da ABIBS, Sr Romeu Giovanoni, com a colaboração do 1º
Presidente da Associação Sr. Rodney Agostinho. Não parou ai: Considerando a
crítica situação financeira em que vivia com sua família, não deixamos que
fosse sepultado como indigente; a Associação arrecadou alguns donativos e com
a importância arrecadada, compramos o caixão e providenciamos com um colega
comerciante, bem sucedido, a colocação de sua esposa como atendente de uma
loja da rua 25 de março, em São Paulo.
Eis o texto:
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Amigos,
sabendo que a emoção me trairia nesse momento, escrevi essas poucas
palavras. Assim, faz-se necessário considerar três irreparáveis perdas: -Para
a família, um filho carinhoso, um marido exemplar, um irmão e tio
dedicado; -Para
a Associação, um amigo no melhor sentido da palavra, um antigão; -Para
o Brasil, um Soldado da Paz, um Prêmio Nobel da Paz 1988. Em
seus últimos momentos quis ele ouvir as palavras do Apóstolo João,
contidas no Capítulo 3, Versículo 16. “De tal modo Deus amou o mundo
que lhe deu seu filho único, para que todos aqueles que nele crer, não
pereça, mas tenha a vida eterna”. Você
querido Evandro terá vida eterna porque creu sempre e amou até o último
suspiro. Descanse
em paz caro amigo, aguarde-nos, pois em breve estaremos contigo
novamente.” Adeus
Antigão São Paulo, 01 de novembro de 1988
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Leitura na cabeceira do túmulo do Evandro, no momento de seu sepultamento.