HÁ 40
ANOS DA GUERRA DOS 6 DIAS
- Uma humilhante derrota das
burguesias árabes.
Há quarenta anos, mais precisamente em 5 de junho de 1967, teve início a
Guerra dos Seis Dias, também conhecida como a Guerra Árabe-Israelense de 1967.
O conflito iniciado por Israel contra os estados árabes vizinhos (Egito, Síria
e Jordânia) contou com o apoio logístico e com preciosas informações dos
serviços de espionagem dos EUA e resultou em uma das maiores derrotas
militares dos povos árabes frente ao enclave sionista.
O crescimento do nacionalismo árabe no início da década de 60 levou a criação
da Organização para a Libertação da Palestina - OLP, em 1964, defendendo a
criação de um Estado palestino e a destruição de Israel, contando com o apoio
de países árabes como a Síria e o Egito que, frente às ameaças de ataque
israelense, constituíram uma aliança de defesa militar, na qual ingressou a
Jordânia, em 30 de maio de 1967, formando a Aliança Árabe comandada pelo
general egípcio, Abdul Munim Riad. Pouco depois, outros países árabes como o
Iraque, o Kuwait e o Sudão se uniram à Aliança Árabe, mobilizando suas tropas
para o combate iminente.
A resposta do enclave sionista contra a luta dos palestinos e árabes pela
destruição desse posto avançado do imperialismo no Oriente Médio foi a
mobilização de sua poderosa máquina de guerra para submeter os países árabes e
eliminar a OLP. Já em abril de 1967, Israel começou a pôr seu plano em ação
com a derrubada de seis aviões Mig da Síria por caças israelenses que voaram
baixo sobre Damasco. Mas as provocações sionistas na Síria tinham como
objetivo desfocar a atenção do verdadeiro alvo central de seu plano de ataque
que visava à destruição da força aérea do Egito, tecnologicamente a mais
avançada entre todos os países árabes, com mais de 450 aviões de combate de
fabricação soviética.
As informações que a União Soviética, através do seu serviço secreto, passou
ao governo sírio, reforçando a idéia de que o exército de Israel preparava uma
grande ofensiva contra a Síria, também colaboraram para confundir os países
árabes. Como medida preventiva diante da ameaça sionista, o Egito pediu, em 18
de maio de 1967, a retirada das tropas da ONU estacionadas na sua fronteira
com Israel desde o fim da Guerra de Suez (1957). Com a saída das forças
imperialistas da ONU, as tropas egípcias assumiram o controle da região. Logo
em seguida o governo egípcio, chefiado por Nasser, decidiu bloquear a passagem
de barcos israelenses pelo Estreito de Tiran, um ponto estratégico formado
pela Península do Sinai e pela Península Arábica, porta de saída do porto
israelense de Eilat.
O governo sionista exigiu a imediata abertura do Estreito de Tiran, passando a
utilizar esse fato para justificar seu ataque contra o Egito. Para acertar os
detalhes do seu plano de guerra, o Ministro do Exterior de Israel, Abba Eban,
se encontrou com o presidente norte-americano, Lyndon Johnson. Os Estados
Unidos, mais uma vez, tiveram um papel decisivo para a vitória esmagadora das
forças sionistas sobre os países árabes, criando uma cortina de fumaça com as
chamadas negociações para uma saída diplomática. Dessa forma, conseguiram uma
garantia do Egito de que não atacaria Israel sem que antes fosse atacado.
Enquanto o governo Nasser caia no jogo do imperialismo ianque, agendando para
o dia 6 de junho uma visita do representante egípcio, Zakaria Mohieddin, aos
Estados Unidos, com o objetivo de fechar um acordo diplomático auspiciado pelo
presidente Johnson, o governo de Israel, através de Moshe Dayan, que assumira
Ministro de Defesa de Israel, em 1º de Junho, informava aos Estados Unidos que
estavam prontos para desencadear a guerra.
No início da manhã de 5 de junho, a Força Aérea de Israel, utilizando
praticamente toda a sua frota (193 do total de 197 aviões), sob comando do
General Mordechai, lançou um massivo ataque aéreo, destruindo em poucas horas
todas as 18 bases aéreas do Egito e eliminando ainda em solo quase todos os
seus aviões de combate.
A ofensiva aérea sionista, batizada de "Operação Focus", foi realizada em três
sucessivas incursões, com os caças israelenses retornando rapidamente às suas
bases para reabastecimento de combustível e armamento e atacando novamente em
apenas sete minutos. Os ataques se prolongaram por todo o dia e tiveram como
alvo, além do Egito, bases jordanianas e sírias, eliminando 45 de seus 142
aviões. No final do dia, mais de 450 aviões desses três países haviam sido
destruídos e as forças sionistas haviam conquistado a superioridade aérea
sobre as Colinas de Golan, a Cisjordânia e todo o deserto do Sinai, as
principais áreas sob controle dos países árabes, com a perda de apenas 19
aeronaves.
Paralelamente à ofensiva da Força Aérea israelense, o Exército sionista
realizaria operações por terra, a denominada Operação Lençol Vermelho. Na
Faixa de Gaza e na Península do Sinai os primeiros ataques terrestres foram
planejados para coincidir com o início dos ataques aéreos, provocando confusão
nas defesas egípcias.
Mas para garantir o sucesso dessa operação, os sionistas tiveram antes que
superar um grande obstáculo, as forças da Jordânia, que embora muito mais
fracas do que as do Egito, estavam bem posicionadas entre a Cisjordânia e o
Vale do Jordão, de onde atacavam Jerusalém e Tel Aviv com morteiros e
artilharia desde às 11:00 do dia 5 de Junho. O pouco que havia sobrado da
Força Aérea da Jordânia atacou campos aéreos de Israel.
Em 6 de junho, os israelenses lançaram suas forças terrestres contra a
Jordânia, avançando com o apoio de ataques aéreos cruzaram a região até
Ramallah. Ao norte, capturaram a Samaria e Jenin. Em 7 de junho, seguiram para
o sul capturando a Judéia, Gush Etzion e Hebron, seguindo o curso do Rio
Jordão.
Os combates por Jerusalém, entre 5 e 7 de junho, merecem destaque. Nessa
frente de luta, as forças israelenses, entre elas a 55ª Brigada Pára-quedista,
enfrentaram uma batalha encarniçada, de rua em rua, contra os membros da
Aliança Árabe e seus blindados, num confronto de 57 horas, após o qual Israel
dominou e anexou todo o lado ocidental de Jerusalém. Nessa batalha os
jordanianos infligiram aos israelenses suas mais pesadas baixas durante a
guerra, com 550 mortos e 2.500 feridos.
Somente após o cessar-fogo patrocinado pela ONU foi que um grande contingente
das tropas e tanques israelenses pôde ser deslocado para reforçar os combates
contra as forças do Egito no Deserto do Sinai.
Seguindo o modelo clássico da guerra-relâmpago, os israelenses sabiam que era
essencial obter uma vitória rápida. Sem encontrar resistência, a divisão norte
comandada pelo General Israel Tal, avançou rapidamente sobre a Faixa de Gaza.
Porém, na região do Sinai o Exército egípcio possuía sete divisões e cerca de
950 carros de combate em posições defensivas, enquanto a investida terrestre
do Exército israelense, contava com 680 tanques distribuídos em 3 divisões,
tropas de pára-quedistas e de infantaria.
Nos três primeiros dias de combate nessa região os avanços israelenses foram
relativos. Em 5 de junho, a 7ª Brigada Blindada e os pára-quedistas capturaram
as cidades de Rafia e Khan Yunis. Mais ao sul, no entroncamento rodoviário de
Bir Lahfan, os israelenses emboscaram uma coluna de T-55 e uma brigada de
infantaria mecanizada, destruindo 14 tanques e diversos caminhões de
provisões. O domínio aéreo dava grande vantagem às forças de Israel. No
deserto, os blindados de Ariel Sharon capturaram a fortaleza de Abu Aweigila,
após intensos bombardeios e a ajuda de um batalhão de pára-quedistas
desembarcados de helicóptero dentro do forte. Em 6 de junho, o desânimo das
tropas israelenses reduziu o nível das operações em terra. No dia seguinte, os
combates no desfiladeiro de Mitla, deixaram destruídos no local 157 carros de
combate egípcios.
A partir de 8 de Junho, depois de controlada a situação em Jerusalém, os
sionistas concentraram todas as suas forças contra as linhas egípcias no
Deserto do Sinai, sob o comando do General Ariel Sharon. Neste mesmo dia,
ainda no desfiladeiro de Mitla, os israelenses emboscaram a 3ª Divisão Inf., a
6ª Divisão Mecanizada e parte da 4ª Divisão Blindada do Exército egípcio,
destruindo 60 tanques, 100 canhões e 300 veículos. Um grupo de combate foi
enviado ao sul da península do Sinai para reabrir o estreito de Tiran, com o
apoio de uma força de pára-quedistas, mas não houve combate porque a guarnição
egípcia havia batido em retirada.
No final do dia 8 de Junho os israelenses controlavam toda a Península do
Sinai e as forças egípcias haviam recuado até o Canal de Suez. Apesar de
grande parte das unidades egípcias estarem intactas e em condições de evitar
que Israel se aproximasse do Canal de Suez, o Ministro de Defesa do Egito,
Abdel Hakim Amer, ordenou que todas as tropas do Sinai deixassem o campo de
batalha, o que significou a derrota terrestre do país em poucos dias.
Com o Sinai sob controle, Israel iniciou seu assalto às posições sírias nas
Colinas de Golan, em 9 de Junho. Nessa região as tropas da Síria, que também
perdera sua Força Aérea no início da guerra, tinham a vantagem de estarem bem
entrincheiradas, numa área de terreno acidentado. Entretanto, os constantes
ataques aéreos de Israel sobre as posições sírias em Golan, destruíram a
artilharia síria que atacava as vilas israelenses do Vale do Hula. Fustigadas
por ataques aéreos, as tropas sírias foram obrigadas a recuar e as forças de
Israel tomaram todo o território.
A luta se desenvolveu na área de Tel Azzaziat e Tel Faher, ao norte, apinhadas
de casamatas, trincheiras, campos minados e ninhos de metralhadoras, onde
estas posições foram dominadas depois de combates intensos. Ao sul, um ataque
de infantaria através do rio Jordão tomou as elevações perto de Bnot Yaaqov e
os pára-quedistas lançados de helicóptero conquistaram Butmiye. Com a
conquista de Quneitra, a meio caminho de Damasco, os israelenses obrigaram a
Síria a pedir ajuda da União Soviética e da ONU por um cessar-fogo.
Como resultado da guerra, aumentou extraordinariamente o número de refugiados
palestinos na Jordânia e no Egito e o enclave sionista consolidou sua posição,
garantindo sua existência até hoje. A derrota dos países da Aliança Árabe,
cujas forças eram muito superiores às do Estado Judeu, revela a incapacidade
das burguesias nacionais árabes de encabeçarem uma verdadeira unidade dos
povos oprimidos do Oriente Médio para derrotar o imperialismo e seu enclave na
região.
Dessa forma, ainda está por ser travada a luta decisiva das massas árabes e
palestinas pela destruição da máquina de guerra e de opressão sionista, o que
só poderá ser realizado através do método da revolução proletária e da
construção de uma Federação das Repúblicas Socialistas Soviéticas de todos os
povos da região do Oriente Médio, sob a direção de um autêntico partido
marxista revolucionário.
de Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
data 19/12/2007 17:33
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