O ESTADO DE ISRAEL
Um breve Histórico sobre O Estado de Israel
O Estado de Israel foi proclamado no dia 14 de maio de 1948, de acordo com o plano de partilha da ONU de 1947. Menos de 24 horas depois, os exércitos regulares do Egito, Jordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram o país, forçando Israel a defender a soberania que acabara de reconquistar em sua pátria ancestral.
Nesta luta - conhecida como a Guerra de Independência de Israel - as recém-formadas Forças de Defesa de Israel (FDI), pobremente equipadas, rechaçaram os invasores em lutas ferozes e intermitentes, que se prolongaram por 15 meses, e custaram a vida de 6.000 israelenses (quase 1% da população judaica no país na época).
No transcurso dos primeiros meses de 1949, realizaram-se negociações diretas, sob os auspícios da ONU, entre Israel e cada um dos países invasores (exceto o Iraque, que se recusou a negociar com Israel até hoje); o resultado foi a assinatura de acordos de armistício, que refletiam as posições no final dos combates. Em conseqüência, a planície costeira, a Galiléia e todo o Neguev ficaram sob soberania israelense, a Judéia e a Samaria (a Margem Ocidental) ficaram sob o domínio da Jordânia e a Faixa de Gaza, sob administração egípcia; a cidade de Jerusalém ficou dividida, cabendo à Jordânia o controle da parte oriental, inclusive a Cidade Velha, e a Israel, o setor ocidental da cidade.
Sob Ocupação Jordaniana
A Cidade Velha de Jerusalém foi ilegalmente anexada à Jordânia em 1950, após ter sido ocupada pela Legião da Jordânia, em 28 de maio de 1948 – uma anexação reconhecida apenas pela Grã Bretanha e pelo Paquistão. As duas partes da cidade foram divididas com arame farpado e campos minados, enquanto os soldados jordanianos atiravam a esmo nos cidadãos israelenses do alto das antigas muralhas sagradas. Todos os israelenses – judeus, muçulmanos e cristãos – tiveram sua entrada proibida na Cidade Velha, em flagrante violação do Acordo de Armistício entre Israel e Jordânia, assinado em março de 1949. Os turistas estrangeiros em visita a Jerusalém geralmente tinham que apresentar a certidão de batismo. Durante todos esses anos, todos os vestígios da presença judaica na cidade foram sistematicamente abolidos. Construiu-se uma estrada que cortava o antigo cemitério judaico no Monte das Oliveiras, usando-se suas lápides para pavimentar os pisos nos acampamentos militares e nas latrinas. Cinqüenta e oito sinagogas, incluindo a Sinagoga Hurva, de 700 anos de construída, na Cidade Velha, foram praticamente violadas e destruídas. Negou-se o acesso aos judeus a seus lugares sagrados, especialmente ao Muro das Lamentações. E os israelenses muçulmanos também se viram impedidos de ter acesso às mesquitas na Cidade Velha de Jerusalém.
Quando Israel libertou Jerusalém, o Governo promulgou a Lei de proteção dos Lugares Santos, garantindo liberdade de acesso e culto aos locais sagradas de todas as fés e denominações, além de autonomia interna a vários grupos religiosos para administrarem suas respectivas propriedades e locais de culto. O Knesset estendeu jurisdição israelense a Jerusalém Oriental, dessa forma unificando a cidade sob governo de Israel e colocando um fim à legislação discriminatória. Os israelenses agiram com rapidez para normalizar os direitos aos muçulmanos de orar no Monte do Templo, apesar do fato de que este seja o mais sagrado dos locais para a religião judaica. Hoje em dia, o Wakf, que administra o Monte do Templo, proíbe os judeus de orarem nesse local sagrado.
Jerusalém na História Judaica
Jerusalém está indissoluvelmente ligada ao povo judeu. Seu status especial para a tradição judaica remonta a cerca de 4.000 anos. Em 1004 A.C., David fez da cidade a capital de seu reino e seu filho, Salomão, lá construiu o Templo Sagrado. A cidade permaneceu como capital da dinastia de David durante 400 anos, até ser conquistada e destruída pelo babilônios, em 586 A.C.
Jerusalém é mencionada mais de 800 vezes na Bíblia; e tem 70 nomes na literatura pós-bíblica.
A destruição de Jerusalém é comemorada em rituais sem conta, orações, em dias de jejum. Os judeus, em todo o mundo, fazem sua orações voltados para Jerusalém. Quebra-se um copo na cerimônia de casamento, pois nenhuma alegria pode se completa enquanto o Templo Sagrado de Jerusalém não for reconstruído. Os judeus muito religiosos deixam um quadrado de reboco sem acabamento, ao construir uma casa nova, “em memória da destruição do Templo”. As orações do Seder de Pessach (Páscoa dos judeus) e de Yom Kipur (Dia do Perdão) culminam com o desejo fervoroso de que “no ano próximo, estejamos em Jerusalém!”
A Construção do Estado
Com o fim da guerra pela independência, Israel concentrou seus esforços na construção do Estado pelo qual o povo tinha lutado tão longa e arduamente. O primeiro Knesset (parlamento) de 120 assentos entrou em funcionamento após as eleições nacionais (25 de janeiro de 1949), com a participação de quase 85% dos eleitores. Duas figuras que haviam conduzido Israel à independência tornaram-se os líderes do país: David Ben-Gurion, presidente da Agência Judaica, foi eleito Primeiro-Ministro; e Chaim Weizmann, presidente da Organização Sionista Mundial, foi o primeiro Presidente eleito pelo Knesset. Em 11 de maio de 1949, Israel tornou-se o 59o. membro das Nações Unidas.
De acordo com o conceito de "reunião dos exilados", que é a verdadeira razão de ser do Estado de Israel, os portões do país foram abertos de par em par, confirmando o direito de cada judeu de vir a Israel e, ao chegar, receber cidadania automaticamente. Nos primeiros quatro meses de independência, chegaram ao país cerca de 50.000 imigrantes, em sua maioria sobreviventes do Holocausto. No final de 1951, haviam chegado cerca de 687.000 pessoas, homens, mulheres e crianças, dentre os quais 300.000 refugiados dos países árabes; a população judaica do país duplicara no prazo de quatro anos.
A crise econômica causada pela Guerra da Independência e a necessidade de dar atendimento à população que crescia rapidamente exigiram uma política de austeridade interna e a procura de ajuda financeira do exterior. O auxílio prestado pelo governo dos Estados Unidos, os empréstimos de bancos americanos, a contribuição dos judeus da Diáspora e as reparações alemãs do pós-guerra foram empregados na construção de moradias, na mecanização da agricultura, no estabelecimento da marinha mercante e da linha aérea nacional, no desenvolvimento industrial e na expansão de rodovias, telecomunicações e rede elétrica.
No final da primeira década, a produção industrial do país tinha dobrado, assim como o número de pessoas empregadas; as exportações industriais haviam quadruplicado. O aumento das áreas cultivadas havia trazido a auto-suficiência no suprimento de todos os produtos alimentícios básicos (exceto carne e cereais); cerca de 20.000 hectares de terra árida foram reflorestados, e foram plantadas árvores ao longo de 800 km de estradas.
O sistema educacional, desenvolvido pela comunidade judaica no período anterior ao estado e que agora incluía o setor árabe, expandiu-se consideravelmente. A freqüência escolar tornou-se gratuita e compulsória para todas as crianças entre 5 e 14 anos (desde 1978 ela é obrigatória até os 16 anos e gratuita até os 18). As atividades artísticas e culturais floresciam, misturando elementos ocidentais, do Oriente Médio e da África do Norte; judeus chegados de todas as partes do mundo traziam consigo as tradições específicas de suas comunidades, assim como os aspectos culturais preponderantes dos países onde haviam vivido durante gerações.
Quando Israel celebrou seu 10o aniversário, a população ultrapassava os 2 milhões de habitantes.
A Campanha do Sinai, 1956
Apesar de tudo, estes anos de construção nacional foram obscurecidos por sérios problemas de segurança. Os acordos de armistício de 1949 não só haviam fracassado em pavimentar o caminho para a paz; eram também constantemente violados. Contrariando a resolução do Conselho de Segurança da ONU de 1¼ de setembro de 1951, os navios israelenses e aqueles com destino a Israel eram impedidos de passar pelo Canal de Suez; o bloqueio ao Estreito de Tiran foi reforçado; incursões de grupos terroristas provenientes dos países árabes vizinhos ao território de Israel, vindos para matar e sabotar, eram cada vez mais freqüentes; e a península do Sinai convertia-se gradualmente numa imensa base militar egípcia.
Com a assinatura de uma aliança militar tripartite entre o Egito, a Síria e a Jordânia (outubro de 1956) a ameaça à existência de Israel tornou-se mais iminente. No curso de uma campanha militar de oito dias, as FDI capturaram a Faixa de Gaza e toda a península do Sinai, detendo-se a 16 km a leste do Canal de Suez. A decisão da ONU de enviar uma Força de Emergência (UNEF) ao longo da fronteira Egito-Israel e garantias egípcias de permitir a livre navegação no Golfo de Eilat levaram Israel a concordar em retirar-se em etapas (novembro de 1956 - março de 1957) das áreas conquistadas poucas semanas antes. Em conseqüência, o Estreito de Tiran foi aberto, permitindo o desenvolvimento do comércio com países da Ásia e da África, assim como a importação de petróleo do Golfo Pérsico.
Os anos de Consolidação
Durante a segunda década (1958-68), as exportações duplicaram e o PNB subiu cerca de 10% anualmente. Artigos anteriormente importados, como papel, pneus, rádios e geladeiras, eram agora fabricados no país; mas o crescimento mais vertiginoso ocorreu nos ramos recentemente criados, como metalúrgica, mecânica, química e eletrônica. Como o mercado interno para os produtos alimentícios estava chegando rapidamente ao ponto de saturação, o setor agrícola voltou-se a culturas destinadas à indústria alimentícia, assim como a produtos frescos para fins de exportação. Para atender à demanda do crescente tráfego comercial, um segundo porto para navios de grande calado foi construído em Ashdod, na costa do Mediterrâneo, além do já existente em Haifa.
Em Jerusalém foi construída a sede definitiva do Knesset, assim como novos prédios para o Centro Médico Hadassa e para a Universidade Hebraica, em substituição aos locais anteriores situados no Monte Scopus, abandonados após a Guerra da Independência. Foi fundado o Museu Israel, com o objetivo de colecionar, conservar, estudar e expor os tesouros artísticos e culturais do povo judeu.
As relações exteriores de Israel expandiam-se: estreitaram-se os laços com os Estados Unidos, os países da Comunidade Britânica, a maioria dos países da Europa Ocidental, quase todos os países da América Latina e da África e alguns da Ásia. Iniciaram-se extensos programas de cooperação internacional, e centenas de israelenses, médicos, engenheiros, professores, agrônomos, peritos em irrigação e monitores de movimentos juvenis, compartilhavam seu know-how e experiência com outros países em desenvolvimento.
Em 1965 o país trocou embaixadores com a República Federal da Alemanha, um passo que fora anteriormente adiado por causa das amargas memórias do povo judeu dos crimes cometidos durante o regime nazista (1933-45). Oposição violenta e debates públicos precederam a normalização das relações entre os dois países.
O julgamento de Eichmann
Em maio de 1960, Adolfo Eichmann, um dos principais organizadores do programa de extermínio nazista
durante a 2a Guerra Mundial, foi trazido ao país para ser julgado segundo a Lei israelense (de Punição) dos Nazistas e de Seus Colaboradores, de 1950. Neste julgamento, iniciado em abril de 1961, Eichmann foi considerado culpado de crimes contra a humanidade e o povo judeu, e condenado à morte. Seu apelo à Suprema Corte foi rejeitado, e ele foi enforcado em 30 de maio de 1962. Esta foi a única vez em que a pena de morte foi aplicada sob a lei israelense.
A Guerra dos Seis Dias, 1967
Esta guerra eclodiu seguindo-se a um período de crescente campanha anti-Israel, em todo o Oriente Médio, durante os meses de abril e maio de 1967. Em 15 de maio, o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser ordenou a retirada das Forças de Paz Emergenciais das Nações Unidas estacionadas no Sinai e, logo a seguir, fechou o Estreito de Tirã à navegação de Israel, desafiando as leis internacionais. Em 31 de maio, o Egito havia deslocado 100.000 homens, 1.000 tanques e 500 peças de artilharia pesada para o Sinai. O Egito e a Jordânia tinham assinado um acordo militar de defesa e a Síria, Jordânia e Iraque haviam convocado seus exércitos. O Kuwait, Arábia Saudita, Sudão e Argélia tinham enviado tropas e armamentos. Israel viu-se cercado por um contingente de cerca de 250.000 soldados, mais de 2.000 tanques e 700 aviões de combate. O Presidente Aref, do Iraque, declarou: “Nosso objetivo é claro: varrer Israel do mapa”. Em 4 de junho, Israel defrontava-se com o inimigo em três frentes.
Com a declaração de neutralidade por parte dos EUA e a imposição de um embargo de armas na região, em conjunto com a França – enquanto que a ex-URSS armava maciçamente os árabes – e os israelenses eram cada vez mais isolados na arena internacional, o brado pela aniquilação de Israel não era uma ameaça sem fundamento. Na manhã de 5 de junho, a Força Aérea de Israel, antecipando-se a qualquer ação do inimigo, destruiu praticamente toda a Força Aérea Egípcia. Os tanques israelenses cruzaram o Sinai até a margem oriental do Canal de Suez. Em 5 de junho, a Jordânia atacou Israel.
A 7 de junho, os soldados israelenses derrubaram as muralhas da Cidade Velha de Jerusalém. Correndo cegamente, esses soldados dirigiram-se ao Muro das Lamentações, chorando como crianças ao abraçar suas pedras ancestrais. Após escalar o Muro, soaram as palavras eletrizantes do Comandante Motta Gur: “O Monte do Templo está em nossas mãos! O Monte do Templo está em nossas mãos!”
Entre 2 Guerras
Terminada a guerra, o desafio diplomático de Israel era traduzir suas vitórias militares em paz permanente, baseando-se na resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU que apelava pelo "reconhecimento da soberania, integridade territorial e independência política de todos os estados da região e de seu direito de viver em paz dentro de fronteiras seguras e reconhecidas, livres de ameaças ou atos de força". A posição árabe, contudo, conforme formulada na Conferência de Cúpula de Cartum (agosto de 1967) era "não à paz com Israel, não a negociações com Israel e não ao reconhecimento de Israel". Em setembro de 1968, o Egito iniciou uma "guerra de
desgaste", com ações esporádicas e estáticas ao longo das margens do Canal de Suez, que se transformaram em combates de grande escala, causando pesadas perdas a ambos os lados. As hostilidades cessaram em 1970, quando o Egito e Israel aceitaram um novo cessar-fogo ao longo do Canal de Suez.
De: Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
Data: 4/04/2006 (09:41:29)
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