41 anos da Guerra de 1967
Análise Segurança
Fernando Maia
20 de junho de 2008
No dia 5 de junho de 2008, foram completados quarenta e um anos da guerra
travada entre Israel, Egito, Síria e Jordânia. Essa guerra afetou a configuração
de forças no Oriente Médio e gerou questões que influem até hoje nas relações
entre israelenses, árabes e palestinos.
Guerra de 1967, também conhecida por Guerra dos Seis Dias, completou, no dia 5
de junho, quarenta e um anos. Do dia 5 ao dia 10 de junho de 1968. Israel atacou
o Egito, Síria e Jordânia, que contaram com o apoio do Iraque, Kuwait, Arábia
Saudita, Argélia e Sudão. Como resultado de sua vitória, Israel ocupou a
Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, as Colinas de Golã e a parte
oriental da cidade de Jerusalém.
A criação do Estado de Israel em 1948 intensificou a busca por parte de árabes e
palestinos por seu Estado na região. Esse fato colocou e coloca Israel em
constantes conflitos com seus vizinhos, já que o território ocupa parte do que
seria o Estado Palestino e, hoje, a Síria. Ademais, a religião tende a
intensificar os conflitos. Logo na noite de sua criação, alguns países da Liga
Árabe (Egito, Líbano, Jordânia e Síria) invadiram o recém criado Estado travando
a Primeira Guerra Árabe-Israelense (1948 a 1949). Com a vitória, 1 No dia 14 de
maio de 1948, David Ben-Gurion leu, em Tel Aviv, a declaração que criava o
Estado de Israel invocando o "direito histórico" e a Resolução 181 da Assembléia
Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) como fundamento de sua declaração.
Ressalte-se que Ben-Gurion foi o primeiro Primeiro-Ministro de Israel.
Israel aumentou seu território, a Transjordânia 2 anexou a Cisjordânia e o Egito
ocupou a Faixa de Gaza. Essa anexação por parte dos países árabes foi fruto dos
armistícios assinados no âmbito da Organização das Nações Unidas
(ONU).
A partir de então, as relações entre árabes, israelenses e palestinos
tornaram-se tensas, sempre marcadas por constantes conflitos e crises. Nesse
contexto, a Guerra de 1967 desempenha um papel importante para esses lados.
Antecedentes e escalada O entendimento da Guerra de 1967 passa pela análise de
alguns acontecimentos históricos que criaram as condições para que o
enfrentamento tivesse início em 5 de junho de 1967.
Os Estados árabes nas décadas de 1950 e 1960, principalmente após suas
independências, foram marcados por uma baixa coesão interna apresentando
fragmentação das forças políticas.
As famílias tradicionais e as elites
intelectuais que detinham o controle desses Estados, não tiveram a habilidade de
manter um
Estado coeso e o apoio popular após os
2 Atual Jordânia.
A
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2
movimentos de independência.
Essa fragmentação política, portanto, criava o ambiente propício para o
surgimento de novos movimentos com apelos nacionalistas, religiosos e sociais,
capazes de mobilização popular que o Estado não conseguia. Um desses novos
movimentos ganhou notoriedade: o nasserismo3.
As idéias de Gamal Abdel Nasser, que tomou o
poder no Egito em 1952, tiveram grande influência no mundo árabe e ficaram
conhecidas pelo nome de socialismo árabe. Isto porque ele defendia um estado
forte, controlador dos meios de produção e redistribuição de renda e ainda
fundamentava suas ações na unidade árabe como forma de gerar apoio popular.
O nasserismo teve grande repercussão nos países árabes que passaram a ver em
Nasser e no Egito seus líderes. Ademais, a posse do petróleo e as riquezas
advindas de sua exploração ajudavam no fortalecimento do senso de nação árabe 4.
A influência do nasserismo colocou Nasser e o Egito na posição de grandes
defensores dos árabes na questão israelense. As negociações sobre o tema entre
Israel e Egito trariam, na visão de Nasser, sucesso político e seu país se
afirmaria como líder na região. Até mesmo a Organização para a Libertação da
Palestina (OLP), criada em 1964, estava sob influência egípcia. Contudo, os
limites do nasserismo ficaram evidentes com a Guerra de 1967. Esse foi o momento
em que alguns fatores confluíram e levaram o Egito à derrota militar e à
decadência do nasserismo.
Do ponto de vista interno do mundo árabe, alguns grupos palestinos, 3 Outro
exemplo refere-se ao surgimento do Partido Ba'th na Síria. Esse Partido
defendia, segundo Albert Hourani, a idéia de que uma nação árabe deveria "(...)
viver num único Estado unido" (p.528). Essas idéias, posteriormente, chegaram ao
Iraque e ao Líbano, por exemplo. 4 Fonte: Hourani (2006: p.535). especialmente o
Fatah, apoiado pela Síria, começaram a atacar Israel. Além disso, o Egito
apoiava movimentos revolucionários pró-nasseristas nos países que reagiam a esse
movimento, tais como Transjordânia5 e Arábia Saudita, por exemplo.
Do ponto de vista externo, o Egito de Nasser, apesar de se dizer líder da causa
árabe contra Israel, evitava uma confrontação direta com esse país. Os países
árabes, especialmente o Egito, precisariam travar uma guerra definitiva contra
Israel para conseguir estabelecer o Estado árabe na Palestina. Contudo, segundo
afirmava Nasser, essa tarefa demandava planejamento e preparação cuidadosos, em
especial no que se refere à modernização dos exércitos e à posse de quantidade
suficiente de armamentos. Essa tarefa se fazia necessária antes de qualquer
enfrentamento, porque Israel, já naquela época, possuía poder militar suficiente
para dissuadir um ataque dos países árabes. Entretanto, essa situação mudou
dramaticamente no início de 1967.
O governo israelense passou a considerar a
possibilidade de uma ação retaliatória contra a Síria em função do apoio que
esse país dava a grupos que atacavam Israel. No dia 7 de abril de 1967, Israel
promoveu ataques aéreos contra alvos sírios em reação aos ataques desses grupos.
Contudo, Israel ameaçava empreender uma ação retaliatória mais contundente
contra a Síria do que aquela de abril. Em maio, o então Primeiro-Ministro
israelense Levi Eshkol (1963-1969) advertiu que "Israel pode ter que responder
[às provocações sírias] numa escala muito maior do que aquela do dia 7 de
abril.". A manifestação mais agressiva, porém, veio do então chefe de gabinete (chief
of staff) das Forças de Defesa de Israel (FDI), Yitzhak Rabin, que afirmou que
Israel deveria empreender um ataque expressivo
5 Atual Jordânia.
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contra a Síria, "ocupar Damasco, destituir o
regime e retornar.".
Em resposta, atendendo o disposto no Acordo de Defesa6 firmado com a Síria, o
Egito deslocou tropas para a Península do Sinai. A intenção era dissuadir Israel
de um ataque contra a Síria7. Todavia, suas ações conduziram à escalada do
conflito.
No dia 16 de maio, dois dias depois da entrada das tropas egípcias no Sinai,
Nasser ordenou a retirada das forças 8 da ONU que se encontravam na península
desde 1956, quando da crise envolvendo o Canal de Suez. Sua justificativa fora a
proteção dos componentes da força da ONU caso uma guerra fosse iniciada.
Entretanto, do ponto de vista político, significava que Nasser cumpria o
juramento de deixar o Egito livre da "odiosa presença da UNEF" 9.
Esse processo de retirada da UNEF não foi tão simples como pode parecer. Com a
ordem de Nasser de saída das forças da ONU, o então Secretário-Geral da
Organização, U Thant 10, afirmou que as forças da UNEF eram únicas e que ou elas
seriam retiradas em sua totalidade ou não 6 Este acordo foi firmado em 04 de
novembro de 1966, entre Egito e Síria e previa que um ataque a qualquer um dos
dois signatários seria considerado um ataque aos dois e, numa eventual guerra,
os exércitos sírio e egípcio trabalhariam conjuntamente sob comando egípcio,
segundo informa Moshe Gat (2005).
7 Segundo o governo egípcio, o Egito tinha uma "fonte confiável" (a União
Soviética) que informava que Israel estava na iminência de lançar um ataque
contra a Síria. Do ponto de vista soviético, havia preocupação também já que a
Síria era sua aliada. Contudo, a União Soviética não esperava que Nasser tomasse
medidas que conduzissem à escalada do conflito.
8 UNEF I, First United Nations Emergency Force, criada para garantir o fim das
hostilidades, a retirada das forças armadas da França, Israel e Reino Unido do
território egípcio e para proteger as forças egípcias e israelenses.
9 Essa expressão foi retirada de Gat (2005, p.623).
10 U Thant foi o Secretário-Geral da ONU de
1961 a 1971 e sucedeu o sueco Dag Hammarskjöld. seriam retiradas. Não haveria
retirada parcial, segundo ele.
Com o peso da decisão política, Nasser optou pela retirada integral da UNEF. E
com a saída dessas forças, o presidente egípcio intensificou o envio de tropas
para o Sinai. Em resposta, Israel, antevendo a possibilidade de uma guerra,
mobilizou toda a sua força de reserva. O Primeiro-Ministro Eshkol disse à época:
"É a guerra. Estou dizendo a vocês, é a guerra.".
O fator decisivo, entretanto, foi o fechamento do Estreito de Tiran, no Golfo de
Aqaba, pelo Egito, impedindo o tráfego de navios israelenses. Esse fator
envolvia menos os aspectos econômicos e mais os psicológicos e políticos: a
decisão unilateral de Nasser colocava Israel sob a influência da vontade de seu
vizinho árabe, o Egito.
Após duas semanas de espera marcadas por intenso debate dentro do governo
israelense, no dia 4 de junho a decisão de responder militarmente ao Egito foi
tomada.
A literatura diverge quanto à decisão israelense de ir à guerra. Nesse sentido,
é possível identificar duas posições. De um lado, encontra-se uma posição
voltada para uma guerra preventiva iniciada por Israel contra as movimentações
egípcias para uma escalada do conflito (o envio de tropas para o Sinai, o
fechamento do estreito de Tiran e a escalada militar). Por essa perspectiva,
Israel, ameaçado com a possibilidade de invasão egípcia, teria iniciado a guerra
no dia 5 de junho como uma resposta a essa escalada. Os objetivos eram a
sobrevivência e a segurança de Israel e não a expansão do território.
Contudo, de outro lado, é possível pensar a decisão israelense, não como uma
guerra eminentemente preventiva, mas como uma decisão política que afetava as
relações de Israel com o mundo árabe. Nesse sentido, a crise de 1967 não era um
acontecimento localizado referente apenas
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4
à relação de Israel e Egito. Referia-se, pois, a uma oportunidade histórica de
atuação em alguns assuntos relevantes para Israel, particularmente, sua
convivência com os países árabes vizinhos que se tornara problemática desde a
criação do Estado em 1948.
A tomada da parte oriental de Jerusalém quando do enfrentamento com a Jordânia é
um exemplo dessa situação. Com a Guerra de 1967, Israel passou a ter o controle
da cidade. O então Ministro da Defesa, Moshe Dayan, disse sobre esse
acontecimento: "Esta manhã as FDI libertaram Jerusalém. Nós reunimos a Jerusalém
dividida, a capital seccionada de Israel. Retornamos aos nossos lugares
sagrados, voltamos com o objetivo de não partirmos nunca mais."11.
É comum, na literatura sobre a Guerra de 1967, dizer-se que essa foi uma guerra
que nem Egito (e, posteriormente, os outros países árabes) nem Israel quiseram,
mas acabaram tendo que travá-la. Além disso, no caso de Israel, ressalta-se a
inexistência de um plano político para a condução da guerra o que levou à
situação de as decisões serem tomadas na medida em que as situações ocorriam.
Essa visão da Guerra de 1967 talvez leve à sustentação da posição preventiva de
Israel tendo que responder às pressões dos seus vizinhos. Isto porque, por um
lado, Nasser enfrentava a necessidade de manter sua posição de líder numa região
em que Israel era militarmente mais forte que os estados árabes. O presidente
egípcio, ciente de sua menor capacidade militar, adotou, conforme foi dito
anteriormente, a opção de escalar o conflito até um ponto em que a guerra não
ocorresse12. Por outro lado, Israel passou 11 Esta citação encontra-se em Shlaim
(2004: p.302).
12 Albert Hourani comenta que esse parecia um risco calculado de Nasser já que
os Estados Unidos poderiam intervir para que um acordo fosse negociado evitando
a guerra ou, no limite, a União Soviética poderia ajudar o Egito caso a guerra
ocorresse. Para uma visão mais por duas semanas de indecisão até que no dia 4
decidiu atacar o Egito na manhã do dia 5 de junho. Contudo, é possível analisar
essa guerra do ponto de vista das opções políticas de que Israel dispunha. Não
se exclui da análise o fato de Nasser ter adotado a escalada do conflito como
uma estratégia. Porém, sua ciência da diferença de poder com relação a Israel
não pode ser desconsiderada.
A situação envolvendo a retirada das forças da UNEF do Sinai ilustra esse ponto:
o primeiro pedido de Nasser à ONU era de uma retirada parcial das tropas já que,
ciente da sua inferioridade militar, um pedido de uma retirada total trazia o
risco de um ataque israelense antes de uma reunião de força significativa no
Sinai. Assim, a despeito da escalada do conflito, Israel tinha duas opções:
buscar uma saída não militar para o conflito ou responder militarmente. Note-se
que ambas eram opções políticas que Israel deveria considerar. E aparentemente
elas estiveram em jogo. Nas duas semanas anteriores ao início da guerra o
Primeiro-Ministro Eshkol discordava da opção por uma guerra defensiva como
solução para o conflito. Numa reunião com seus ministros ele perguntou "Vamos
viver em guerra para sempre?"13 e, por fim, argumentou que uma vitória militar
não colocaria fim ao problema "porque os árabes ainda estarão aqui."14. No
entanto, uma crise interna ao governo israelense contribuiu para o
enfraquecimento da posição do Primeiro-Ministro e para a criação do um governo
de unidade nacional entre os principais partidos. Além disso, houve a mudança de
titularidade na pasta da Defesa: Eshkol que até então era o titular, entregou-a
ao aprofundada sobre esse ponto, ver Hourani (2006, pp.537-538).
13 Esta citação encontra-se em Shlaim (2004: p297).
14 Esta citação encontra-se em Gluska (2007: p.7).
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5
General Moshe Dayan.
Essa mudança no governo contribuiu para duas situações: primeiro, para o resgate
da confiança no governo; segundo para uma solução militar para a situação a
partir de um ataque ao Egito no dia 5 de junho.
A partir dessa discussão é possível perceber que houve uma decisão política
quando houve a opção por um curso de ação militar. Obviamente, o enfraquecimento
do governo Eshkol e a formação do governo de unidade nacional com a influência
do exército contribuíram para que esse curso de ação fosse tomado, e não outro.
A guerra
Na manhã do dia 5 de junho, Israel empreendeu um ataque aéreo surpresa aos
campos de aviação egípcios, destruindo uma parte significativa das forças aéreas
ainda no solo. Sua força aérea e algumas pistas foram destruídas em poucas horas
e suas forças terrestres avançaram pela Península do Sinai.
Com o ataque ao Egito, os seus aliados declaram guerra também a Israel. A
Jordânia atacou a parte ocidental de Jerusalém e alguns outros alvos como Tel
Aviv, por exemplo. Em resposta, Israel destruiu duas das principais bases aéreas
localizadas em Mafraq e Amã, bem como derrotou a Força Aérea jordaniana. O
Iraque, que havia ajudado a Jordânia nos ataques, também teve uma base aérea
destruída15.
Na parte da tarde, a Síria atacou Haifa, mas foi contra-atacada. A Força Aérea
Israelense destruiu algumas bases aéreas e grande parte da força aérea síria.
No dia 6, Israel continuou avançando seu exército pelo Sinai, Egito, e ainda
ocupou a Faixa de Gaza completamente. Nesse dia ainda, ocupou a parte oriental
de 15 Foi a Base Aérea H-3, localizada na fronteira entre Iraque e Jordânia.
Jerusalém e entrou na Cisjordânia, ocupando a cidade de Ramallah.
No dia 7, Nasser adiou a proposta de cessar-fogo feita pelo Conselho de
Segurança da ONU e continuou lutando.
A Jordânia, contudo, aceitou-a e recuou suas forças.
Com a chegada das tropas israelenses ao Canal de Suez, o Egito aceitou o cessar
fogo na tarde do dia 8 de junho. Restava ainda o combate sírio que ocorria
principalmente nas Colinas de Golã. As forças sírias estavam estacionadas nessa
região e atacavam constantemente alvos no norte de Israel. Este, em resposta,
decidiu conquistar Golã. A batalha com a Síria seguiu-se pelo dia 9 de junho com
Israel tomando algumas cidades na região até que no dia 10 Golã foi tomada e a
Síria se rendeu. Com a vitória, ficou clara a superioridade militar de Israel em
relação aos demais estados árabes. Entretanto, ocorreram perdas para os dois
lados. Israel perdeu 40 aviões e teve 364 tanques atingidos, porém, mais da
metade deles foi consertada. Além disso, o número de soldados mortos foi de 983
e de feridos 4.517. Entre os árabes (Egito, Síria e Jordânia), 444 aviões e 965
tanques foram
perdidos. O número de soldados mortos
foi de 4.296 e de feridos 6.12116.
As conseqüências
O resultado imediato da vitória israelense
foi a ocupação da Península do Sinai, a
Faixa de Gaza, a Cisjordânia, as Colinas
de Golã e a parte oriental da cidade de
Jerusalém. Do ponto de vista do longo
prazo, essa guerra também trouxe
conseqüências para as relações de
israelenses, árabes e palestinos.
Nesse sentido, com o fim do nasserismo,
os palestinos passaram a ter uma atuação
16 Esses dados foram retirados de Shlaim (2004,
p.308).
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6
independente na busca pelo estado na
região. Desse modo, a OLP ficou ciente de
que contava consigo mesma nessa busca
pelo Estado na região.
Outro aspecto que ganhou destaque diz
respeito ao aumento do terrorismo como
instrumento de ação política de alguns
grupos contra a ocupação israelense.
Depois de 1967, apenas a guerra de 1973
foi uma guerra convencional e, desde
então, os enfrentamentos entre os atores
foram marcados pela adoção do terror
como instrumento político.
O padrão das relações entre Israel e
Estados Unidos (EUA) também mudou. Se
antes da Guerra de 1967 esse padrão era
caracterizado por uma "aliança por
afinidades"17, depois dela houve um
estreitamento das relações entre esses
países que perdura até hoje. Ademais, no
contexto da Guerra Fria, o alinhamento
dos países da região em torno das duas
potências também ficou polarizado: Israel
contava com o apoio dos EUA e os países
árabes com o apoio da União Soviética.
A ocupação israelense dos territórios
citados intensificou o problema dos
refugiados palestinos que passaram a ficar
sob controle de Israel18. Além disso, a
Resolução 242 do Conselho de Segurança
da ONU não foi eficaz na solução do
problema dos territórios ocupados por
Israel: uma divergência na interpretação
do texto por árabes e israelenses era
utilizada por Israel para não se retirar de
todos os territórios ocupados19.
17 Expressão formulada pelo historiador Michael
Oren.
18 Na verdade, esse problema começa com a criação
do Estado de Israel em 1948 e com a Guerra de
1948 a 1949. Com a Guerra de 1967, esse
problema intensificou-se.
19 Para um contato com o inteiro teor da Resolução
242 do Conselho de Segurança, remeto o leitor
ao seguinte link do site da ONU:
<http://daccessdds.un.org/doc/RESOLUTION/GEN/NR0/240/94/IMG/NR024094.pdf?Open
Element>. A divergência de interpretação surge
do problema de versões da Resolução: a versão
inglesa sugere da retirada "de" territórios,
Desse modo, a Guerra de 1967 moldou
grande parte da agenda do Oriente Médio
pelas décadas seguintes. Vários dos
problemas pelos quais a região passou e
passa foram criados, ou pelo menos
intensificados, com essa guerra.
Referência
Artigos:
GAT, Moshe. "Nasser and the Six Day
War, 5 June 1967: A Premeditated Strategy
or An Inexorable Drift to War?". Israel
Affairs, vol.11, nº4, Outubro 2005, pp.608-635.
GLUSKA, Ami. "Israel's decision to go to
war, June 2, 1967". The Middle East Review
of International Affairs, vol.11, nº2, Junho
2007.
Livros:
ARMSTRONG, Karen. Jerusalém: Uma
cidade, três religiões. São Paulo, Companhia
das Letras: 2000. 550pp.
HOURANI, Albert. Uma história dos povos
árabes. São Paulo, Companhia de Bolso:
2006. 703pp.
SHLAIM, Avi. A Muralha de Ferro: Israel e o
mundo árabe. Rio de Janeiro, Fissus
Editora: 2004. 775pp.
Sites:
Deutsche Welle
http://www.dw-world.de/dw
Folha Online
http://www.folha.uol.com.br
genericamente; a versão francesa sugere a
retirada "dos" territórios. Essa divergência foi
explorada por Israel.
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7
Haaretz
http://www.haaretz.com
ONU
http://www.un.org
Palavras-chave: Guerra, Seis Dias, 1967,
Egito, Síria, Jordânia, Israel, União
Soviética, Península, Sinai, Colinas, Gola,
Jerusalém, Gamal, Nasser, Fatah,
Fernando, Maia.
Análise Segurança
Fernando Maia
20 de junho de 2007
www.pucminas.br/conjuntura
de Theodoro da Silva Junior
data 06/06/2008 09:51
assunto Quarenta e um anos da Guerra de 1967