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O
QUE É BATALHÃO SUEZ ? |
Por Dacilio de Abreu Magalhães
Batalhão Suez não é apenas o 3º. Batalhão do 2º.Regimento de Infantaria; não
é como muitos podem pensar, uma tropa privilegiada, que foi para o Oriente Médio
passear, ganhar em Dólar e trazer ricos presentes para os seus familiares,
liberados pela alfândega.
Batalhão Suez não é uma tropa de filhinhos de papais, de militares
recomendados e nem de homens pertencentes exclusivamente à classe média alta;
Batalhão Suez é o nome dado aos contingentes em número de vinte que de
janeiro de 1957 a junho de 1967, integraram como III/2º. RI, às Forças de
Emergência das Nações Unidas, UNEF-1 e em solo egípcio, Faixa de Gaza,
Deserto do Sinai, lutaram pela paz de povos irmão.
Perguntarão aqueles que privilegiam a guerra:
-Como lutaram? -Com que armas? -Quantos morreram? Quantos mataram? -Por onde
avançaram? -Quantas cidades tomaram? -Por um acaso sabem o que é uma guerra?
-Lutamos pela paz de povos irmãos, apartando, socorrendo, alimentando e
estendemos às mãos, antes mesmo de apontar nossos fuzis;
-As armas, todas de pequeno calibre, eram usadas, mais para defesa pessoal e em
determinados casos, para fazer valer a paz e a integridade das pessoas que
estavam sob a nossa proteção;
-Tivemos algumas baixas, muito poucas, considerando que estávamos em missão de
paz, embora estivéssemos num teatro de guerra;
-Não avançamos, não andamos por ruas, por florestas, por montes ou vales e não
vivemos, durante o período em que estivemos a serviço da ONU em país de clima
temperado com água e comida encontrados em qualquer esquina. Montamos nossas
barracas no Deserto do Sinai, mas antes precisamos tirar as minas com as próprias
mãos para sediar ali o Campo Brasil. Aprendemos a suportar um sol de 52 graus,
a comer comida fria transportada por mais de 30 Km e servida durante tempestades
de areia, a beber água quente, expostas ao calor, armazenada em sacos de lona,
a driblar as doenças que circundavam o Batalhão, trazidas pelas moscas que
pousavam nos corpos em decomposição e vinham pousar nas nossas alimentações.
Tracoma, Tuberculose e Lepra e outras doenças mais, eram nossos únicos
inimigos nessa importante missão.
-Não tomamos nenhuma cidade, muito pelo contrário, protegemos todas as que
estavam no nosso raio de ação e durante o tempo em que lá estivemos, nenhum
furo de bala foi visto nas paredes das edificações.
-Conhecemos a guerra e como conhecemos, mas não a guerra antiga; conhecemos a
alta tecnologia bélica com mísseis que acompanha o avião pelo calor das
turbinas, com fuzis mira a laser, com aviões caça supersônicos e Porta-aviões
altamente sofisticados. Sentimos os morteiros caírem aos nossos pés, ouvimos o
zunir das balas das metralhadoras passando rente aos nossos ouvidos, perdemos
colegas e não apertamos nenhum gatilho, porque ali estávamos a serviço da
paz.
O Batalhão Suez não foi organizado para defender interesses; Seus homens não
foram treinados para destruir cidades, dizimar famílias, matar e mutilar seres
humanos.
O Batalhão Suez permaneceu todo o tempo numa faixa neutra e ali esteve para
evitar que árabes e judeus, povos irmãos, se digladiassem e nessa sagrada missão
de promover a paz, regou com sangue brasileiro, as areias do Sinai.
É isso que as autoridades civis e militares precisam saber para que não deixem
nossos heróis desamparados e sem o devido reconhecimento, para que nossos
filhos e netos que certamente conhecerão nossa história, não sintam vergonha
de serem brasileiros.
Não vamos fazer como os judeus que reciclam anualmente, os massacres a que
foram submetidos durante a 2ª. Guerra Mundial, com filmes que atingem a opinião
pública. Queremos sim, o reconhecimento brasileiro a exemplo do que foi feito
pela ONU que nos deu a Medalha de Pacificador e pelo Comitê Nobel do Parlamento
Norueguês que nos deu o Premio Nobel da Paz 1988.
Queremos que nossos feitos, esse Marco importante da História do Brasil, conste
das nossas enciclopédias e dos livros escolares e queremos também que todo o
Brasil saiba que esses jovens soldados impressionaram a Comunidade
Internacional, levando a bom termo a mais longa e a mais importante de todas as
Operações de Paz e queremos ainda que todos saibam que esse trabalho
desenvolvido no Oriente Médio pelos jovens soldados brasileiros contribuiu
sobremaneira com a pretensão dos nossos governos de pleitear uma cadeira no
Conselho de Segurança da ONU.
Nada tenho contra os Heróis da Guerra, apenas não entendo o porque do amparo
aos homens que estiveram no litoral brasileiro a espera de um suposto ataque do
eixo e que não deram um só tiro e desamparar aqueles que deixaram sua pátria,
seus familiares para lutar pela paz numa região de línguas e costumes
diferentes dos seus e numa terra de clima hostil e condições endêmicas.
Não entendo o porque se constroem monumentos, mausoléus para os Heróis da
Guerra, deixando se transformar em mendigos quem fez a paz e fecham os olhos
quando está sendo enterrado como indigente, um brasileiro, membro da família
das Nações Unidas.
Exmo. Sr. Presidente da República, Exmos. Srs. Senadores da República, Exmos.
Srs. Deputados Federais, Exmos. Srs. Membros do Poder Judiciário, Exmos. Srs.
Almirantes, Exmos. Srs. Generais, Exmos Srs. Brigadeiros, Ilmos. Srs. Empresários,
Ilmos Srs e Sras irmãos de bandeira. O Batalhão Suez, pelos feitos no Oriente
Médio recebeu em 28 de setembro de 1988 o maior premio da atualidade, o Premio
Nobel da Paz outorgado por uma instituição, cuja credibilidade está acima de
qualquer suspeita e esse premio não foi comprado e nem dado por recomendação
política, portanto os militares do Exército Brasileiro que compuseram o Batalhão
Suez são de fato os melhores militares do mundo e quem diz isso não sou eu,
mas sim, o Comitê Nobel do Parlamento Norueguês.
O Batalhão Suez nasceu nas fileiras
do Exército Brasileiro e essa instituição certamente se orgulhar de seus
filhos.
Para quem não sabe e nunca ouviu
falar:
“BATALHÃO SUEZ É UMA TROPA DE
ELITE, COMPOSTA DOS MELHORES MILITARES DO MUNDO”
Dacilio
de Abreu Magalhães
3º. Contingente
De: =?Dacilio Magalhaes?= <dacilio@yahoo.com.br>
Data: Wed, 11 Aug 2004 12:49:56 -0300 (ART)