Btl.Suez e o dia 05 de Junho de 1967
...há 40 anos terminou a Missão de Paz do Batalhão Suez.

Texto de:Israel Blajberg (*)
Hoje, 15 de maio de 2007, pelo
calendário judaico é o dia 26 do mês de Yiar. Em 1967, correspondeu a 5 de
junho, uma segunda-feira quando começou a Guerra dos 6 Dias, significando o
final da missão de paz do Btl Suez, que logo retornaria prematuramente.
Mais 3 semanas e chegará a data gregoriana de 5 de junho. Como em Israel as
comemorações seguem o calendário judaico lunar, portanto não coincide com o
nosso, que é solar.
Em maio faz 40 anos que NASSER sem querer (e sem jamais o saber ...) abriu o
caminho para a paz com Israel. Era um mundo diferente ... sem Internet, fax ou
celular, as noticias eram poucas e demoravam a chegar ...
O certo foi que sua postura equivocada e irresponsável determinou uma guerra que
deveria ter sido evitada pelos Capacetes Azuis, com o retorno prematuro do 20°.
e último contingente do nosso Batalhão Suez, com seus companheiros de outras
nações amigas.
Em 1967, o Egito bloqueou o Golfo de Aqaba para a navegação israelense. Aos 17
de maio Gamal Abdel Nasser exigiu que as forcas da ONU evacuassem o Sinai, logo
atendido covardemente pelo Secretario Geral U Thant.
Nasser começou a re-militarização do Sinai, que estava em paz desde 1957,
concentrando tropas e blindados na fronteira com Israel.
Aos 22 de maio, o Egito fechou o Estreito de Tiran, na altura de Sharm el Sheik,
bloqueando o porto israelense de Eilat, violando a lei internacional. Anunciava
que iria jogar os judeus ao mar.
Israel reagiu e num ataque preventivo aos 5 de junho de 1967, em apenas 3 horas
de sucessivas sortidas aéreas destruiu praticamente no solo as forças aéreas do
Egito e Síria, integrantes da RAU - Republica Árabe Unida.
Sem apoio aéreo, Egito, Jordânia e Síria foram derrotados na chamada Guerra dos
6 Dias, que entrou para a Historia Militar.
Toda a Península do Sinai foi capturada, e mais tarde, depois da Guerra do Yom
Kippur de 1973, serviu de trunfo para negociar a paz com Sadat, que substituíra
o falecido e derrotado Nasser.
Vamos recordar uma entrevista concedida em 30 de maio de 2000, nos estúdios da
Rádio Guaíba de Porto Alegre, pelo jornalista gaúcho Flávio Alcaraz Gomes :
Em 1967 tive a chance de ir ao Vietnam. Tive um convite do governo americano
para visitar o Vietnam do Sul. Peguei um avião e fui para a Europa.
Em Roma vi as manchetes dos jornais que diziam que o presidente do Egito, Gamal
Abdel Nasser tinha decretado o bloqueio do Golfo de Acaba, o que significaria a
asfixia de Israel. Deduzimos que a guerra seria iminente. Naquela ocasião se
encontrava na faixa de Gaza, numa zona mantida pela ONU, uma tropa de 500
soldados oriundos do Rio Grande do Sul, os "boinas azuis"
Eu pensei, a notícia está lá, a minha guerra está errada. Desviei o meu roteiro.
Consegui em Roma um visto e me desloquei ao Cairo. Ali trabalhei muito,
mandando, no mínimo 3 matérias para o Correio do Povo e Folha da Tarde mais
boletins para a Rádio Guaíba. Fui muito prestigiado pela Associated Press com
quem eu sempre trabalhei, a grande agência de notícia norte-americana.
Fui um dos poucos jornalistas que teve perguntas respondidas pelo presidente do
Egito, numa entrevista coletiva da qual participaram 350. Dos 350 cada um fez 3
perguntas. Das mais de mil perguntas foram selecionadas 30 . Destas, duas foram
minhas. O serviço era em inglês e submetido à censura/ Não notei ânimo bélico
entre os egípcios e resolvi mudar de geografia.
Mandei um telegrama cifrado para o Correio do Povo dizendo : "Sigo Bom Fim" que
foi interpretado aqui como "sigo para Israel", pois o Bom Fim, aqui em Porto
Alegre, é o bairro de predominância israelita.
Peguei um avião até Atenas, fiz a triangulação e desembarquei em Tel Aviv. Aí vi
que o povo estava em armas. Imediatamente me credenciei e já no dia seguinte fui
para o front de Golan, contratando um fotógrafo que me bateu duas fotografias.
Mandei-as via radiofoto.
Antes, no Cairo, tinha entrevistado o major Breno Vignolli que era gaúcho e
tinha sido meu companheiro de moleque na rua Ernesto Alves. Ele era filho de um
ex-chefe de polícia do RS, Darci Vignolli e fiz uma foto com ele. Mandei uma
radiofoto que custo 150 dólares, era uma fortuna. Foi a primeira divulgada na
imprensa do Ri Grande do Sul e uma das primeiras do país. Em Israel fiz fotos
junto com os soldados no front de guerra e mandei para o Correio. Elas chegaram
aqui na véspera do dia em que a guerra começou, junho de 1967.
Todo o mundo dizia que Israel seria varrido da terra. Eu, tendo servido no
Exército como voluntário e conhecendo exércitos. Tendo observado os dois
(exércitos), israelense e egípcio, ousei mandar dizer que "a guerra vai sair e
Israel irá vencê-la em operação relâmpago". Foi a manchete da Folha da Tarde que
me rendeu vários prêmios de jornalismo. Foi o que aconteceu.
No primeiro dia da guerra, uma multidão se reuniu na porta do Consulado de
Israel no Rio, uma bonita e antiga mansão pintada de branco, em frente a
Hebraica, onde hoje há uma muralha de edifícios.
Era uma segunda-feira de noite, os jornais não circulavam nesse dia, as noticias
eram escassas e contraditórias, segundo as quais os árabes estariam vencendo e
teriam derrubado centenas de aviões de Israel.
Já era de madrugada em Israel, até que finalmente veio a verdade !!! O cônsul
saiu de repente para fora e deu ao pessoal na rua as noticias de que os árabes
já não tinham mais força aérea, e as Forças de Defesa de Israel estavam
avançando e tomando a iniciativa.
O resto todo mundo já sabe. Os acordos de 1979 trouxeram a paz com o Egito, mas
o caminho pela frente ainda iria ser muito difícil.
Os Veteranos Boina Azuis recordam com saudade o dia de hoje, quando assistiram
impotentes o inicio de uma guerra que a ONU de U Thant e o mundo dito civilizado
não soube evitar.
A comunidade internacional assistiu imóvel, mas Israel atacou primeiro,
eliminando a ameaça de uma guerra que segundo os árabes se vangloriavam seria a
derrota de Israel, lançando os judeus ao mar. Segundo eles, um segundo
holocausto onde apenas 18 anos depois do primeiro, mais milhões de judeus seriam
sacrificados.
Que a triste sorte de Nasser sirva de advertência para os aiatolás do Irã, que
hoje pretendem seguir o mesmo caminho malfazejo. Não faltam alertas para Israel,
que certamente saberá se defender, como em 1967. Amém.
(*) iblaj@hotmail.com
De: "Theodoro da Silva Junior" <theojr@terra.com.br>
Data: Mon, 21 May 2007 10:16:15 -0200
Assunto: BTL.SUEZ E O DIA 5 DE JUNHO 1967