Guerra dos Seis Dias

Ricardo Arraes

Uma pequena homenagem ao BATALHÃO SUEZ e a todos os seus integrantes.

GUERRA DOS SEIS DIAS: 48 anos

Dia 5 de junho 20154 fez 48 anos do início de uma das guerras de maior longevidade de nossa era: a Guerra dos Seis Dias. Embora ela tenha raízes bem mais antigas que poderiam ser a guerra de 1956 (Crise do Canal de Suez), 1948 (Criação do Estado de Israel), 1917 (Declaração Balfour), final do século XIX (criação do Sionismo) ou mesmo remontar aos tempos imemoriais relatados nas páginas do Corão, da Torá ou da nossa Bíblia.
Numa manhã de segunda-feira surgia um cinco de junho de 1967, o exército israelense surpreendeu o mundo ao empreender ataque rápido, certeiro e devastador sobre as forças do Egito, Jordânia e Síria. Entre o Egito e Israel, ou seja, entre os dois adversários em combate, estavam 427 brasileiros. Eram os soldados da paz que incompreensivelmente foram mantidos no teatro de guerra pelo governo brasileiro. A missão de paz que separava árabes e judeus havia sido encerrada um mês antes. O clima era claramente propício à conflagração e as autoridades presentes no front sabiam disso e tentaram evacuar a tropa frágil, desarmada e na alça de mira dos dois exércitos rivais.
Nada disso comovia as autoridades no Brasil que sequer atendiam aos clamores para a retirada da tropa desamparada, fragilizada e condenada a ser massacrada. Em meio a um cenário de destruição, atrocidades e carnificina o Batalhão Suez como era chamada a força enviada pelo Brasil, ficou entre o fogo cruzado árabe-israelense. Com pouco mais de uma dezena de feridos e um cabo morto, o Batalhão brasileiro ficou sob custódia (presos, humilhados e espoliados) do exército israelense até a sua retirada da área e o embarque para o Brasil. A descrição dos sobreviventes de guerra eram soldados da paz, foram enviados àquela região conflagrada para proteger a população local e evitar uma guerra. Enquanto durou a missão, exatos dez anos, ela foi eficaz nos seus objetivos. A guerra alcançou os brasileiros quando a Missão já não mais existia, por isso todos os seus integrantes são unânimes em afirmar que ela atingiu sua meta em levar segurança, garantias e a tão almejada paz para a Faixa de Gaza.
Quarenta e oito anos se passaram desde o intrépido cinco de junho e as feridas abertas nos corpos dos soldados e na memória viva do cabo enfermeiro Adalberto Ilha que sangrou nas areias quentes e minadas do Deserto do Sinai, permanecem. Ele deixou ali mais que um desejo pessoal, mas uma aspiração coletiva que embala homens e nações em busca de equilíbrio e de segurança. Seu sangue é condimento vibrante e ardente que não pode ter sido em vão. Descanse em paz Ilha, e que viva eternamente a história e a memória da missão Suez. Um forte abraço a todos os boinas azuis de todos os contingentes, potenciais vítimas deste conflito, mas que sobreviveram a uma guerra e não desistem do sonho de um cenário melhor para aquela região.
Ricardo Arraes (Professor - Doutor em História UFPI)