Theodoro da Silva Junior
EGITO - A NACIONALIZAÇÃO DO CANAL EM 26/07/56, AÇÃO POLÍTICA DO EGITO QUE MUDOU O MUNDO
O conflito secular entre
árabes e judeus, os interesses econômicos das chamadas grandes potências ou
Super potências (EUA, URSS, França, Inglaterra), bem como suas ambições
políticas e o grande jogo estratégico dessas mesmas superpotências, faziam
crescer o antagonismo sempre existente na região do Oriente Médio.
A partir da ascensão política de um novo líder egípcio Gamal Abdel Nasser, o
direcionamento político mundial, a partir da década de 50, passou a ter uma nova
conotação e visão, com a ocorrência de fatos e atos que mudaram o rumo da
história.
O Presidente do Egito “Nasser” que visionava um melhoramento à sua nação diante
da demanda crescente do consumo de energia elétrica, e sentindo o potencial
existente em seu território, projetou a construção de uma grande represa
(Represa de Assuan), para produção dessa energia elétrica, ponto marcante para o
desenvolvimento e crescimento econômico do Egito. Não dispondo de Recursos
financeiros para a construção e efetivação da importante represa de Assuan
recorreu á várias outras nações, na tentativa de busca de um financiamento para
a execução da grande obra. Não conseguindo empréstimo ou apoio financeiro, de
nenhuma nação, decidiu nacionalizar a Cia. do Canal de Suez que vinha sendo
administrada pelo condomínio França e Inglaterra, como fonte geradora de
recursos. Essa nacionalização e administração do Canal de Suez seriam sua grande
saída, e garantia de obtenção de dinheiro para a construção desejada.
Há que se ressaltar que o Canal de Suez fora construído pelo francês Ferdinand
Lesseps, seu grande idealizador, com apoio e participação financeira do governo
da França e, inaugurado em 17 de novembro de 1869.
Desde sua inauguração o Canal de Suez era administrado por franceses e em
seguida os ingleses, através de uma jogada política econômica, que haviam obtido
a concessão pelo antigo governo do Egito para a construção e exploração por 99
anos consecutivos, e o governo Egípcio recendo apenas 15% do valor do pedágio
ficava assegurada à passagem de navios de qualquer nacionalidade que assim o
desejassem, de conformidade com o acordo internacional firmado em
Constantinopla. Acordo que durou 87 anos.
Em 26 de julho de 1956, num discurso inflamado na cidade de Alexandria, o então
presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, determinou o fim desse acordo firmado
no passado, o qual duraria até 1968, e nacionalizou o Canal de Suez, proibindo,
de imediato, a passagem de navios israelenses.
Essa atitude de Nasser,
obviamente, desagradou tanto ingleses como franceses que, por sua parte,
buscaram apoio junto a várias outras nações, tentaram intervir militarmente na
questão.
Acabaram criando um plano secreto para incluir Israel como grande coadjuvante
numa invasão militar ao território egípcio. O apoio logístico garantiu a efetiva
invasão militar por parte de Israel, e houve desembarque de tropas militares de
franceses e ingleses na região do Canal de Suez, bem como na importante e
estratégica cidade de Port Said, como forma de pressão e apoio militar a Israel,
na clara tentativa de resgatar o cumprimento daquele acordo anterior, e retomar
a administração do Canal de Suez.
Houve inicio o conflito que se denominou Guerra de Suez, sendo que Israel com o
apoio logístico recebido conseguiu derrotar parcialmente o Egito, invadindo toda
a Península do Sinai, com ataques rápidos e inusitados contra as Forças
egípcias, chegando vitorioso com seu Exército até o Canal de Suez, como
represália os egípcios afundaram vários navios no Canal de Suez, impedindo sua
utilização. Era o caos.
E o grande impasse internacional estava criado em solo do Egito, o clima
político torno-se tenso, e essas tenções aumentaram, com as ameaças de
intervenção tanto por parte dos EUA, como por parte da então URSS, o que na
eventualidade dessa concretização, poderia gerar nova Guerra Mundial. O mundo
amedrontava-se diante de tantas ameaças, uma vez que a URSS mostrava-se
simpatizante as causas árabes, de outro lado França, Inglaterra buscavam apoio
entre os demais países ocidentais.
Cabia a ONU (Organização das Nações Unidas) tomar iniciativas de uma solução
para resolver o impasse. Então todas as atenções políticas e pressões
diplomáticas foram parar na Assembléia Geral das Nações Unidas.
A ONU, sentindo então que somente o término da luta armada e a imediata retirada
das tropas militares invasoras do solo egípcio, poderiam afastar o perigo que
rondava a região do Oriente Médio, e a ameaça à paz mundial. Então agindo com
rapidez, a Assembléia Geral da ONU aprovava uma Resolução para o imediato
término dessa luta armada.
Porém logo se evidenciava a falta do devido apoio para que fosse respeitada essa
decisão. Então por iniciativa e criação da indicação do Embaixador do Canadá
junto a ONU, começaram as gestões para a criação de uma Força Internacional,
capaz de, sem fazer uso da violência, garantir o cessar fogo e o devido respeito
às Resoluções da Assembléia Geral da ONU. E aí então os “capacetes Azuis” entram
em ação e começavam a escrever nova página na história mundial. Foi criada então
um “Comando das Nações Unidas” para a imediata concretização de uma Força de Paz
Internacional de Emergência, começando por sua organização, efetivo necessário,
direcionamento da missão, recrutamento e recursos financeiros. A partir do dia 5
de novembro de 1956, as negociações diplomáticas tornaram-se a porta aberta para
uma melhor solução de um acordo mútuo. Os beligerantes confiavam na importância
e na imparcialidade da Força Internacional de Paz da ONU.
Egito e Israel concordaram com o cessar fogo, o mesmo ocorrendo com a França e
Inglaterra, que não se retiraram das imediações do Canal de Suez, e no dia 7 de
novembro de 1956, oficialmente, cessava a luta aramada no Egito. Porém as tropas
militares dos países invasores permaneceram estacionadas na região do conflito.
Foi necessária a forte intervenção política da URSS e dos EUA, os quais, não
obstante o interesse antagônico da região, agiu de modo coerente, exigindo a
imediata retirada dos franceses e dos ingleses.
A França e a Inglaterra, retiraram-se na seqüência, mas Israel, relutante,
permaneceu em território invadido até inicio de fevereiro de 1957, quando
finalmente a Força Internacional de Paz da ONU iniciava suas ações, começando
com o monitoramento do conflito e criando a Linha de Armistício, conseguindo
apaziguar toda a região e aliviar as tensões do mundo todo, bem como,
conseguindo fazer as tropas invasoras de Israel, retornarem além da Linha de
Armistício estabelecida.
Foi designado para o Comando Geral da Força Internacional de Paz, o General
Canadense D.D. BURNS, o qual já se encontrava na região, desde há muito, como
observador da ONU. Logo a seguir vieram as finais para a organização e
determinação das ações da tropa da ONU, que passou a denominar-se “UNEF – UNITED
NATIONS EMERGENCE FORCE” - (Força de Emergência das Nações Unidas). O Brasil,
por satisfazer uma série de condições exigidas pela ONU, passou a figurar entre
os países escolhidos como membros dessa Força de Emergência, dentre os 29 países
convidados, e a contribuírem com contingentes militares para a manutenção da paz
mundial.
Foram escolhidos inicialmente 10 países para compor essa Força de Emergência:
BRASIL, CANADÁ, COLÔMBIA, DINAMARCA, FINLÂNDIA, ÍNDIA, INDONÉSIA, IUGOSLÁVIA,
NORUEGA, E SUÉCIA - na integração da UNEF .
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A NACIONALIZAÇÃO DO CANAL DE SUEZ
DIVIDIU BRITÂNICOS:
British Broadcasting Corporation 2006 - Publicada em 11/12/2007 às 09:06 -
Nacionalização do Canal de Suez dividiu britânicos
A crise envolvendo o Canal de Suez, no Egito, nos anos 50, dividiu a
Grã-Bretanha e abalou as relações entre o governo britânico e a BBC.
A crise começou depois que o governo egípcio decidiu nacionalizar a empresa
anglo-francesa Suez Canal Company, em julho de 1956.
Em retaliação, a Grã-Bretanha e a França apoiaram, secretamente, a invasão
israelense à Península do Sinai.
Londres e Paris se ofereceram para intervir e criar uma zona de exclusão entre
Israel e o Egito, mas quando a oferta foi recusada, no dia 31 de outubro de
1956, suas tropas assumiram o controle da zona do canal.
A crise se agravou quando a União Soviética ofereceu apoio ao Egito.
Eram tempos de Guerra Fria, e os Estados Unidos queriam impedir qualquer
expansão da influência soviética. O país então pressionou a Grã-Bretanha e a
França a retirar suas tropas, o que foi feito em novembro.
O que fez desta uma época particularmente difícil para a BBC foi que, ao
contrário de outros conflitos, como a Segunda Guerra, a Guerra das Malvinas ou o
Iraque, não havia um consenso amplo no Parlamento, com os dois principais
partidos - o Conservador e o Trabalhista - divididos.
Apesar de o Partido Trabalhista, liderado por Hugh Gaitskell, ter sido
inicialmente contra a nacionalização anunciada pelo Egito, eles mudaram de lado
e se tornaram extremamente críticos aos conservadores, liderados por Anthony
Eden.
A mudança de lado ocorreu antes mesmo da invasão, em agosto, quando o então
primeiro-ministro australiano, Robert Menzies, que estava de visita a Londres,
se ofereceu para fazer um pronunciamento de rádio em apoio a Eden.
A BBC rejeitou a idéia. John Green, que controlava o conteúdo das transmissões,
acreditava que depois da transmissão do discurso de Eden e de outro, planejado
pelo ministro do Exterior Selwyn Lloyd, a rádio estava sendo parcial, em favor
do governo.
Irritado, Anthony Eden ligou para o diretor da BBC, Alexander Cadogan, para
reclamar.
Os dois eram velhos amigos, e Cadogan solidarizou-se com o primeiro-ministro,
descrevendo em seu diário a decisão da BBC como uma "bobagem".
Mas, apesar do temor dentro da própria BBC de que Cadogan adotaria uma postura
mais intervencionista, a decisão de não transmitir o pronunciamento de Menzies
se manteve.
As orientações sobre os pronunciamentos ministeriais haviam sido definidas em
1947, e o princípio de é que elas não deveriam ser controversas.
Segundo a legislação aprovada pelo Parlamento, elas deveriam lidar com fatos ou
pedir a cooperação pública.
Mas, se a oposição achasse que uma transmissão havia ultrapassado esta linha,
seu líder no Parlamento poderia pedir o direito de resposta.
Se o governo se recusasse, a junta de governadores da BBC era chamada a
arbitrar. A situação pôs esta junta em uma situação complicada, por ter que
tomar uma decisão política.
Como explicou o diretor-geral Ian Jacob: "Os procedimentos que governam as
transmissões políticas foram desenhados para as controvérsias domésticas do tipo
que normalmente acompanham a vida pública. Uma emergência nacional quando a ação
do governo não contava com o apoio nacional apresentava um novo problema".
Depois da invasão israelense, em 29 de outubro, a crise aumentou. O
primeiro-ministro, Anthony Eden, fez um pronunciamento, e o líder trabalhista
exigiu direito de resposta.
Eden foi contra a idéia, acreditando que o país deveria estar unido no que ele
via como uma guerra e temendo que o moral das tropas fosse prejudicado. Mas ao
ser chamada para arbitrar, a BBC concordou com o pedido dos trabalhistas.
O pronunciamento de Hugh Gaitskell, no domingo, 4 de novembro, aumentou ainda
mais a divisão. O assessor para Relações Públicas de Eden, William Clark,
sugeriu que ele fosse editado para a transmissão pelo Serviço Árabe, que chegava
ao Egito.
Depois, Clark revelou que "vários esquemas para disciplinar a BBC" foram
discutidos na época.
Houve até informações, nunca confirmadas, de que o governo chegou a pensar em
assumir o controle da BBC. Mas Eden queria contar com o mesmo apoio da BBC que o
governo obteve durante a Segunda Guerra.
O grande problema, segundo Eden, foi o modo como os serviços de língua
estrangeira retrataram as diferenças dentro da Grã-Bretanha.
Mesmo antes do início da ação militar, os comentários sobre a imprensa britânica
transmitidos pela BBC mostravam as críticas ao governo publicadas nos jornais. O
governo acreditava que isso minava sua posição quando ele tentava fazer
ultimatos ao Egito.
Para deixar a questão clara, Jacob foi convocado pelo Ministério do Exterior e
informado de que os ministros planejavam cortar o financiamento da BBC em 1
milhão de libras, com o dinheiro sendo enviado aos serviços de informação do
governo no exterior.
Jacob e Cadogan, diretores da BBC, protestaram junto ao ministro sem pasta RA
Butler, e tiveram a ameaça de corte reduzida pela metade. Mais tarde, ela foi
suspensa totalmente.
Mas o governo queria manter uma pessoa de confiança na BBC para monitorar as
transmissões, e depois do início do ataque anglo-francês, em 29 de outubro, um
representante foi enviado à sede do Serviço Mundial para vetar boletins em
árabe.
Nos próximos meses, sob ataques regulares do Ministério do Exterior e de
parlamentares conservadores, a BBC manteve seus princípios e transmitiu as
mesmas versões da história para suas audiências doméstica e internacional.
Quando a empresa noticiou um editorial do jornal Manchester Guardian,
descrevendo a invasão anglo-britânica como um "ato leviano sem justificação", a
decisão foi apoiada pelos diretores, que determinaram que a revista da imprensa
deveria continuar como sempre.
No fim, o governo britânico acabou cedendo na crise do canal. A pressão
internacional dos Estados Unidos e das Nações Unidas forçou Eden a retirar as
tropas britânicas do Egito pouco depois, e o primeiro-ministro, doente e
exausto, foi se recuperar na Jamaica. No ano seguinte, ele renunciou.
de Theodoro da Silva Junior <theojr@terra.com.br>
data 07/03/2008 15:26
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