O Conflito no Oriente Médio
Entenda o conflito no Oriente
Médio
A partir da destruição
do segundo templo em Jerusalém (70 a.C.), pelos romanos, o povo
judeu deu início à sua dispersão pelo mundo (A Diáspora), fruto da
dominação e de perseguições sofridas em seu território de origem.
Desde então, os israelitas mantiveram o objetivo nacional e
messiânico do retorno à pátria. Durante séculos, contudo, esse
propósito tinha, exclusivamente, uma dimensão religiosa, pouco ou
nada sendo feito de concreto para realizá-lo.
No século XIX,
quando explodiram na Europa Oriental os nacionalismos dos povos
então sob impérios multinacionais, como os Austro- Húngaros, Russos
e, parcialmente, o Turco-Otomanos, também o povo judeu começou a
formular, de maneira política, a criação de um moderno Estado
Judeu.
Nascia o sionismo: nacionalismo judaico que prega a
ação política para recriar Israel em seu território original, a
Palestina, então em mãos turcas. Para o avanço das idéias sionistas,
cuja origem é atribuída a Theodor Hertzl, escritor judeu-húngaro que
redigiu “O Estado Judeu”, também contribuiu um crescente
anti-semitismo que ganhou corpo no leste europeu. O preconceito
contra os judeus levava-os a aspirar por um país próprio.
Na
passagem dos séculos XIX e XX, o movimento sionista ganhou adeptos
de várias ramificações - socialistas, religiosos e outros - que
visavam levar colonos judeus para a Palestina, atraindo
particularmente os jovens.
O holocausto e a fundação de
Israel
Terminada a Segunda Guerra Mundial, os povos
contemplaram estarrecidos a libertação, pelos Aliados, dos campos de
extermínio da Alemanha Nazista, onde foram mortos 6 milhões de
judeus.
O “Mundo Livre”, liderado pelos EUA, sentiu-se em
“dívida moral” para com os judeus, o que fortaleceu o sionismo. Além
disso, milhares de judeus deslocados de suas pátrias de origem,
acalentavam um grande sonho: morar no seu próprio país.
Em 29
de novembro de 1947, a Assembléia Geral da ONU decidiu a “Partilha
da Palestina”: um Estado Judeu (Israel), um Estado Palestino e
Jerusalém - cidade 3 vezes santa - que seria internacionalizada sob
o comando da ONU. Jerusalém é considerada sagrada pelos judeus,
palestinos e cristãos.
Os judeus imediatamente aceitaram a
proposta, enquanto os árabes, por seu turno, não. Em maio de 1948,
quando os britânicos evacuaram a Palestina e era fundado o Estado de
Israel, as nações árabes, lideradas pelo Egito e pela Jordânia,
atacaram o recém-nascido país. Ninguém apostava na sobrevivência de
Israel, principalmente porque seu sistema de defesa estava ainda em
fase de organização.
Para a surpresa mundial, os sionistas
venceram a chamada “Guerra de Independência”. Durante ela, muitos
árabes palestinos saíram ou foram expulsos de Israel, originando o
até hoje complicado “problema dos refugiados palestinos”, que, em
1964, criaram a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) -
organização multipartidária - então destinada a combater
Israel.
Em 1956, Israel temendo o novo líder egípcio Gamal
Abdel Nasser, alia-se aos ingleses e franceses para atacar o governo
do Cairo, que nacionalizara o Canal de Suez, de propriedade de um
consórcio anglo-francês.
Apesar de vitoriosos, os israelenses
e as duas nações européias saíram do Egito sob pressão
internacional. Nascia um herói para as massas árabes: Nasser.
Nasser usava uma retórica agressiva contra Israel,
anunciando que iria “expulsá-los para o mar”. Os judeus, temendo uma
agressão, realizariam um ataque em 05 de junho de 1967, a chamada
“Guerra dos Seis Dias”, conquistando Jerusalém Oriental, ocupando a
Cisjordânia, o Planalto de Golan, que pertencia à Síria, e o Deserto
do Sinai e a Faixa de Gaza, até então pertencentes ao
Egito.
Um sinal de esperança
Após uma outra
guerra, a do “Yom Kippur” (Dia do Perdão), em 1973, o Egito agora
sob a liderança de Anuar Sadat e Israel, do primeiro-ministro
Menachem Begin, após visitas mútuas dos dois líderes à nação rival e
por pressão americana, estabeleceram a “Paz de Camp-David”, em
1979.
Isso estimulou o difícil processo de paz na região,
marcada por constantes operações militares e terrorismo.
Em
1993, após a “Conferência de Oslo”, o líder palestino Yasser Arafat
e o primeiro-ministro de Israel, Yitzrak Rabin, concordaram na
devolução progressiva, aos palestinos, de regiões da Cisjordânia,
por Israel. Essa decisão teria motivado o assassinato de Rabin por
um extremista judeu.
Hoje, a implementação da paz ainda
encontra obstáculos, notadamente a questão das fronteiras de um
futuro Estado Palestino, que substituiria a atual Autoridade
Nacional Palestina, o problema da volta dos refugiados e a espinhosa
questão de Jerusalém Oriental, onde os palestinos querem estabelecer
a capital de seu Estado e que já foi anexada por
Israel.
Oriente Médio
No Oriente Médio
encontra-se a maior riqueza mineral da Ásia: o petróleo. Ali estão
os principais lençóis petrolíferos do globo, porém a exploração
desse recurso está voltada basicamente para o abastecimento do
mercado externo. Esse fato decorre das características econômicas
desses países que, não sendo países industriais, não apresentam
demanda interna que utilize toda essa matéria-prima.
Como
exportadores de um produto essencial na manutenção do
desenvolvimento e equilíbrio econômico mundial, os países do Oriente
Médio sentiram de perto as pressões das companhias estrangeiras,
muito interessadas no controle cada vez maior da exploração dessa
fonte de energia - 60% das reservas mundiais. Daí, surgiu um
organismo internacional muito forte, criado no Iraque em 1960: a
Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).
A
Opep é o exemplo mais conhecido de cartel - seu objetivo é unificar
a política petrolífera dos países-membros, centralizando a
administração da atividade, o que inclui um controle de preços e do
volume de produção, estabelecendo pressões no mercado.
Da
fonte à bomba de combustível.
O processo de transportar e
transformar petróleo bruto em produtos como gasolina, óleo diesel e
óleo para aquecimento é longo e em alguns casos dura mais de dois
meses.
1. O petróleo é extraído dos campos e levado por dutos
a tanques de armazenagem e depois a navios. Carregar um navio com 2
milhões de barris pode levar vários dias.
2. Cheio de
petróleo, o navio viaja para seu destino.
3. Descarregar um
navio grande pode levar de quatro dias a duas semanas, dependendo do
clima e do porto. No Golfo do México, por exemplo, o petróleo tem de
ser passado para navios menores que transportam o combustível para
armazens.
4. O petróleo tem de ser levado por dutos a
refinarias e transformado em produtos como gasolina e óleo para
aquecimento. Esses produtos então têm de ser transportados, primeiro
por dutos e depois para sistemas menores, até chegar a caminhões que
os levam a postos de combustíveis ou outros centros de distribuição
ao público. O processo todo pode durar mais de dois
meses.
Responsável por 40% da produção e 60% das exportações
mundiais de petróleo (ano 2000), a Opep utiliza o fornecimento e o
preço do produto como uma arma de pressão especialmente no contexto
dos países árabes.
Na década de 1970, por exemplo, os países
árabes da Opep decidiram boicotar o fornecimento de petróleo para os
EUA e outros países que auxiliaram Israel na guerra
árabe-israelense. Em conseqüência, os preços do petróleo
quadruplicaram desencadeando uma recessão
mundial.
Complementando a unidade política que pretendem dar
ao sistema de produção, os países-membros da Opep procuram
desenvolver uma ação conjunta nos planos técnico e econômico, na
intenção de diminuírem as influências das empresas estrangeiras em
seus domínios.
Os principais destaques asiáticos na produção
de petróleo são: Arábia Saudita (1o do mundo) Rússia, Irã, China,
Emirados Árabes, Indonésia, Kuweit e Iraque.
Entretanto, são
exportadores os países que não possuem grande demanda interna de
consumo.
A aridez caracteriza o espaço ocupado pelos países
do Oriente Médio. Apesar disso, a agricultura e a pecuária ocupam
extensas áreas e boa parte da população.
Em meio ao deserto,
há inúmeros oásis onde se pratica uma agricultura de subsistência e,
na planície litorânea junto ao Mar Vermelho, pratica-se a
policultura com destaque para cereais, tâmara e café. Todo o litoral
da Península da Anatólia, na Turquia, tem produções mediterrâneas
que atingem até a Síria, o Líbano, a Jordânia e Israel, onde se
destacam os cítricos, as vinhas, os olivais, além do cultivo de
algodão, trigo e tabaco, principalmente na Turquia.
Na
planície da Mesopotâmia, beneficiada pelos rios Tigre e Eufrates,
encontra-se uma cultura de grãos irrigada, presente também no Irã,
às margens do Golfo Pérsico e do Mar Cáspio e nas fronteiras com o
Afeganistão. Aliás, em pleno deserto da Arábia também se consegue
plantar, utilizando modernas técnicas de dessalinização e
irrigação.
Na verdade, a agricultura israelense é o maior
destaque na região, pois enfrenta o problema da falta de água com
tecnologia e organização agrária. Além dos kibutzim*, a produção se
faz em propriedades individuais e nos moshavim - cooperativas de
proprietários rurais onde cada família cultiva a sua
parcela.
Cerca de um terço da população do Oriente Médio
dedica-se à criação extensiva de gado - são numerosos grupos nômades
que se deslocam com rebanhos de ovelhas, cabras e
camelos.
Com exceção do setor petroquímico, que se destaca
pela abundância de matéria-prima, de modo geral a indústria do
Oriente Médio é pouco expressiva; ela depende, além do petróleo, de
tecnologia avançada, que é controlada pelas grandes empresas
transnacionais.
Observe o mapa acima, para identificar os
setores industriais que se desenvolvem nos principais núcleos
urbanos da região: Ancara - Turquia, Damasco -Síria, Bagdá - Iraque,
Teerã - Irã.
Mas, sem dúvida, é Israel o país mais
industrializado da Ásia Ocidental. O país possui importantes centros
industriais em Haifa e Telaviv, onde se desenvolvem também
equipamentos eletrônicos, aeronáuticos e armamentos.
A
maioria dos países do Oriente Médio tem maior desenvolvimento dos
setores secundários e terciários, apresentando altos percentuais de
urbanização. Entretanto, contrastando com esse dado, encontra-se,
por exemplo, o Afeganistão - com a maior ruralização e uma das
maiores taxas de analfabetismo na região.
Analise os dados
estatísticos para fazer uma idéia da qualidade de vida das
populações no Oriente Médio.
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Kibutz - Fazenda
coletiva de Israel onde se pratica o regime de co-propriedade e
cooperação mútua voluntária. Todas as atividades administrativas e
produtivas são realizadas comunalmente. O kibutz fornece a seus
habitantes alojamento, alimentação, berçários e educação elementar,
de acordo com as necessidades de cada indivíduo. A educação fica a
cargo da própria comunidade. Os primeiros kibutzim surgiram no
início do século XX, originando-se dos ideais socialistas dos
imigrantes sionistas russos. Muitos deles acabaram se tornando
organizações econômicas fortes que incluem indústrias de
transformação. (Fonte: Novo Dicionário de Economia. S. Paulo: Best
Seller, 1994)
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Fonte:
Infoteca eAprender http://www.eaprender.com.br/
Autor(a):
Osvaldo Piffer, Coleção Horizontes, Editora
IBEP