As
estradas de Deserto do Sinai estavam ainda
entulhadas pelos restos calcinados de blindados egípcios, quando a ONU criou a
UNEF 1– United Nations Emergency
Force, os capacetes azuis que doravante iriam se tornar um símbolo de nobre
missão de uma tropa – garantir a paz, graças ao que lhes foi conferido em
1988 o Prêmio NOBEL.
O
Brasil foi integrado a UNEF1 quase que naturalmente,
Através
do 3°. Btl, o famoso 2 de Ouro iria confirmar a sua tradição tricentenária,
coroada pela brilhante participação na Guerra da Tríplice Aliança,
fornecendo 16 dos 20 contingentes.
Hoje,
o atual 2°. Btl Inf Mtz (Es) é orgânico da 9ª. Bda Inf Mtz, que integra o
GUEs da 1ª. DE.
Apenas
uma década depois da odisséia da FEB na Itália, o Brasil enfrenta e vence um
novo desafio militar e logístico. Foi uma proeza, um pais que recém começava a
se industrializar, enviar a milhares de quilômetros uma tropa mantida e suprida
por longos anos.
Foi
a primeira de extenso rol de Missões de Paz, onde a Bandeira Brasileira
tremulou junto com as da ONU e diversas outras Nações Amigas, prestando uma
importante contribuição a divulgação do Brasil no exterior. Hoje, quando o
Brasil pleiteia um assento no Conselho de Segurança, a longa folha de serviços
prestados pelas Tropas Brasileiras em Missão de Paz certamente será um dos
principais atributos favoráveis a considerar.
Mas
não só os Combatentes foram importantes. Transportes, Saúde, Comunicações
eram fundamentais. A Marinha e a Força Aérea cumpriram críticas missões de
transporte da tropa em seus diversos contingentes, bem como suprimentos e
material.
Eram
tempos de comunicações internacionais difíceis. Ainda não havia satélites,
o Batalhão estava conectado pela onda curta, via Estação PTA-2 de Rafah, que
possibilitava aos integrantes até o contacto com familiares, convocados ao PDC
por uma escala.
Os
Serviços de Saúde tiveram que se desdobrar, diante das ameaças de doenças
tropicais e outras prevalentes em uma região de condições precárias, com
nossos médicos militares garantindo a higidez da tropa.
Portanto,
a missão não era fácil, em meio ao deserto escaldante e entre dois inimigos
mortais. Mas tudo corria bem, até que Nasser achou que poderia acabar com o
Estado de Israel, para tanto afastando os capacetes azuis.
Mas
Israel atacou primeiro assestando profundo golpe no agressor desprevenido. Aos 5
de junho de 1967, os soldados da UNEF estacionados na Faixa de Gaza acordaram
com o ronco de centenas de jatos riscando o céu do deserto.
Eram
os aviões de Israel, que em apenas 3 horas destruíram no chão 450 aviões de
5 países árabes. A vitória estava garantida, tendo passado a historia como a
Guerra dos Seis Dias.
Até
os capacetes azuis voltarem para casa, de 1957 até 1967 foram 20 Contingentes,
cerca de 6.300 militares brasileiros entre soldados, cabos, sargentos, e
oficiais, principalmente tenentes, capitães.
O
tempo passou, jovens soldados, cabos, sargentos e oficiais,
agora muitos aposentados ou na Reserva, tanto contribuíram para o
desenvolvimento do Brasil nas mais diversas profissões, hoje todos guardando
com carinho as recordações daqueles tempos passados à beira do deserto.
Na
Rua Dias da Cruz no Méier, movimentado subúrbio do Rio de Janeiro, todo sábado
a Associação dos Integrantes do Batalhão Suez se anima com a chegada dos sócios
para momentos de lazer, churrasco, sinuca.
Fundada
em 23-maio-1958, as décadas se sucedem, mas o entusiasmo continua, congregando
centenas de Veteranos ostentando orgulhosamente a Boina Azul.
Um
dia aquele prédio foi a Agencia da Caixa Econômica Federal do Méier. Esquina
famosa, ponto muito procurado pelo público para serviços bancários. Diante
dos trilhos da Central, próximo da estação do Méier, era uma referencia visível
a todos que passavam de carro ou de trem. O portão ainda sugere a
majestade daquela época, entretanto quem passa hoje de carro quase não o
percebe. Apenas os mais atentos notarão pelo espelho retrovisor a placa da
Associação, à retaguarda ... introduzida a mão-dupla na Dias da Cruz, o portão
fica bem acessível aos pedestres, mas encoberto para os carros ...
A
Caixa cedeu o prédio, mas deixou o IPTU que virou bola de neve, hoje dívida
impagável de 400 mil reais.
As
bandeiras do Brasil, do Batalhão Suez e da ONU altaneiras recebem os visitantes
no hall de entrada. Mas a dívida deixa no ar a questão: até quando?
A
nossa primeira tropa de paz merece que as suas memórias permaneçam vivas ainda
durante muito tempo, justamente hoje em que na mesma região outra força
multinacional está prestes a ser convocada.
As
décadas passaram, mas as mesmas ameaças se repetem, seja do deserto ou das
montanhas pedregosas. A bandeira verde que insuflava as turbas fanáticas hoje
é amarela, mas permanece a mesma retórica absurda. Pobres dos que sofrem, de
qualquer religião ou nacionalidade, vítimas do desentendimento que a
Humanidade ainda não conseguiu superar...
Mas
a vida continua, e no Desfile de 7 de Setembro, sempre muito aplaudidos, os
Veteranos de Suez marcam a presença da nossa primeira, maior e mais tradicional
Força de Paz.
Passados
50 anos, que a Associação dos Integrantes do Batalhão Suez continue ativa e
vibrante por muito tempo como apreciável referência.
Aos
Veteranos que cultuam a memória de um episódio marcante da História Militar
Brasileira, a certeza de que bem cumpriram a missão !!!
BRASIL
ACIMA DE TUDO !!!
Veterano
Samuel Muniz Gonçalves, Diretor Secretário

| (*) Sr.Israel Blajberg não
integrou o Btl Suez, mas cursou o CPOR/RJ. Hoje ele é Assessor Cultural da Associação dos Ex-alunos do
CPOR. iblaj@telecom.uff.br |