18º - Contingente - Stans Zouain Filho - A Grande Torcida
Cedidas por Stans Zouain Filho - 18º A Contingente - 7ª Cia.
" ...Uma história do meu livro, desta vez, bastante engraçada. Aconteceu em Rafah Camp, local em que o Alceu do 10º Contingente, conheceu na palma da mão, pois serviu lá na MP em 1962. Eu também servi lá, más no Fort Worthington, durante 7,5 meses + os 5 outros meses na Fronteira, onde aconteceram as outras duas histórias do livro que já estão neste Site."
A GRANDE TORCIDA
Rafah Camp
Para os que não conheceram, Rafah Camp era o coração das Forças da ONU na Faixa de Gaza, tudo dependia de lá: transportes, suprimentos, equipes técnicas de manutenções, enfim, apoio total a toda UNEF. Além disto, havia: Hospital, aeroporto, campo de golfe, quadras esportivas, cantinas, etc.
Era uma grande área, onde cada país que integrava as Forças da ONU, tinha sua função especifica. Da parte do Batalhão Brasileiro, havia o PC da 7ª Cia, situado no Fort Worthington.
Também toda a 8ª Cia, distante aproximadamente uns 800 metros do Fort, e cuja função era de dar segurança ( guarda ) total, dia e noite, a toda Rafah Camp, onde...
... na tarde dia 20 de fevereiro de 1967, após vários dias de campeonato de voleibol entre os países, ficaram para a grande final - Brasil e Índia.
Além dos brasileiros do Batalhão, ou Campo Brasil ( integrantes dos Contingentes: 18º- Recife, 18ºA - Rio e 19º - São Paulo, todos já em final de Missão ) e indianos que serviam em Rafah Camp, vieram também, de outros locais da Faixa, e principalmente das Fronteiras dos desertos de Negev e Sinai, vários caminhões Bedfords "abarrotados" de torcedores que se amontoaram ao redor de toda a quadra, quase se misturando.
Foram 5 partidas de jogo duro, bonito e, principalmente, pra lá de divertido.
Os Indianos eram altamente disciplinados e, por isso, muito bem treinados.
No Cabo de Guerra, por exemplo, os adversários que procurassem disputar o segundo lugar em qualquer campeonato, pois ninguém ganhava dos Indianos, eles tinham uma tática infalível:
Milésimos de segundo entre o sinal de partida e o puxão da corda pelos adversários,
eles davam um puxão tão forte e sincronizado que arrastava os adversários, tirando-lhes todas as chances de recuperação. Sem nenhum exagero, os torcedores dos outros paises se limitavam a ver por quanto tempo o seu grupo conseguia segurar a corda, ou serem arrastados cada vez mais.
No voleibol eles também eram bons, tanto é que venceram, mesmo apertado, a partida por 3x2; aliás, havia um jogador indiano que dava um saque não muito forte, mas bastante venenoso, com um efeito impressionante, e poderíamos dizer, com certeza, que foi ele que ganhou o jogo! Quando chegava vez do cara sacar, os seus torcedores entravam em delírio, e por falar em torcidas...
Elas foram um destaque à parte, durante as 5 partidas...
... foi aquela bagunça, foi aquela gritaria, foi aquela festa!
Quando o time indiano fazia ponto, sua torcida se juntava de braços dados e corpos colados lado a lado, um com o outro e numa espécie de ritmo exótico, pulavam com um só pé, enquanto que a outra perna ficava solta no ar, ligeiramente inclinada para frente e cantavam algo parecido com:
- HÁHÁHÁ!... HÁHÁHÁ!... HÁHÁHÁ!... HÁHÁHÁ!... HÁHÁHÁ!...
E repetiam tudo com o outro pé e a outra perna fazendo uma espécie de dança folclórica. Era uma espécie de "Grito de Guerra" cantado, na verdade o quadro era muito bonito e vibrante.
E enquanto isso os torcedores brasileiros, a cada ponto nosso...
( como no lance da foto, o Tenente Jobst pelo Brasil, levou a melhor sobre o indiano que tentou em vão o bloqueio )
... pulavam, dançavam, cantavam músicas de carnaval com as letras trocadas, além das piadinhas endereçadas aos jogadores indianos que, sem os turbantes, deixavam seus longos cabelos à mostra embora presos.
Na verdade era gozação pura e bem recebida por eles, que estavam sempre em vantagem nos pontos, embora de forma bem apertada.
Lá pelas tantas, já acostumados com o time perdendo, os nossos torcedores trocaram o nosso carnaval pelo folclore deles e a coisa ficou super engraçada.
A cada ponto nosso, todos se juntavam de braços dados e pulavam para lá e para cá, gritando:
- HÁHÁHÁHÁHÁHÁHÁ!... HÁHÁHÁHÁHÁ!...
Foi um grande espetáculo porque os brasileiros, além de não fazerem a coisa direito e sendo bastantes "criativos" acrescentaram uma certa bossa e os indianos ( que mesmo fazendo suas algazarras, eram pessoas muito sérias ) não se contiveram, como riram naquele dia!
E eu? Cheguei a cair no chão, uma vez, de tanto rir!
Na foto acima, vemos a Guarita de Entrada do Fort Worthington ( PC da 7ª Cia ) e parte da cerca de concertina que circundava o F.W. Logo após, vemos a estrada interna que ligava a Guarita do F.W. ao Main Gates ( portão de entrada de Rafah Camp ), cortando parte do campo de golfe. Esta estrada, ao final da reta, perto dos Galpões,
virava à esquerda. Ao fundo, à esquerda, diversas dependências de Rafah Camp, dentre elas o Blue Beret, parte de um Pelotão Indiano e Galpões diversos. E perto das árvores maiores, a quadra do grande jogo.
A 8ª Cia situava-se também no fundo à esquerda, mas não aparece na foto.