UMA PIADA INCONSEQÜENTE

Por Theodoro 


UM HERÓI NO BATALHÃO SUEZ

Prezados companheiros:

        A nostalgia do Btl.Suez, está repleta de fatos, muitos deles já folclóricos e inusitados que enaltece a grandiosa magia, e o eterno prazer de estar ouvindo e às vezes repassando algumas gotas, das lembranças daquele memorável passado.

        Já muito ouvimos de companheiros, fatos e narrativas que ainda merecem credibilidade ou maior comprovação quanto ao mérito, porém todos sabemos a vontade que alguns Soldados costumam extrapolar, muitos se gabando até das inúmeras noitadas com mulheres....pasmem, em pleno deserto, dentro do próprio Batalhão Brasileiro, ou numa das suas sub-unidades de fronteira.

        È possível acreditar nisso.???? – vejam só o que me contaram em Caçapava...como também sabemos, alguns “habibs” trabalhavam como civil no interior da nossa Unidade Militar, e aos poucos alguns deles iam granjeando simpatias, outros já eram “malandros por natureza” ao estilo bem brasileiro, graças à longa convivência recíproca e diária com nosso pessoal, inclusive muitos dos habibs falavam melhor o português que alguns dos nossos soldados. Bom! não sei se estou exagerando, porém era verdadeiro que muitos habibs falavam muito bem nossa língua, disso ninguém poderá negar.

        Então com essa facilidade de comunicação e jogando por cima de todas as conversas, o lado brincalhão, bem ao estilo “malandro” de muitos dos nossos soldados, sempre pairava no ar o grande desejo e aventura de botar em prática algumas das muitas fantasias da nossa juventude. 

        Um dos grandes desejos, era sem dúvidas, “namorar” alguma -HABIBA, bem ao estilo das...”Mil e Uma noites”... mas como? Se a religião deles proibia e proíbe que suas mulheres tenham aventuras com os “infiéis”, sequer estranhos poderiam olhar para o rosto de suas mulheres, que dirá outras coisas???

        Aliás também sabíamos que a prostituição nos países árabes é terminantemente proibida, e as mulheres que infringirem essa Lei são punidas severamente, algumas condenadas até a morte com as famosas pedradas.

        Mas o soldado brasileiro não acreditava muito nessas conversas e de tudo fazia para quebrar algum estatuto de qualquer regulamento, principalmente quando as coisas são proibidas, e quando se trata de procurar satisfazer seus instintos, então nem se fala,... fazia de tudo para burlar a Lei ou qualquer norma. Aí é que o folclore brasileiro entra em evidencia, e na base do “Boletim de Soldado” a notícia se espalhava por toda Faixa de Gaza na proporção de ordem geométrica,... diziam...que aquele, ou aquele outro “habib” era também CAFETÃO e que com o jeitinho bem brasileiro, e com alguns dos nossos soldados plenamente evolvidos, alguns trocadinhos – “baquexis”- era possível conseguir uma, ou mais de uma mulher árabe, “MARA” como se pronunciava mulher em árabe, haveria de existir algum meio, mesmo que ilícito, para que alguma “MARA” pudesse vir satisfazer as necessidades de alguns. Mais de uma seria melhor ainda. 

        Há que se confirmar tudo isso, porém eu pergunto, quem já não ouviu dizer que lá ...uma vez ou outra... haviam mulheres fazendo expediente noturno no interior de alguma das nossas barracas?. Mas seria isso possível mesmo??? No Boletim de Soldado isso foi uma verdade concreta, e diziam... bastava escolher um bom “cafetão”

        Com certeza o Cafetão escolhido sempre conseguiria algumas das habibas que, enfim, davam atendimento para mais de cinco elementos, dizem que era tudo rapidinho, e que ao preço combinado, o “cafetão” ficava na entrada da barraca do banheiro onde funcionava provisoriamente a “alcova” de nossos soldados.

        Será que isso realmente acontecia nos bastidores, e em surdina das madrugadas do Oriente Médio ??? se for verdade ou não nunca sabemos ao certo, porém é folclore e um mito que perdura até os dias de hoje nas nossas conversas.

        Nesses bate-papos das reminiscências da grande Missão, depois de alguns goles, já madrugada adentro, o nosso personagem, soldado Zezinho, soltou a sua versão que me fez rir um bocado.

        Diz o soldado Zezinho, que numa daquelas “noitadas de cafetão”, onde compareceram três “maras” para as bestialidades e orgias de soldados, isto é, três meninas daquelas estariam de plantão, e a disposição de vários soldados, na alcova improvisada da curta madrugada, onde cada uma delas atendiam cerca de cinco, ou oito a dez soldados, deixando muitos deles plenamente satisfeitos, e o bolso do Cafetão recheado de piastras, ou muitos de maços de cigarros.

        Numa madrugada de um sábado para domingo, quando as coisas, normalmente estavam calmas, a turma do Zezinho resolveu bebericar às escondidas, e como o cafetão tudo conseguia, eles deram um jeito de consumir algumas garrafas de uísque, mesmo sem gelo, e no bico da garrafa todos daquela “chacrinha”, enquanto aguardava um grupo de “habibs” dar algum sinal por entre os cactos e pés de mamonas por ali existentes. Ficaram bebericando e despistando a atenção do comando, fazendo suas algazarras. De repente a notícia tão aguardada... as três raparigas estão lá na barraca dos Banheiros, em camas improvisadas, a espera de seus clientes. Com a bebida na corrente sanguínea e aquele entusiasmo, esqueceram das horas, e quando viram já se aproximava o raiar do dia. Dispensaram, rapidamente o Cafetão e suas mulheres e cada um tentando ir curtir um sono reparador , como se nada de anormal tivesse acontecido. Porém...

        Como sempre existe alguém que vê tudo, não há crime perfeito, o “baba-ovo” e puxa saco de plantão, correu avisar o Capitão comandante da Unidade, o que estava enxergando, e “dedurou” aquele estranho pessoal saindo de mansinho das nossas instalações, com a conivência de alguns dos soldados que estavam de plantão.

        O Capitão ainda pode ver a equipe do cafetão já lá, bem distante, e resolveu tocar “deguelo”, chamou o Corneteiro e ordenou o toque ALVORADA antecipada em caráter de emergência, pois queria todos em Forma imediatamente.

        Mandou o seu “baba-ovo” ir avisando que era para todos depressa entrarem em forma imediatamente, e com ajuda do toque de corneta, e ainda mais os berros do Capitão, auxiliados pelos seus subalternos imediatos ajudantes, Tenente e Sargentos, vimos toda soldadesca correndo e entrando em forma, estranhamente, alguns fingindo nada entender, quando então e enfim somente faltava à turma do Zezinho, que iam aparecendo ainda com a visível expressão de muito sono e ressaca dos goles que tomaram até a bem pouco instante. Todos foram obedecendo ao chamado de emergência do Capitão. 

        Eis que de repente uma cena com o nosso personagem , o Zezinho, que vem correndo e solicitando permissão para entrar em forma. Todos começaram a rir e até a gargalhar da maneira como o fato aconteceu, e também das roupas dele.

        Nosso personagem saiu da sua cama ainda transtornado, sonolento e inconsciente, se transformou no motivo das gargalhadas daquele domingo bem cedinho, chamando muito a atenção pelo modo como estava vestido. Bastava olhar para ele.

        O Zezinho, abrindo a boca se enquadrou e falou...

- ”permissão para entrar em forma” 

e o Capitão, tendo todos os demais rindo à toa e descaradamente, começou um dialogo., dizendo...

-”Um momento Superman!!!!!”.

Pois não Capitão, respondeu Zezinho 

- o Capitão falou

- Meu Superman, você não consta da Escala de Serviço desta noite... por que é que ainda está com tanto sono assim? 

E ele respondeu que ficara, madrugada adentro, conversando com amigos e esqueceu da hora.

- Cap. Quais amigos Supermann?? Você poderia me dizer? 

- Sabe como é Capitão, eu não posso ficar entregando aqui meus amigos....

O Capitão interrompeu... 

- “Meu Superman, já que você ficou acordado, poderia me dizer quem era aquele pessoal habib que passou, às pressas, bem cedinho por aqui, perto do nosso Pelotão???...”.

- Não sei dizer Sr. Capitão,

- Como é meu Superman??? 

– o quê!!! ... afinal Superman, você. Não viu???

- Meu Superman , será que realmente você viu? Ou será que não viu???

- Bem Capitão, ...Eu confesso... vi aquele pessoal, sim Capitão....

- Superman porque é que você não avisou o Plantão, você sabe que são proibidas pessoas estanhas e suspeitas circulando nas imediações da nossa unidade fora de hora?

- Sei sim Capitão,

- Meu Superman, você sabe que a falta de atitude compromete a Missão da ONU pondo em risco nossa segurança? E ainda o bom nome da tropa brasileira???

- Sei sim Capitão, mas...mas... - me desculpe Capitão... Eu já não agüento mais ouvir o Senhor chamar-me de “Superman”... vou pedir ao Senhor que, por favor, me fale porque está, a toda hora, me chamando de Supermann???, eu não sou isso que o Sr. Está falando...

E o Capitão falou alto...  - MAS PARECE....

Pois só o Superman usa cueca por cima da calça.

AH! AH! AH! AH! Ah! Ah!…...

Vimos à explosão de uma sonora e estridente gargalhada geral, ... somente aí que o Zezinho percebeu que, na pressa e com muito sono, vestira a calça da farda primeiro, e por cima desta vestiu a sua cueca, não deixando nenhuma dúvida do que esteve aprontando poucas horas antes.

Será que naquele grupo de “habibs havia – Cafetão e cafetinas???”. 

Oh!! Dúvida cruel...

Coisas de Suez.!!!!!!!!!

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De: Nêne-Theo SILVA <nene_theo@yahoo.com.br> 
Data: Wed, 21 Apr 2004 16:30:11 -0300 (ART)


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