10º Contingente - Theodoro Silva Jr.
"Habibe Dagura 1"

Meus caros amigos:
Aqui estou novamente com minhas reminiscências, agora apresentando outro
"Habib" que teve uma boa participação nas histórias do Btl.Suez. Estou falando do
DAGURA. Não lembro o nome completo dele.
O Dagura fez os primeiros contatos com brasileiros do Btl.Suez, no mês de setembro 1962, por coincidência e puro golpe de sorte e prazer, comigo e com o Cabo Silvio Ribeiro (10º Contingente hoje residindo no Rio de Janeiro), quando... numa noite, após o jantar no AMBASSADOR HOTEL no Cairo (Rua Solimam Pachá, onde estávamos hospedados), fomos a Cafeteria, lá uma voz abrasileirada mexeu conosco, éramos os brasileirinhos que, no meio daquela multidão de árabes tomávamos um cafezinho no balcão do estabelecimento e conversávamos descontraídamente, lembrando do Brasil, obviamente.
O Dagura, ouvindo nosso "papo", na conversa com o Silvio, aproveitou o "gancho" se aproximou dizendo que ... há pouco tempo residira no Brasil em São Paulo, onde seu Pai trabalhou no Consulado Egípcio e cidade onde morou, com toda família, por mais de 15 anos.
Deu detalhes da capital paulista, não deixando dúvidas que ele muito bem conhecia tudo sobre o Brasil, inclusive nem parecia um egípcio, estava vestido à ocidental, e tinha um sotaque puramente brasileiro, o que tornou aquele inesperado encontro um acontecimento muito saudável e que marcou nossa passagem pelo Cairo. Depois daquele memorável encontro passamos a ser amigos, inclusive eu e o Silvio combinando retornar ao Cairo brevemente. E foi o que fizemos.
Voltamos no inicio de novembro por mais uma semana e desfrutamos da companhia do Dagura por todo o canto daquela magnífica cidade, e novamente, mais tarde, fizemos outro retorno ao Cairo, agora estaríamos comemorando nossos aniversários (meu e do Silvio - mesmo dia de dezembro), com uma prévia e festiva programação na residência dos pais do Dagura. Acabou sendo um dia festivo e inesquecível.
Esse terceiro encontro com o Dagura acabou sendo o mais sensacional, Foi muito legal.Também tivemos a feliz oportunidade de desfrutarmos da hospitalidade e companhia daquele egípcio, que mais parecia ser outro brasileiro, no Cairo.
Voltávamos outras vezes em
"leave por conta própria" ao Cairo por causa dele, agora pela última vez antes do final da missão
e na somatória geral, tivemos o grande prazer em poder conviver tantas e várias boas horas juntos, nessas oportunidades era a hora em que ele nos levava para conhecer todos os quatro cantos e conhecer todos os macetes da cidade do Cairo. Inclusive andamos em ELEFANTE NO
ZÔO. ---Alô Silvio...cadê as fotos????
Almoçamos algumas vezes na casa dele e evidentemente conhecemos o aconchego e a grande simpatia daquela magnífica família: pais, irmã, uma avó, um primo, e degustamos de famosos pratos da culinária árabe, após as farturas da mesa árabe, ainda sobrava espaço para aquela coalhada, após a refeição, culminando com aquele gostoso chá, sabor de frutas e coloração avermelhada, tudo uma verdadeira delícia, que se transformaram em momentos inesquecíveis da Missão.
Uma irmã mais velha do Dagura, a Dra. CARMEM, era Cientista egípcia e também Professora na Universidade do Cairo, nos levou - juntamente com seu irmão Dagura, a uma visita em plena sala de aula daquela Universidade, onde lecionava. Assim sendo eu posso afirmar, orgulhosamente, que já assisti uma aula na Universidade do Cairo.
Evidentemente o Silvio também pensa assim.
Bom, a Presença do Dagura na vida de alguns brasileiros, eu considero como muito importante para a História dos Boinas Azuis do Btl.Suez, pois ele acolheu também muitos outros companheiros de Missão.
Acabou se constituindo um ponto de contato e referência de destaque, uma vez que ele era apresentado para quase todos os brasileiros que para lá se dirigiam nos
leaves, e ele - como um quase brasileiro que era, também sabia das "malandragens e das nossas irrevererências", participando de algumas das nossas "batucadas", aliás, diga-se de passagem, proibidas pela polícia egípcia, porém nosso espírito alegre e descontraído, sempre arrumava um cantinho isolado em hora adequada para soltar nossa brasilidade e ficava fácil para ele descobrir onde tinha brasileiro - toda semana- no Cairo.
Certamente ele colaborou, e muito ajudou, à outros vários dos nossos soldados no Cairo, inclusive como cicerone e intérprete/tradutor nas muitas ocasiões.
Tudo isso, ao mesmo tempo, em que o Dagura nos apresentou a dois Radialistas Brasileiros, JORGE SILVA era o nome de um deles, que atuavam em Programas internacionais na Rádio do Cairo, em horários especiais para a língua
portuguesa / brasileira.
E por mais essas novas amizades - internacional, tivemos a feliz e grandiosa felicidade de, numa noite, visitar aquela emissora de Rádio e ainda poder falar naquele microfone, ao vivo, em nossa língua, ao ser entrevistados pelos radialistas, numa reportagem muito descontraída, estilo bate-papo em que o enfoque era a presença da ONU e de brasileiros na Faixa de Gaza e Oriente Médio, que durou toda programação daquela noite. Sentimo-nos lisonjeados naquele momento e orgulhosos por sermos brasileiros em Missão de Paz.
Veja-se que no Livro do Roberto Brenol -" Btl.Suez - fora de Forma... Marche!!" - o DAGURA é citado, por isso mais posso afirmar, com toda convicção, que ele (Dagura) foi uma personalidade muito importante da nossa história e que certamente conheceu vários outros brasileiros, até o final da nossa Missão. Pena é que poucos ainda lembram dele.
Quem sabe alguém mais, companheiros da Missão de Paz, poderiam lembrar e falar outras histórias do Dagura, da Dra. Carmem e dos dois Jornalistas Brasileiros que trabalhavam na Rádio do Cairo, aliás, a irmã do Dagura, a Dra.Carmem também fazia parte da programação, diariamente, daquela Rádio em horário especial falado em Português, cujas ondas sonoras atingiam parte da Europa e
Oriente Médio.
Eu particularmente tenho pelo Dagura, e por todos da sua boníssima família, o maior apreço e gratidão, sem nunca esquecer os muitos e maravilhosos momentos na capital do Egito.
Quem sabe divulgando no Site as fotos, em anexo, onde estamos juntos no último dos inesquecíveis "leaves" ao Cairo, olhando as fotos, possam despertar outras lembranças, e quem sabe outros soldados do Btl.Suez ao tomar conhecimento daquele egípcio quase brasileiro, mostrem outras histórias e fotos do Dagura. Torço muito por isso. ALÔ BRENOL!!!
A seguir sobre as quatro fotos que encaminho:

