BREVE RELATO - 2
É NATAL...QUE SAUDADE DE CASA...

Envelope - anverso

Envelope verso

Este é o modelo dos cartões de NATAL adquiridos na cantina dos canadenses que foram enviados aos nossos parentes do Brasil.
LEAVES CENTER

Mapa da Região - Lugares permitidas para passeios.

Viagem à Jerusalém - Partida no Aeroporto de El Arish
CAIRO - EGITO


O compacto popular entre nossos soldados em 1962
BEIRUTE -LIBANO

Nos picos das montanhas - Cedros - Líbano
CRUZEIRO

Nosso soldo na ida, era paga com nossa moeda nacional circulante e que tínhamos que fazer a troca.
LIBRA EGÍPCIA

5 piastras - nota e moeda

10 piastras - nota e moeda
Moeda nacional circulante no Egito, o comércio com dólar era proibido. O valor de uma libra egípcia equivalia a 100 piastras. Era com esse dinheiro que o governo egípcio nos pagava, uma gratificação acordada com as Nações Unidas, e servia para custear nossas despesas pessoais.
DÓLAR

Moeda não circulante no Egito naquela época. O soldo pago pela UNEF nessa moeda era depositado em banco americano em Beirute.Entretanto era feito adiantamentos desta moeda somente para gozava as férias em Leave centers - centros de férias programados pela UNEF. O saldo restante da conta era paga no final da missão, em viagem de retorno ao Brasil. Dava para fazer uma poupança ou comprar muitas lembranças.
Partida do 12º Contingente para substituir o nosso 10º Contingente, Jornal "O GLOBO"

“OS PRACINHAS SEGUIRAM DEBAIXO DE GAROA”
- Com tempo escuro, uma chuva fina e intermitente e ao som da “Valsa da Despedida”, seguiu sábado (foto) o l2° Batalhão de Suez (Correção: Contingente) composto de 259 homens comandados pelo Tenente.Coronel Tiago Torres. Quase mil pessoas, entre parentes amigos e curiosos, compareceram no “píer” da praça Mauá, para as despedidas. As bandas de música do 2º Regimento de infantaria e do Corpo de Fuzileiros Navais executaram
- marchas militares O “Barroso Pereira”vai escalar no Recife, Lisboa e Barcelona e chegará a Port Said a 6 de janeiro. Compareceram os generais Osvino Ferreira Alves, comandante do I Exército, e Augusto Maggessi, Presidente do Clube Militar e o Almirante Luiz Clóvis de Oliveira, Comandante da Força de Transporte da Marinha.
PS.- Recorte do Jornal enviado pelo meu pai para o meu conhecimento.
VIAGEM DE VOLTA AO BRASIL > Navio "Barroso Pereira"


De Port Said com escala em Beirute, Nápoles, Marselha, Genova, Casablanca, Recife e Rio.

Port Said - embarque Beirute Nápoles

Basílica de S.Pedro -
Roma
Marselha

Gênova Casablanca

NOSSA CHEGADA AO BRASIL
No dia nossa chegada ao Rio tudo se passou rápido. Todos
nós, estávamos estressados devido a longa viagem marítima, bem como, ansiosos para
rever nossos parentes lá no Paraná que já estavam a nossa espera após uma ano e meio de
nossa ausência.
Pouco me lembro do dia13 de fevereiro de 1963, mas, foi maravilhosa a recepção na chegada do nosso navio"Barroso
Pereira" no píer da Praça Mauá próximo ao cais já dava para
ouvir o som da banda militar com muitos acenos de pessoas na multidão.
Fomos transferidos do navio para uma "chata" para desembarcar no
cais. O Navio seguiu mais pra frente para o desembarque de materiais do
Exército. Transferido-nos da chata para o cais do porto, colocamo-nos
em forma por Cia, e prosseguiu a
cerimônia festiva, destacava-se as autoridades civis e militares, parentes dos companheiros que foram ao local para
nos recepcionar, e alguns fotógrafos e
repórteres de jornais etc...
Houve o desfile que não me lembro bem , numa avenida. E voltamos ao cais e ficamos em forma no acostado do navio para receber as homenagens e em seguida fomos transportados para os caminhões
militares direto para o quartel da vila militar.
Naquele momento, ainda pude ver, no meio de tanta agitação, os guinchos transferindo os nossos caixotes do navio para os caminhões do exercito. Me
lembro que quando chegamos ao aquartelamento do III/2RI, para o almoço com
muito atraso e atordoados.
Estávamos próximo do carnaval e tudo estava muito agitado no Rio. Começamos a procuramos passagens ou outro meio de locomoção para a volta pra casa.
Por ser bancário anteriormente e preventivo, abriu uma conta bancária com meus dólares, que troquei numa Casa de Câmbio na avenida Rio Branco.
Antes de ir para Suez, era costume de todos alugar uma quarto num prédio no centro do Rio, para trocar a farda pelo paisano para passear e tomar chopp pelas praias do Rio. A noite regressávamos ao Quartel. Más nesse retorno de Suez, não me lembro, se repetiu o mesmo procedimento anterior.
Eu e a maioria queríamos dar baixa mais rápido possível e seguir pra casa.Houve nesse ínterim, o exame médio, necessário para expedir a tão solicitada, o certificado de reservista, nossa baixa.Não sei quanto dias levou toda essa tramitação. que ao meu ver, foi logo, porque nem senti a minha presença no Rio, naquela época..
Enquanto isso,
de olho nos caixotes que foram para um local provisório num alojamento no
piso superior. O que
fazer daí, então surgiu a uma grande idéia, na roda de companheiros, a
seguinte decisão: passar
tudo para malas que juntas a nós poderiam ser transportadas. Acompanhando os
companheiros, então, comprei duas malas grandes que enchi-as com as coisas que tinham trazido no caixote. O que sobrou e não cabia nas malas, de menor valor e dei para os recrutas que me olhando atentamente o manuseio das
"lembranças de Suez".Pois naquele momento, nosso interesse nosso era aliviar o
peso de bagagem.
Também tinha outra coisa para levar. Outro caminhão do exercito trouxe as caixas de
uísque "Cavalo Branco" que todos nós compramos em Marselha, uma caixa para cada militar.
Então fui até o local da distribuição. Já na
traseira do caminhão estava postado um oficial do quartel muito simpático, comprando as caixa de
uísques de quem quisesse os vender. E para aliviar nosso peso, eu, e a maioria dos companheiros
do sul cheio de coisas para levar decidimos vende-las ao oficial por um preço
razoável.
Não se esquecem, antes de partirem, pegar o certificado de reservista na
secretaria!!!.
Após várias tentativas de reservar passagens,mas todos os meios de transportes estava esgotado. Surgiu uma luz! Então de encontro com 3 companheiro de Curitiba (que não me lembro de seus nomes) alugaram uma Kombi, para nós 4 com viagem direto à Curitiba. Dava pena de ver a Kombi arreada! Foi um viagem longa e cansativa durante um dia todo. Mas valeu a pena o sacrifício pois, estávamos voltando pra casa, na frente da maioria que seguiram depois de nós.
Chegando em Curitiba, cada um seguiu o seu destino, e pegamos os endereços dos companheiros para um futuro encontro.E acabamos perdendo-os em nossas coisas.
Prosseguindo a viagem, agora sozinho, tomei o primeiro trem para Paranaguá, onde morava os meus pais.Mais 4 horas de viagem.
Chegando em casa, durante o dia, mesmo cansado, fui recepcionado pelos parentes ao som de bombas e rojões, preparado pelo meu pai.
No outro dia, devia ser um sábado, programaram uma linda e
inesquecível festa. Muitos convidados e curiosos.Entre eles, os colegas de
trabalho, de colégio e a vizinhança. A nossa casa ficou repleta de pessoas e
virou um bailão e eu vire um "HERÓI" por pouco tempo..
Isso ainda dá para lembrar: aquela felicidade dos meus pais, na minha chegada:
"um filho que estava longe numa possível guerra e agora de volta para lar, são e salvo"
- Graças a Deus, eu sou da Paz!!!