BREVE RELATO - 1
SERVIÇO MILITAR OBRIGATÓRIO DE 20/01/1960 Á 06/01/1961
VELHO QUARTEL

O Velho quartel do 15º Batalhão de Caçadores, que originalmente havia sido construído como Depósito de Material Bélico, em 1876, em prédio modesto e, que no começo do século estaria abrigando o 6º Regimento de Infantaria, seria, em 1932 totalmente reformado e ampliado, tomando o aspecto que vemos na foto. Porém esse prédio foi desativado como Quartel, e demolido na década de 1970, dando lugar a um estacionamento e ao terminal de transportes coletivos na Praça Rui Barbosa que antes se chamava Praça da República. (Colaboração
do companheiro Theodoro )
Em 1960 em seu interior, abrigava 3 companhias: Cia. de Manutenção, Policia do Exército e Cia do Quartel General, nessa última prestei meus serviços militares obrigatórios por um ano.
O corpo da guarda do quartel eram feitas por revezamento por ambas companhias., a exceção da
P.E.( Polícia do Exército )
Esse prédio foi desativado como Quartel, e demolido na década de 1970, dando lugar a um estacionamento e ao terminal de transportes coletivos na Praça Rui Barbosa que antes se chamava Praça da República.



ambos foram para Suez
PREPARAÇÃO PARA SUEZ
A divulgação da convocação de Suez, nos jornais no segundo semestre de 1961, deu preferência aos soldados e cabos recém licenciados se apresentaram voluntariamente à unidade seletora . Os interessados que após um pré-exame, se aprovados, seriam recrutados e em pequenos grupos e enviados durante o mês de setembro de 1961 de trem diretamente ao III/2ºRI Vila Militar no Ro de Janeiro, com baldeação em São Paulo.
O 10º Contingente do Batalhão Suez foi inicialmente formado no Sul do Brasil tendo em vista que a maioria dos elementos eram procedentes do Estados do Paraná e Santa Catarina. Nós, colegas paranaenses e catarinenses que estivemos em Suez em 1962, já éramos conhecidos
antes dessa nova missão, porque juntos servimos à Pátria em 1960 nos quartéis militares de Curitiba ( Cia.do Q.G., P.E. 20º R.I., Quartel General e outros mais).
A maioria do nosso 10º contingente foi arregimentados e agrupados no então 20ºRI (hoje 20º BIB) no bairro
Bacacheri, em Curitiba-PR, Entre eles, alguns da ativa e outros que
estávamos recém licenciados pelas unidades militares.
Quase fora do prazo, me apresentei na segunda quinzena do mês de outubro no Quartel General (centro de Curitiba) onde fui encaminhado.Após um exame preliminar, fui aprovado com dois outros colegas, e recebemos a ordem Oficial para se apresentar ao III/2ºRI Vila Militar no Rio.
Em companhia dos mesmos colegas, já conhecidos anteriormente, me facilitou a convivência nessa nova missão rumo ao desconhecido, marcadas pelas lembranças e amizades já conquistadas.
SERVIÇO MILITAR VOLUNTÁRIO DE 01/11//1961 Á 28/02/1963
NO QUARTEL DO III/2º RI

No final do mês de outubro 1961 após novos exames médicos que aprovou a maioria e reprovou de companheiros. Foi doloroso para os demais, ver alguns companheiros desiludido voltando para casa. E as vagas deixadas por eles, foram preenchidas por outros disponíveis em reserva no Quartel e então, a composição e complementação do pessoal efetivo, estavam definidas e todos passaram aos treinamentos e instruções intensivas, visando melhor representar o Exército Brasileiro no Oriente Médio.
Um detalhe marcou a concretização do 10ºContingente, em relação à cidade ou Estado de origem de cada um de seus elementos. Fizeram parte do efetivo, companheiros de Minas Gerais; Rio de Janeiro; Goiás, Espírito Santo; Maranhão; além é claro de sua maioria que eram Paranaenses e Catarinenses e poucos Gaúchos
Essa mescla de brasileiros de vários estados e das mais diferentes cidades num total aproximado de 260 elementos, foi um acontecimento positivo, pois todos se tornaram verdadeiros amigos, como se fossem de uma mesma família consangüínea. Espiritualmente passaram a considerar-se como irmãos.
E todos fomos incorporados ao III/2º RI-(Terceiro Batalhão do Segundo Regimento de Infantaria) - o Batalhão Suez, como ficou sendo conhecido, com vistas a integrar-se a UNEF - Força de Emergência das Nações Unidas, para cumprimento de missão de paz, na Faixa de Gaza - Oriente Médio.

VIAGEM AO ORIENTE MÉDIO > Navio "Ary Parreiras"

Roteiro : Rio, com escala nos portos: Recife, Casablanca, Marselha, Nápoles e Porto Said.
Saída do píer da praça Mauá - Rio, após 3 dias, aportamos em Recife, atravessamos o oceano Atlântico (nove dias e nove noites), aportamos em Casablanca e através do Mar Mediterrâneo passando pelos portos de Marselha e Nápoles. Finalmente chegamos a Port Said após de 38 dias exaustivos no mar..
CRUZEIRO




O 10º Contingente viajando no Navio Transporte de Tropas “ARY PARREIRAS - G 21” da Marinha de Guerra do Brasil chegou a Port Said – Egito, nos primeiros dias de janeiro de 1962. A complementação da viagem via terrestre até o destino final foi feita à noite de trem. A nossa tropa foi deslocado até a locomotiva de Port Said até Rafah City que o conduziu por mais oito horas de trem até a sede do Batalhão brasileiro, na cidade de Rafah, cujo prédio anteriormente, funcionou como hospital dos franceses na 1º guerra Árabe-Israelense. Cruzamos a rotatória do Canal de Suez, chegando de madrugada, onde enfim, ficava o acantonamento e QG do Batalhão Suez.
Foi uma grande festa de recepção para nós e para o 8º Contingente que voltava para casa, embarcando no mesmo trem e navio que nos trouxe.
NO BATALHÃO EM RAFAH CITY
Nos primeiros dias do início do ano de 1962, na Faixa de Gaza, já nos encontrávamos em nossa missão no Batalhão Suez em Rafah City, a qual eu já estava designado à 8º Cia.de Guarda do Batalhão, cujo comandante era o Capitão Sarahyba.

O acampamento do Quartel General "Brazilian Headquarters" em Rafah já tinha uma infra-estrutura de uma vila, com uma avenida longa desde a entrada principal até a uma praça em frente ao Quartel General onde estavam hasteadas as bandeiras do Brasil e das Nações Unidas e que todos aproveitavam do lugar para tirar as fotos de recordação
Essa grande acampamento do Batalhão era protegida por cercas de arame farpado com um corporação de guardas permanentes em toda sua extensão, serviços esse a cargo da 8º Cia.
E as noites estavam cada vez mais frias, já usávamos a farda de lã nas guardas do Batalhão pois, já estávamos praticamente no
inverno do deserto.
A grande área do campo Brasil, parecia um oásis, já estava arborizado e daí pra frente, sua estrutura passou a ter novas reformas e melhoramentos de ruas e praças com canteiros floridos, enfim um novo visual,
que nos agradava muito e nos sentíamos bem.
As barracas antigas de lonas já tinham sido substituída pelos diversos alojamentos de alvenaria que nos protegiam das tempestades de areia e dos variados insetos existentes. Mesmo assim,
a poeira entrava, era difícil acabar com todos os percevejos e alguns escorpiões que nos
visitavam que depois de mortos era pregados na porta de entrada como troféus.

As latrinas pré-fabricadas eram coletivas separadas dos alojamentos e se localizavam próximo as cercas divisórias do acampamento.
No nosso refeitório, se lia a gostosa mensagem "Peça o que quiser, más coma o que pediu", cujas refeições eram boas e frescas, diariamente importadas de vários países e servidas dentro do cardápio brasileiro. O desconforto é que nas ventanias ocasionais tínhamos de comer rápido, se não, comeríamos com areia, por mais fechado que fosse o local, se via o formato da bandeja marcado pela areia que ficava sob a mesa.

No centro do acampamento, tínhamos a nossa Capela para as missas dominicais com o nosso capelão Con.Dourado. Ao lado em anexo estava o cine Brasília, com um pequeno palco que nos presenteava todas as noites com os filmes recentes em lançamento de Hollywood (do Brasil, excepcionalmente, assistimos de primeira mão o lançamento do nosso "O Cangaceiro").

Nesse mesmo palco, de vez em quando para alegria de todos, era apresentado shows variados internacionais e na oportunidade tivemos a visita de um show de brasileiros em roteiro artísticos pela Europa e Oriente Médio que nos alegrou muito e driblou a nossa tristeza..

BRAZILIAN BOYS
Em nossas folgas, estávamos sempre assistindo os ensaios da nova banda que se formava "Brazilian Boys" no Cine Brasília. Quem tem dons musicais! Quem se habilite!
O nosso conjunto musical era formada por pistom, saxofone, rabecão, guitarra, violão, reco-reco, tamborins, solistas de canto , excelente sapateador, e uma bateria moderna.O sargento Nilo, da guitarra era realmente um mestre no seu instrumento. O "canarinho", que diziam ser filho de um casal paraguaio, cantava em castelhano tangos argentinos. O sapateador que era um moreno dos morros do Rio, ganhava sempre aplausos da assistência. A "Aquarela do Brasil" que o sargento Monteiro cantava sempre merecia ovações especiais dos brasileiros
Participou com sucesso de uma demonstração no teatro de Gaza, de músicas e canções a cargo de elementos dos quartéis com tropas na Faixa de Gaza.
Logo, o nosso conjunto musical, ficou famoso pelos inúmeros pedidos de apresentações entre as forças localizadas na Faixa de Gaza, alegrando nossas festas e a dos gringos com músicas românticas dos anos 60 e a nossa popular Brasileira.

Na entrada do Batalhão, à esquerda, passando alojamento dos guardas havia a nossa cantina onde nos reuníamos para ler as nossas correspondências, gastar nossas piastras, tomando a nossa tuborg, Seven-up etc.
Ao lado da cantina, estava nosso campo de futebol onde praticávamos nossos exercícios físicos e as nossas peladas e que nestes treinos foram revelados muitos craques que serviram para compor a nossa seleção para as competições entre as nações da força militar. No nosso período, perdemos o campeonato! O nosso espírito festivo, a nossa música popular e o nosso futebol, entre as demais nações na Faixa de Gaza, eram sempre motivos de confraternização.
E na direita da entrada do acampamento, havia uma grande área para nossos desfile e comemorações entre elas, 25 de agosto "dia do Soldado", 7 de setembro, "nossa Independência" e 24 de outubro "dia das Nações Unidas". Nessa última festividade, com as presenças de representantes de outras nações para o " Medal Parade " que era a
ourtoga da medalha de bronze " In the Service of Peace " aos nossos soldados da paz pelo cumprimento de suas missões.

Após 3 meses de nossa adaptação na faixa, dentro do nosso acampamento brasileiro prestando serviços de guarda nos limites das cercas e do portão principal, nosso Capitão Sarahyba me indicou para participar de uma seleção no preenchimento urgente de uma vaga na Policia Militar da UNEF.
Após seleção com testes realizados pelo Cel. Darcy, fui aceito e imediatamente destacado para a "M.P. Rafah Detachment", em Rafah Camp para preenchimento da vaga deixada por um brasileiro do 9º Contingente em regresso ao Batalhão. Passei, então, a ter uma nova missão ou desafio, entre os colegas mais experiente na função.
